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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

NOSSAS REDES SOCIAIS

diego maradona futebol

Don Diego

ENTRETANTO

Faleceu o maior gênio do futebol mundial. Pelé era mais completo, mais atleta. Mas a plástica dos lances, o brilho individual, o espetacular protagonismo tornaram Diego Maradona mais deslumbrante. É fato: Maradona surgiu já na época da televisão e, depois, da internet, enquanto Pelé foi menos filmado e quando jovem só se assistiam aos seus jogos presencialmente ou pelas transmissões radiofônicas. Ainda assim, Diego segue mais amado na Argentina e no mundo do que o nosso rei. Mas disto sei o motivo: o camisa 10 argentino nunca se afastou de seu povo e seus erros, muitos, todos, somente o aproximaram de seus fanáticos fãs. Pelé pouco voltou a Três Corações, onde nasceu. É um falso mineiro. Virou um produto de marketing logo cedo e, em seguida, uma celebridade distante. Também, é por isto que falam que Diego é o melhor do mundo de todos os tempos. Pelé, não, porque é extraterrestre.

Ideologias.

Sou um conservador, mas não possuo ideologias – não só por ser um magistrado de carreira e, portanto, obrigatoriamente sem qualquer lado político-partidário. Não possuo ideologias porque elas são versões da realidade e não a realidade intrinsecamente considerada. Por melhor que sejam seus fundamentos, o mito da ideologia é o da Caverna de Platão: acreditamos naquilo que achamos que vemos e não no que de fato é, e daí em diante toda nossa pregação e nossa fé vai procurar tirar da realidade somente aquilo que justifique nossa crença, ignorando todo o resto. Acontece assim com os religiosos fundamentalistas: repudiam o que não entendem ou o que não lhes serve como alento em sua fé questionável. Somente entendi a devoção por ideologias comunistas, socializantes e mesmo pelo nazismo quando aprendi a vê-las como de fato o são: religiões. A ideologia é a fé deturpada na realidade distorcida.

Quem é negro de verdade

Noventa por cento dos brasileiros é afrodescendente, mas culturalmente muitos deles não se definem como negros, pretos ou pardos. Durante muitos anos foi da nossa cultura negar esta condição étnica quando ela não fosse muito evidente. Lembro-me de Ronaldo Fenômeno em entrevista afirmando não ser negro –assertiva pouco depois corrigida pelo pai e empresário do craque. Mesmo assim gerou muita discussão, isso em uma época em que não havia redes sociais, hein? Prosseguindo no campo dos jogadores de futebol, caras de pele clara, ou “morenos”, como se dizia antigamente, e que para nós não eram negros, iam jogar no exterior e eram vítimas de racismo justamente porque aos olhos de outras culturas se tratavam de pessoas não brancas: Sócrates, Daniel Alves, Toninho Cerezo, todos sofreram com o racismo europeu, em maior ou menor grau. Já hoje todos se definiriam como pretos ou pardos, talvez porque seja chique ser minoria (mesmo que esta minoria seja quantitativamente uma maioria), para conseguir vagas de cotas em universidades ou empregos públicos, ou simplesmente pelo saudável motivo de que a cultura de orgulho e pertencimento racial deu uma alavancada nas consciências dos povos. Morreu um grafiteiro, “Negão da Vila Madalena”, em São Paulo em um confronto estranho com um policial de folga. As redes sociais bombardearam mensagens antirracistas. Afinal, o apelido do cara é “Negão”. Fui ver a foto do cara na rede, e nem moreno ele é. Não na nossa ótica antiga – nos Estados Unidos seria definido como “latino”. De fato, acredito que surgiu uma raça brasileira amendoada e inzoneira, e consigo reconhecer de longe brasileiros em qualquer país do mundo. Brasileiro tem jeito de brasileiro, uma raça nova, linda, multicor.

Forças Armadas.

Depois de trinta e dois anos e graças `as redes sociais (elas também fazem o bem) conseguimos reunir a maioria dos meus oitenta e sete colegas recrutas do Exército Brasileiro, turma da 4ª Brigada de Infantaria Motorizada, alistada e engajada em 1988. Quatro morreram e dentre os que sobraram há gente de todas as classes sociais: pobres e ricos, militares engajados, empresários, taxistas, educadores, enfermeiros,  empreendedores, vendedores, artistas, intelectuais, além deste que vos fala. Nosso reencontro foi emocionante, porque desta turma toda e ao longo de todo esse tempo revi, no máximo, um ou dois, de relance – facilitou o fato de que saí da minha Belo Horizonte natal para abraçar o interior mineiro e só voltar de passagem e em rápidas visitas à capital de todos os mineiros. É impressionante como as forças armadas e o serviço militar obrigatório nos igualam a todos. Mais impressionante foi a constatação de que todos, repito: todos, os meus colegas ex-combatentes nutrem intensa ojeriza por bandeiras sociais hostis ao trabalho, repudiam ações antipatrióticas, amam o Brasil e detestam baderneiros que procuram implodir as instituições através de política ou de desinformação. Nisto, aprendemos aquilo que nos ensinava nosso comandante da época, o Capitão Camargo (hoje coronel reformado): “quando algum bêbado de bar vier criticar o Brasil perto de você, lhe pergunte o que ele fez pelo país. Vocês, soldados, deram à pátria sua juventude, deram à pátria tudo”.

O dito pelo não dito.

Eu sou totalmente canhoto, de esquerda: de pé, de fé e de cérebro.”  (Diego Armando Maradona – futebolista argentino).”

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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