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RENATO ZUPO

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Rodrigo Pacheco marco temporal

O marco temporal (de novo)

ENTRETANTO

O Congresso Nacional com Rodrigo Pacheco à frente legislou sobre o marco temporal, fixando limite para as pretensões territoriais indígenas, agora e recentemente, depois que o STF havia relativizado essa “temporalidade”.

Isso se chama retrabalho, muito embora seja melhor o Congresso votando leis do que simplesmente e paquidermicamente inerte.

Mas somente o fizeram porque o STF, que na década passada criara o delimitador, voltou atrás em uma matéria sem relevância, inoportuna e aberrante.

Discussão sem sentido, sem rumo e sem nexo.

Não seria necessário ao STF se reposicionar, e não seria necessário ao Congresso Nacional legislar sobre uma matéria até então pacificada.

É o cachorro correndo ao redor do próprio rabo.

 

Não somos normais!

Não importa o que te digam.

Acreditem em mim, com décadas de estudo, pesquisa e viagens, com cursos de política e governabilidade aqui e no exterior: este entrechoque entre poderes constituídos, entre notáveis da República, NÃO é normal, não acontece em países organizados – não fique achando que é.

 

Os sete dias da crise brasileira.

Saiu na Jovem Pan. Se o Século 21 fosse uma  semana,  cinco dias e meio seriam governados pela esquerda.

Eu já disse aqui  e vou repetir: direita, esquerda e centro tem que ter, é bom que tenha, a democracia é pendular, hoje ganha um, amanhã ganha outro, etc…  Só não pode mentir.

A  crise brasileira, que não é só financeira, é política, é institucional, é de educação, somente se agravou neste nosso novo século, e estou cansado de lorotas.

Quem gere a crise é que é responsável  por ela.

Gestor tem que resolver e a “culpa” – brasileiro adora falar em culpa – é sempre do líder.

Políticos brasileiros, leiam mais  “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, general chinês que escreveu a este fenomenal livro de estratégias dois mil  anos antes de cristo.

Para ele a derrota do exército era sempre culpa do general, que geriu mal, ordenou errado, convocou  e disciplinou de maneira displicente aos seus comandados.

 

Barroso presidente.

Entronizado presidente do OSTF, o discurso de Luiz Roberto Barroso é de concórdia e paz – ele que faz meditação.

Barroso é um articulador poderoso, um estrategista fantástico e considero ele muito, mas muito, mas muito mais desinteressante  á direita conservadora do que Alexandre de Moraes.

A recente aula de Barroso sobre comunismo, em julgamento dos atos de 08 de janeiro, por exemplo, restringindo o marxismo e seus derivados ao seu aspecto econômico, deve ter conquistado a inúmeros neófitos e estudantes ainda com acne.

Ele é boníssimo de mídia, afinal, segundo palavras dele, “derrotou o bolsonarismo”.

 

Superccompetência suprema.

O defeito da supercompetência do STF não nasce com Barroso ou seus pares ou com o PT.

A Constituição em seu berço, láaaaa em 1988, já continha  a semente de todo o mal e era bastante criticada por juristas de peso desde aquele seu nascedouro.

É uma constituição que trata de tudo, absolutamente tudo, e não se restringe aos princípios básicos de funcionamento do Estado, como na Constituição Americana, por exemplo, e de outras nações prósperas democráticas ocidentais.

Com uma Lei Maior tão abrangente, tudo ou quase tudo acaba sempre no Supremo Tribunal Federal para discussão.

 

Autofagia

O Ministro da Justiça Flávio Dino, ex-governador do Piauí, ex-juiz de direito e atual ministro da Justiça do governo Lula da Silva, lançou um plano nacional de segurança pública, segundo ele “inédito” no país e que envolve valorização da polícia (leiam-se aumentos salariais) e fortalecimento de investigações criminais.

E como Flávio Dino vai fazer isso?

Com “eixos” que criou – ai meu Deus, estas expressões me lembram as reuniões do diretório acadêmico do Direito, que compus quando descobri que jamais serviria para a vida política.

Reuniões e verborragia que não levam a lugar nenhum, a nada com nada.

Querem resolver o problema de segurança pública, de facções criminosas e de crime organizado?

A solução é uma só, a ser adotada por juízes, Ministério Público, advogados, legisladores: deixem a polícia atuar, baixar o pau (no bom sentido, claro),  chutar porta e prender bandido.

Nada de soltar mais do que piranha nova na zona.

Nada de criar entraves burocráticos para a atuação policial.

Nada de impedir flagrantes.

E meter pena alta, negar  liberdade provisória, aí funciona.

Sem planos mirabolantes e bilionários.

Sem “eixos”. Sem frescura. Além do que, plano de combate a grupos criminosos, neste governo, soa meio autofágico.

 

A guarda municipal.

O STJ modulou  o entendimento do STF , criando condições para que as guardas municipais das cidades integrem o sistema de segurança pública nacional à luz da Constituição.

Através do Ministro Relator, Rogério Schietti Cruz, se decidiu que os guardas municipais são somente são competentes para zelar por bens e serviços dos rspectivos municípios.Bem.

Direito é bom senso – me dizia uma velha amiga.

Precisamos é de mais segurança e mais agentes da força pública com poder de polícia .

Lembro a todos que o policial mais famoso da  história, mais famoso do cinema, é o “Xerife”, que é um guarda municipal.

 

O dito pelo não dito.
“Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar.” (Sun Tzu, escritor e estrategista chinês).

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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