Quando um influencer é lacrado ou sofre justiçamento virtual (acreditem, isso existe) está bebendo um pouquinho do próprio veneno. Não consigo ter pena, mas vamos fazer justiça: o que o youtubber Monark disse em seu podcast, sobre a liberação do partido nazista no Brasil, não foi entendido por ninguém, talvez nem por ele. O partido nacional socialista alemão (nazista) foi proibido no mundo inteiro desde o final da segunda guerra, mas nunca morreu. Não existe neonazismo, me assegurou um jovem nazista que tive o desprazer de conhecer: o nazismo, segundo ele, e a história confirma, jamais morreu! Não adianta, portanto, colocar na clandestinidade uma ideologia política. Fosse assim o cristianismo não existiria hoje, eis que a Igreja Católica primitiva passou os primeiros trezentos anos após a morte de Cristo escondida em catacumbas e mesmo com o apóstolo tardio Paulo disseminando a fé católica, o mundo só abraça esta fé oficialmente quando Roma já declinava e graças ao Imperador Constantino – o cristianismo, então, já era popular, mas ainda clandestino. Proibir partidos políticos ou ideologias nunca resolveu nada – fosse assim, o comunismo teria sucumbido, eis que o PCB brasileiro, e vários pelo mundo, permaneceram proibidos e ainda assim vicejaram na penumbra. Por fim, em se tratando de liberdade de pensamento, e esta era a pauta da discussão de Monark com Kim Kataguiri, fica estranho e difícil defender a proibição de um partido político, de uma ideologia, por mais repulsiva que seja. Foi isso que Monark quis dizer, mas não conseguiu explicar.
O que foi o nazismo, mesmo?
Não que o nazismo seja simplesmente uma ideologia política – foi monstruoso, tanto que é o único crime de opinião previsto expressamente em nossa legislação, cestá lá na Lei de Preconceito Racial, onde se proíbe não somente a apologia ao nazismo, como também a exibição da suástica. Fora essa exceção, só mesmo entendimentos do STF. O Nazismo é sui generis e possui características de movimento de esquerda e de direita, mas não é nenhum dos dois, por causa do seu componente racista, estranho a ambas as vertentes do pensamento político polarizado. Peca quem acredita que o partido de Hitler era conservador, muito embora seu culto à farda e à hierarquia e aristocracia sejam bastante comuns a alguns movimentos de direita. Também erra quem imputa à esquerda o nazismo porque era nacional socialista: Hitler vem do mesmo nicho obscuro da ideologia comunista, mas odiava o comunismo porque lhe tomava adeptos ludibriados pela ilusão das massas de manobra e do populismo de seus representantes: Stalin e Lenin de um lado, Hitler, Goebbels e cia ltda do outro. Nem assim se pode chamar o nazismo de progressista, muito embora o nazismo se valesse do capitalismo de estado como, hoje, o faz a China: elege empresas para lucrarem em nome do Estado Totalitário que fortalecem. Não sou eu quem está dizendo, é a História: o Nazismo era o nazismo, com um cadinho de direita e esquerda em sua estrutura.
A proibição partidária.
Proíba-se o nazismo sempre, mas o comunismo também, como outrora. E quem lhes está dizendo isso é um liberal que acredita que tem que haver direita, tem que haver esquerda, e centro, e todos os lados da política. Já vimos aqui que há ideologias que não são políticas, são autênticas religiões, e sobre o partido comunista vale lembrar que partidos políticos são pessoas jurídicas de Direito Privado tratadas como empresas, com alguns benefícios a mais, pelos governos. Presume-se que sejam associações de pessoas que se identifiquem politicamente e se reúnam de quando em vez para disputar política. Mas não é isso que sucede com o partido comunista, que aparelha o estado, ideologiza a máquina governamental, sabota a administração pública e polui o nacionalismo, o orgulho pátrio e o funcionamento da máquina administrativa, tudo com interesses eleitorais e ideológicos. Não dá para tratar lobos como se cordeiros fossem.
A regulação da mídia.
A regulação da mídia é defendida por Lula e combatida de maneira contida por Jair Bolsonaro. Como polarizamos nossa política, né? Se um político é a favor de alguma coisa, seu adversário imediatamente migra para o lado e a opinião opostos. Perdemos o direito à imparcialidade na discussão política. Mas, quanto à regulação da mídia, a matéria não é nova: desde 1962 temos uma Lei de Telecomunicações e, posteriormente, Lei de Imprensa, esta última que nosso notável e inédito legislador maior, o STF, disse que é inconstitucional. Também temos o CADE, conselho administrativo que regulamenta os serviços de informação e imprensa no país. Não está sem dono e nem regulação a nossa imprensa, que não deixou de ser livre por conta disso. Não entendo o Lula: eu e todos passamos raiva com jornalista, vez ou outra, mas nisso reside a democracia. Graças a Deus somos livres para ter bons e maus jornalistas. O contrário seria o regime totalitário, a ditadura. Regular mais, pra quê?
O Dito pelo não dito.
“Se Hitler invadisse o Inferno, eu cogitaria de uma aliança com o Demônio.” (Winston Churchill, estadista inglês).
Renato Zupo
Magistrado e Escritor