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RENATO ZUPO

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Juros reais.

ENTRETANTO

Os juros reais representam o efetivo ganho de capital para quem empresta dinheiro e o fato de estarem altos, no Brasil, não tem nada a ver com o medo da inflação em alta ou o equilíbrio de gastos públicos.

Quanto a isto, tem uma característica de seguro contratual.

Os mecanismos de cobrança de dívidas no Brasil são bastante truncados: a legislação protege aos devedores inadimplentes e, quando não o faz, esta proteção é concedida pelo Poder Judiciário que adota também quanto aos contratos uma postura construtivista.

Não importa o que preconize o contrato, o que nele esteja escrito, principalmente em contratos de adesão de consumo.

Vale o que o juiz entender que é justo e conforme a lei.

E quase nada se pode tomar do devedor para pagar a dívida.

Por conta da dificuldade de receber dívidas é que pagamos os maiores juros do mundo, reais ou nominais, simples ou compostos – é um seguro em que os justos, os adimplentes e solventes que pagam as dívidas, arcam juros a maior para compensar aqueles inadimplentes que não pagam e nem tem como ser cobrados.

 

A prova do ENEM.

Jordan Peterson é um acadêmico norte americano que quebra paradigmas e lendas urbanas, desmascara teóricos da conspiração e coitadistas em seus livros e palestras.

Lembrei-me de Peterson quando soube do recente tema da redação do ENEM, que é a “invisibilidade do trabalho feminino de cuidado”.

Indagados a respeito, pensadores e sobretudo pensadoras do setor atacam a sociedade que dizem patriarcal pela discriminação de mulheres que se desdobram no trabalho doméstico e no mercado de trabalho sem qualquer reconhecimento social acrescido.

É contra este tipo de pensamento, cuidadosamente enganoso, que Jordan Peterson é enfático.

Mulheres não são discriminadas porque são mulheres.

Elas já são a maioria nas academias, nos cursos superiores de ciências humanas e sociais, no mundo corporativo.

Na verdade, ninguém escolhe colaboradores, funcionários e executivos pelo gênero, e homens, por outro lado, são a maioria esmagadora em serviços braçais mal remunerados, são a quase integralidade dos moradores de rua e sem teto, se aposentam mais tarde e morrem mais cedo.

Portanto, conforme entende Jordan Peterson: há o feminismo, que em certo tempo da história recente da sociedade foi importantíssimo.

E há o coitadismo. Aprendamos a diferenciar estes dois conceitos.

 

Criptomoedas à luz do direito.

O dono de uma empresa e plataforma especializada em venda de criptomoedas, Sam Bankman-Fried, foi condenado por sete crimes diferentes pela justiça norteamericana, dentre estes fraude e conspiração.

Estaria vendendo aquilo que não existe e manipulando ilegalmente o mercado de capitais.

Criptomoedas, à luz do direito, são valores monetários virtuais utilizados para realizar compras e vendas. São dinheiro que não existe.

Aliás, não se compra e nem vende dinheiro, que é o bem fungível por excelência, aquele que pode ser trocado por qualquer outro.

As criptomoedas se valem de algoritmos para intercambiar valores entre a ponta vendedora e a ponta compradora de um negócio e surgiram como alternativa para compras pela internet.

Ao invés de mandar dinheiro pra lá e pra cá, você compraria a criptomoeda – a mais famosa é o “Bitcoin” – e com ela faria negócios pelos sites da rede mundial de computadores.

A coisa complicou quando a criptomoeda virou bem de mercado à venda.

É como se alguém, que não seja o Estado, estivesse comprando e vendendo reais na sua esquina – isso não existe e o Direito não soluciona isso.

 

O discurso de ódio de mão única.

Engraçado que, quando o discurso era um só, se podia falar o que se quisesse e não existia a expressão “discurso de ódio”.

Ver o PCO e outras esquerdas na Av. Paulista pregando o antissemitismo e o fim do Estado de Israel para muita gente pareceu estranho.

No entanto, para quem conhece um pouco de história política, é apenas mais do mesmo.

Nós brasileiros associamos de maneira estrábica as ditaduras à Direita política, porque em nosso passado relativamente recente tivemos forças políticas conservadoras no poder à revelia do jogo democrático, como foi o caso do Regime Militar a partir de 1964.

No entanto, basta uma análise dos últimos séculos pós Revolução Francesa, no Brasil e no mundo, para que se depare com a conclusão por demais óbvia: os regimes de exceção, as ditaduras mais sanguinárias, em sua imensa maioria, surgiram a partir das forças políticas da esquerda progressista e através delas.

 

Um brinde ao Hamas.

Não é, portanto, com espanto que vejo esquerdas brasileiras e americanas brindarem partidos terroristas em guerra com o povo de Israel.

Também não me assombra que sejam antissemitas, como Hitler – muito antes pelo contrário.

A tendência histórica, amigo, é a seguinte: dependendo da bandeira flamulando, dependendo do apreço comprado ou conquistado perante a opinião pública, defende-se qualquer genocídio, qualquer guerra, qualquer extermínio em massa.

A opinião pública crucificou Cristo e o julgamento mais famoso do mundo acabou com um inocente crucificado – a humanidade não iria agora, se regenerar.

Ela está, ao contrário, degenerando.

E reparem bem que o discurso antissemita, contra os judeus, é agora como era nos tempos nazistas de Adolf Hitler.

 

O Dito pelo não dito.

“Não se aproxime de uma cabra pela frente, de um cavalo por trás ou de um idiota por qualquer dos lados.” (provérbio judeu).

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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