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RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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tse alexandre morais

A Lei do Mais Forte

ENTRETANTO

Quando os cidadãos desacreditam das eleições, da justiça e do funcionamento do Poder Judiciário, descambam para a Lei da Silva, do “olho por olho, dente por dente”, do salve-se-quem puder e da lei do mais forte, ou mais  armado. Foi o que fez Roberto Jefferson. Não só ele, mas um bando de Adélios que há  por aí, frutos do acirramento da política polarizada e de uma Justiça Eleitoral questionada e deslegitimada por críticas contundentes, sobretudo durante as delicadíssimas eleições pelas quais passamos. Não sou eu quem disse de eleições ilegítimas guiadas por juízes parciais – foi Yves Gandra da Silva Martins, maior constitucionalista deste país e pai intelectual da nossa Carta Magna de 88.

Não tem desculpa.
Não há escusa para a ação de Roberto Jefferson. Gosto dele, é um homem corajoso que denunciou o mensalão e o PT e pegou cana por isso, em uma época em que ainda não se falava em “delação premiada”, pré-lava jato.  Depois, diante das inúmeras covardias judiciais que sofreu, perdeu as estribeiras. Foi processado pela própria vítima, um colegiado de juízes que ofendeu e que agora é seu acusador e juiz ao mesmo tempo, em ofensa ao processo acusatório brasileiro.  É como no inquérito das Fake News, o inquérito do fim do mundo e que busca a autoria de crimes que não existem: sem Ministério Público (Os PGR Aras e Lindora pediram arquivamento), o Supremo Ministro  Alex de Moraes prossegue na presidência dos trabalhos dessa excrescência jurídica, dessa anomalia do direito, sem pé e nem cabeça. Jefferson foi descortês desta feita com minha querida ex-professora Carmen Lúcia, como outrora  fora com Barroso e com o próprio Alex de Moraes. Mereceria,  nos três casos, condução  à delegacia, assinatura de termo de ocorrência e fiança, e aguardar processo  em liberdade, tudo decidido por um juiz de primeira instância, que Jefferson não possui foro por prerrogativa de função.  Roberto Jefferson não  é mais parlamentar, e por isso deve ser julgado por um magistrado comum,  de carreira – sem  sangue nos olhos, o que para o ex-presidente do  PTB é alvissareiro.  Ele precisa de um julgamento justo,  não o que se está vendo, e que Jefferson respondeu à bala e com granadas de efeito moral.  Todavia, friso e acrescento,  não  se age assim diante de uma abordagem policial. Lamentável.

É tudo com  o TSE.
O presidente do  Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, o supremo, decidiu que todos os eventos decorrentes das campanhas eleitorais poderão e deverão  ser julgados  pelo TSE e que incidentes durante a campanha que precisem  de intervenção d a força pública para investigação deverão ser presididos também por aquela corte constitucional. Pelo menos no segundo caso, novo assassinato da Constituição Federal: há crimes de ação pública incondicionada, e no Código Eleitoral eles existem em profusão, e nesses casos a polícia deve agir de ofício, ou seja, sem provocação da vítima ou do  juiz ou do Ministro Alex.  Ia dizer que é lamentável, mas prefiro afirmar que é previsível, o que me relembra um poema que se atribui a Maiakovski mas rodou tanto que apareceram inúmeros supostos autores: aquele do sujeito que  primeiro deixa o ladrão entrar em sua casa,  e nada faz. Depois, o mesmo invasor pisoteia seu jardim, e novamente o dono da casa fica quieto. Por fim, o ladrão entra em  seu lar, rouba seus pertences e leva seu cão e apavora seus familiares, e o sujeito, como nada havia feito, agora nada podia fazer. A diferença  é que  o  povo, hoje,  ainda pode fazer  alguma coisa: pressionar o Senado para que finalmente exerça os freios e contrapesos que a constituição lhe outorga, que a República reclama e que a população exige.

Puta.
A jornalista Bárbara Gancia chamou a filha de 11 anos do  Presidente da República de “puta”. A que ponto chegamos. Jornalista, um historiador do presente, que deve guardar imparcialidade e comedimento, partindo para ataques pessoais à menores, por paixão política inoportuna a  um profissional  da informação. Por menos que isso,  Roberto Jefferson está preso, Allan dos Santos banido, o velho da Havan sem celular, Bolsonaro com  minutos perdidos no rádio e tv. Querem  que adivinhe? Com Bárbara Gancia não vai acontecer nada.  O  que mais você precisa, povo brasileiro, para entender quem são os mocinhos  e quem são os bandidos?

Jovem Pan.
Até o New York Times considerou um absurdo a censura à Rede Jovem Pan de jornalismo. Não acho que em um noticiário realizado por jornalistas estes profissionais devam se refiram à Lula como “ex presidiário” ou coisa que o valha. Aí vira panfletagem. Mas o que a Constituição permite é que os autores deste ou daquele exagero linguístico sejam punidos pontualmente. Impedir ou cercear programas vindouros, brecando textos, é censura prévia, vedada pela Constituição Federal. Aliás, até Alexandre de Moraes, quando era promotor, professor e escritor constitucionalista,  assim entendia.

O Dito pelo  não dito.
“Onde há liberdade de imprensa, a distribuição do espaço na mídia acompanha a divisão das preferências ideológicas entre a população. No Brasil, a opinião majoritária da população está TOTALMENTE EXCLUÍDA da grande mídia. Isso é liberdade de expressão?” (Olavo de Carvalho, escritor e pensador brasileiro).

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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