Israel
O povo judeu foi massacrado durante a segunda guerra mundial e sempre foi proscrito na Europa, onde foi alvo de racismo e xenofobia desde os idos de Jesus Cristo que, aliás, era judeu – não nos esqueçamos disso.
Com o final daquela guerra, a queda de Hitler e do nazismo e após seis milhões de judeus mortos, os aliados vitoriosos criaram um estado israelita para receber aos filhos de Davi, devastados pelo holocausto e provenientes de todo o mundo.
Israel é, portanto, um Estado jovem, com pouco mais de setenta anos de História, todos eles permeados por conflitos sanguinários com seus vizinhos muçulmanos.
O Mundo muçulmano.
O Islã, através do Alcorão, a bíblia muçulmana, prega a paz ao verberar a voz de Maomé, o profeta, para seus adeptos enviado por Alá (Deus) para dignificar o homem na terra, assim como Jesus Cristo.
É fundamental entender isso: o Islã admite a existência e a importância de Cristo, mas não o isola como o unigênito.
Maomé seria igual em importância e, enquanto viveu, criou um império bélico que conquistou a Europa e escravizou aos vencidos por quinhentos anos, até que as cruzadas católicas repeliram aos conquistadores árabes para além das fronteiras do velho continente e de volta à Ásia e África.
Cristãos e muçulmanos: diferenças.
A religião cristã foi a primeira fé missionária do mundo e nisto se distingue do Islã.
Cristãos procuraram propagar sua religião pelos quatro cantos do planeta, enquanto muçulmanos se limitaram a resguardar seu território e distinguir seus adeptos do resto dos crentes de outros credos, que definem como “infiéis”.
Maomé morreu imperador vitorioso, enquanto Cristo, quinhentos anos antes, padeceu crucificado, e isso faz toda a diferença para os islamitas: Maomé, neste contexto, seria uma espécie de Cristo que “deu certo”.
Também há uma diferença fundamental entre os mundos cristão e islâmico: os países dos seguidores de Maomé mantém um estado sacro em que o Alcorão dita não somente a fé islâmica, mas também a lei e a gestão dos governos.
Já o mundo cristão se laicizou e democratizou e adota a liberdade religiosa.
Ou seja, em um país cristão, você não precisa ser cristão.
Em um país muçulmano, não o sendo, cuide-se: principalmente se você é gay, maconheiro, gosta de uma bebidinha ou de sexo casual.
Convergências geográficas.
Não se iludam: a imensa maioria dos muçulmanos do mundo é pacifista com toda a sua alma e seu coração.
Migram e querem viver bem com todos em pátrias livres.
Curioso isso. Saem de seus países dominados por sua fé para prosperar em pátrias “infiéis”, todavia preservando aos seus costumes.
Experimente fazer o oposto: ir para um país como o Afeganistão e por lá rezar o terço em praça pública ou mexer com a mulher dos outros – e veja no que vai dar.
A questão cultural.
Durante a última copa do mundo no Qatar muitos criticaram aquele país islâmico por ser homofóbico, machista, sexista e atrasado, e mesmo por não permitir a venda de cervejas nos estádios daquele evento esportivo.
Aqui, defendi as desigualdades culturais e afirmei em alto e bom som: não há culturas melhores que outras, há culturas diferentes.
Respeitemos ao mundo muçulmano.
E não confundamos o Islã com seus extremistas radicais e terroristas a soldo de partidos que se opõem `a prosperidade de Israel e dos EUA.
Partidos e Estados.
Quando se fala do atual conflito armado entre Israel e seus vizinhos, não podemos esquecer que, nesta e em outras guerras, os judeus liderados pelo primeiro ministro Benjamin Netaniahu não estão lutando contra outros países, mas contra dissidentes irresponsáveis de partidos radicais que governam aqui e ali a um ou outro país do mundo muçulmano.
Estou falando de Hamas e Hezobolah, e não de Palestina, Líbano ou Síria. em específico.
Os agressores de Israel são agremiações políticas e não entes políticos estatais e a diferença jurídica entre um e outro é gritante.
O que quero dizer com isso: o que estes partidos fazem de atrocidade contra os judeus não justifica o bombardeio e o massacre de civis inocentes na Faixa de Gaza – uma espécie de promontório, um gueto com dois milhões de palestinos amontoados como em uma favela gigantesca e insalubre.
Judeus, ontem, hoje e sempre.
O povo dos filhos de Davi foi o mais massacrado, escravizado e discriminado da História.
Foi errante e excomungado, crucificado e queimado, espoliado ao longo dos tempos e desde antes de Cristo.
No entanto, sempre prosperaram, e hoje Israel é uma potência com nada menos que 25 ganhadores de prêmios Nobel e em seu diminuto território há mais de 450 mil grandes e médias empresas e quase dez mil startups tecnológicas.
Seus escritores vendem obras primas mundo afora, com destaque para Amós Oz e, recentemente, Yuval Hahari.
O que impressiona também são os judeus fora de Israel: dominam a indústria cinematográfica em Hollywood, os bancos europeus e americanos, e são judeus caras como Albert Einstein, Sigumund Freud, Noam Chomski e Woody Allen.
Ah! E Jesus Cristo – ele era judeu, você sabia?
O dito pelo não dito.
“Quem tem compaixão com pessoas cruéis, pode descobrir-se cruel com pessoas compassivas” (provérbio israelense).
Renato Zupo
Magistrado e Escritor