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RENATO ZUPO

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A Limitação da Reeleição Presidencial nos EUA e a Situação no Brasil

ENTRETANTO

Trump again

A Constituição Americana veda que um político possa ser presidente dos Estados Unidos por  mais de oito anos, consecutivos ou não. Viraria uma monarquia a prazo fixo, como o foi com Franklin  Delano Roosevelt, eleito e reeleito por quatro mandatos (morreu no último, em plena 2a Guerra), e  por mais de quinze anos à frente dos EUA.

Obama, por exemplo, não poderia novamente se candidatar  à presidência americana, depois de seus oito anos à frente da Casa Branca e Trump, agora novamente  eleito, de maneira intercalada, não poderá tentar a reeleição daqui a quatro anos. 

No Brasil não é assim. Lula da Silva foi presidente por oito anos e dois mandatos, e se  candidatou e ganhou (?) mais uma vez agora. Então já são três gestões, e pode se reeleger- em tese. 

E assim sucessivamente, porque em nosso país o que a legislação eleitoral e a Constituição Brasileira  vedam é a possibilidade de mais de uma reeleição consecutiva.

De duas em duas gestões, intercaladas,  ok. Por exemplo, FHC e Sarney, que estão vivos, poderiam se candidatar novamente à Presidência da  República – e até mesmo Dilma, eleita duas vezes seguidas mas com longo interstício após sofrer  impeachment em que, por uma mirabolância jurídica, não teve seus direitos políticos cassados. 

Aliás, a reeleição brasileira é uma invenção de Fernando Henrique Cardoso, por ele narrada  em seus “Diários da Presidência”. Em sua primeira gestão o plano real recuperara o poder de compra  de nossa moeda e nos salvara da hiperinflação.

Vivíamos um céu de brigadeiro na economia,  avistando-se novas eleições em que tanto Sarney quanto Itamar Franco pretendiam-lhe a sucessão, o  que era encarado como aquilo que seria um retrocesso, um desastre político-econômico para a nação. 

Não se queria mexer em time que estava ganhando.

Por isto, com bastante negociação no Congresso,  se promulgou emenda à constituição a toque de caixa para permitir mais quatro anos para FHC – que  fez ao todo dois bons governos, com as habituais ressalvas ideológicas que todos conhecemos mas que não enodoam sua gestão pragmática e e de resultados. 

 

Quatro anos é pouco

Em conversa com meu bom amigo o governador de Minas (reeleito) Romeu Zema, ele me  confirmou o que sempre soube e também já ouvi de outros políticos: quatro anos só à frente do Poder  Executivo é muito pouco.

anos que voam e projetos que, iniciados na gestão, não tem o mínimo  condão de se realizar ao longo de prazo tão exíguo de tempo.

Nenhum governante consegue fazer  frutificar suas ações positivas em prazo tão estreito à frente da gestão político-estatal. 

Na França são seis anos, em outros países cinco.

Quando é presidencialismo, tem que haver  um prazo, senão vira monarquia na prática – que o diga Wladmir Putin, quase vinte anos à frente da  Rússia.

No Parlamentarismo não é assim, porque governos caem e são recompostos quando não  obtém ou mantém sua liderança nos respectivos Congressos.

Há parlamentarismo presidencialista (na  Itália, por exemplo) e monárquico (o caso mais célebre é o da Inglaterra). 

No parlamentarismo há um chefe de governo e um chefe de Estado.

São distintos. O governo  é liderado pelo primeiro ministro (ou premiê, ou Chanceler) e o Estado é representado pelo presidente  ou pelo Rei – cargos de representação e não de gestão.

Os maldosos irão dizer que são figuras  decorativas apenas, mas não é bem assim.

A importância do Rei da Inglaterra durante a Segunda  Guerra Mundial, fortalecendo as boas providências do Primeiro Ministro Winston Churchill, por  exemplo, nos mostram a necessidade de uma Chefia de Estado coesa com o gestor governamental.

 

Semi-presidencialismo

No auge do risco da vitória Bolsonarista à reeleição, o Ministro Luiz Roberto Barroso do STF  chegou a insinuar a possibilidade de um “Semi-presidencialismo” no Brasil.

Queria evitar a qualquer  custo que maus gestores comprometessem os bons rumos da nação de maneira quase consecutiva  como (ele acreditava) ocorria – com Dilma, Temer e depois Bolsonaro.

Bom, Barroso é o mesmo  Ministro do STF que disse em alto e bom som em um julgamento já célere que não há comunismo no  Brasil. 

Então, dá mais ou menos para entender como funciona o cérebro do bom Ministro e Jurista  Barroso, hoje presidente do STF.

Como temos economia de mercado, não há comunismo por aqui – então a China também não é comunista.

Como Bolsonaro não corre mais o risco de permanecer  presidente, aborta-se a ideia engendrada por Barroso de “Semi-presidencialismo”, que nada mais é  que um parlamentarismo presidencialista, à moda italiana, só que com menos poderes para o  presidente da república. Aí seria um cargo figurativo mesmo.

Todo o eleitorado votando – e voto  obrigatório! – para a escolha de alguém que vai representar o Brasil em solenidades, eventos e desfiles  de escola de samba, e é só. 

Nos idos da década de 1990 tivemos um plebiscito para que escolhêssemos se queríamos  continuar presidencialistas, ou modificaríamos a República para o parlamentarismo ou, mesmo, a  monarquia.

A primeira alternativa ganhou de goleada. Gostamos de um representante do Estado e do  Governo em um só cargo e função, gostamos de ser liderados por um presidente da república, muito  embora as vezes a pessoa que ocupa este cargo nem sempre seja merecedora de tamanha honraria. 

Não importa. Escolhemos ser mandados por um presidente e os cargos são muito maiores que as  pessoas que os ocupam, nesta e em outras repúblicas. Sempre. 

 

E agora? 

Donald Trump é um candidato de extrema direita que deverá, nos próximos meses, acabar  com a guerra na Ucrânia, serenar a Coreia do Norte e acabar com os bombardeios israelenses no  Oriente Médio. Tudo com seu poder de persuasão.

É um presidente da república para a guerra, e para  fazer cessá-la. 

Não fará como sugerira Lula durante sua campanha para a presidência brasileira, chamando  Putin e Zelenski para tomar uma cerveja. Trump vai mostrar que:

a) não vai ajudar Israel se o pau  continuar quebrando;

b) vai parar de mandar ajuda humanitária para os descamisados árabes vítimas  dos ataques israelenses:

c) vai continuar tranquilizando o ditador coreano Kim Jong Um: não mexa  conosco que ninguém vai mexer contigo; e

d) vai avisar os Ucranianos: resistindo ou não a Putin,  vocês não entram na OTAN, não os queremos por lá, são mais dor de cabeça do que solução. 

Ligar Trump ao fascismo ou dizer que todo político de direita é fascista é uma besteira e uma  enorme burrice histórica.

Os posicionamentos políticos e ideológicos não são binários no mundo  polarizado em que vivemos.

Não se é comunista porque se é de esquerda, ou fascista simplesmente  porque se é um conservador de direita. Há nuances, como em tudo nesta vida. 

 

Como tudo começou

Faz parte da guerra cultural comunista – aquele comunismo que o Ministro Barroso disse que  não existe no Brasil – ofender e nichar, estereotipar, seu opositor político, ou simplesmente a pessoa  que não pensa igual a você.

Ou, como dizia Lenin: “xingue-o do que você é, acuse-o do que você faz.

A esquerda brasileira e a americana são absolutamente iguais nesta característica da guerra  cultural que travam nos meios de comunicação de seus respectivos países. Não te dão o direito de ser  imparcial e se você simplesmente não é de esquerda, passa a ser imediatamente de direita, fascista,  “filhote da ditadura”, reacionário, etc… 

Sem contar que muito pouca gente sabe, de fato, o que é ser “fascista”.

Não é um conceito  que tenha ficado tão fixado na memória histórica das pessoas, como o nazismo, talvez por conta da  característica racista desta última corrente política, na verdade uma religião fundamentalista política,  mais do que uma ideologia. 

 

Pragmatismo. 

Trump é um pragmático, e é claro que não é de esquerda. Defende o livre mercado e a  abstenção de intervenção governamental, o combate a imigração ilegal e clandestina, o reforço das  fronteiras, a meritocracia e a livre iniciativa.

O Ministro Alexandre de Moraes teria problemas com  ele, certamente, se ambos ciscassem no mesmo terreiro. 

Mas Trump não é um combatente ideológico anticomunista ou um político com raízes  partidárias.

É um homem de sucesso, que deu certo, gere bem seus negócios e também o fez com a  América – e fará de novo.

O principal motivo da nova vitória acachapante de Donald Trump é o fato  de que o partido democrata americano é ineficaz, ridículo e não produz nada de útil para a presidência  dos EUA desde John Kennedy, lá se vão sessenta anos – Clinton quase acabou com a América e  Obama não conseguiu implementar suas melhorias socializantes, na economia ou no sistema público  de saúde.

Ou seja, um político bem intencionado, que fala bonito, mas não realiza.

Um demagogo – curioso que chamem Bolsonaro e Trump de demagogos – é a característica principal daqueles  políticos que falam para agradar e tem discurso vazio.

Os dois líderes de direita, ao contrário, não tem  qualquer comedimento ou constrangimento em desagradar e seu conteúdo, conquanto discutível, é  denso e tem endereço certo: a eficiência na gestão e o desaparelhamento do Estado. 

A eterna polarização entre esquerda e direita é tão ridícula que, veja-se, o atual presidente  eleito americano, Donald Trump, um entusiasta do capitalismo, é amigo de Wladmir Putin, o  presidente/monarca russo, que vem do marxismo comunista da extinta União Soviética. Mas eu me  esqueci: segundo o Ministro Barroso o comunismo acabou. 

 

 

O dito pelo não dito

Nós não consideramos ninguém como nosso inimigo e não recomendo a ninguém que nos considere  como seu inimigo.” (Vladmir Putin, presidente russo).

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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