Ganhou a lógica do razoável, como gostamos de dizer no Direito. Jair Bolsonaro era e sempre foi o “povão”, em uma relação política dicotômica e curiosa. Seu adversário da “esquerda” é um professor universitário que jamais deve ter trocado um pneu de carro. Ele, Jair, da “direita” (sic) vem do campesinato e de família pobre e foi funcionário público a vida toda. Daí o leitor atento deve perceber a burrice que é perdurar dividindo os ideólogos e candidatos políticos entre “direita” e “esquerda”, algo que o primeiro mundo (com exceção de artistas e jornalistas marrons) já se parou de fazer há muito tempo. Ou isso, ou estamos estereotipando o que é “povo”: o brasileiro não precisa vestir um macacão sujo de graxa ou ser pobre para representar o povo de nossa imensa nação. É possível exemplificar a nossa raça de terno e gravata, lecionando em faculdades, comprando ações na bolsa de valores. Mesmo nesses nichos, Bolsonaro também ganhou.
Réquiem petista.
O PT começou a morrer quando abandonou ou fez pouco caso de suas raízes. A periferia, o ABC paulista, as portas de fábrica e sindicatos foram o berço natural do Lulismo e foram deixados em segundo plano porque sempre se considerou que estes currais eleitorais haveriam de ser sempre do partido e seriam decisivos para ganhar eleições. Ledo engano. Os líderes petistas tentaram abraçar outras minorias, sem-terra, sem-teto, indígenas e quilombolas. Esqueceram-se, no entanto, de que aqueles que praticam atenção difusa em seu ideário acabam deixando escapar o mais importante entre os dedos. Perdem o foco e as eleições. Assim vem acontecendo com o Partido dos Trabalhadores. Não vou nem falar aqui de Lula e de sua condenação e prisão. Não precisaria disso para se enterrar o sonho petista. Acredito que Lula, solto, perderia as eleições se candidato, do mesmo jeito que seu discípulo Fernando Haddad. Petistas e Lulistas são trinta porcento da população brasileira e não vão mudar de ideia ou lado nunca, mas também são minoria (conquanto respeitável) e não agregam mais os votos moderados dos indefinidos de centro e esta dura realidade coloca o Partido dos Trabalhadores diante de um dilema: ou volta às origens ou sucumbe às novas realidades políticas do país.
O Novo Governador Novo.
Volto a dar parabéns aqui ao candidato Romeu Zema, agora novo governador de todos os mineiros. Não derrotou um borra botas de quinta categoria, corrupto ou processado. Derrotou Antônio Anastasia, um tribuno superlativo, um gestor de primeira água que realizou um bom governo nestas Minas Gerais. O valor de seu adversário derrotado somente enaltece o feito inédito do nosso araxaense Romeu Zema, que sempre viveu atrás de sua mesa de trabalho e com o uniforme da empresa que dirige, ou visitando as lojas de sua corporação e presidindo reuniões de seu grupo que agrega milhares de empregos diretos e indiretos. É lendário e ao mesmo tempo verdadeiro que o futuro governador trabalha dezesseis horas por dia, e haverá de fazê-lo doravante em proveito de todos os habitantes dos mais distantes rincões deste Estado que é geográfica e culturalmente um verdadeiro país repleto de diferenças de toda ordem. Boa sorte, Romeu!
O Dito pelo Nâo dito.“Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.”Millôr Fernandes
Magistrado e Escritor