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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Vomitando pela imprensa

ENTRETANTO

Saiu no jornal \”O Tempo\” do último dia 06 de março uma crônica de Leonardo Boff, famosíssimo teólogo barbudo, parecendo um papai Noel, articulista de não sei quantos veículos de comunicação Brasil afora. Nessa que li, em especial, seu autor trata do atentado terrorista aos jornalistas franceses do periódico \”Charlie Hebdo\”, e que pagaram com a própria vida por publicarem charges ironizando o profeta Maomé, uma espécie de Jesus Cristo para os muçulmanos – dentre estes, os dois criminosos que entraram na redação do jornal humorístico parisiense, dizimando seus redatores. Enfim, a história que todos conhecem. Ultrajante e perigosa, no entanto, é a visão do \”Frei\” Leonardo Boff sobre o evento. Ele afirma que os jornalistas franceses \”exageraram\” na liberdade de expressão e com isto autorizaram que os terroristas também se exacerbassem ao defender seu profeta, matando gente! E a pestilência da crônica termina citando Che Guevara, para muitos um herói romântico, e que em discurso proferido na ONU confessou ter fuzilado em Cuba a centenas de dissidentes políticos e que seguiria os fuzilando!  O problema aqui, e no entanto, não são Che Guevara, fundamentalistas islâmicos, ou mesmo os jornalistas franceses mortos. O problema é Leonardo Boff, porque tem gente que acredita nele. Porque escreveu muitos livros, porque no topo de suas crônicas estão seus títulos acadêmicos (filósofo e teólogo) que aparentemente o santificam, porque se diz mais um\”perseguido\” pela ditadura, por isso tudo tem gente, muita gente, que acredita nele, afinal é um frei, um homem de Deus! E que justifica fuzilamentos, cita carniceiros e defende terroristas. Gente assim me lembra o que narra o grande Rodrigo Constantino em sua insuperável obra, \”Esquerda Caviar\”: pessoas que perderam a noção do ridículo, o que seria cômico, se não encontrassem tantos seguidores ignorantes para suas incontinências verbais, para suas ruminações historicamente deturpadas, para seu vômito intelectual pseudo-libertário. Ainda que a esquerda pensante brasileira seja digna de dó e esteja hoje restrita a meia dúzia de intelectuais de botequim, ainda não havia chegado a semelhante absurdo.

Tolerância.
Quando fui lançar meu livro \”Rio da Lua\” na universidade de Salamanca, na Espanha, tive a honra de conhecer Don Ignácio Berdugo, que além de vice-reitor daquela que é uma das quatro melhores instituições de ensino superior do mundo, é também a maior autoridade espanhola em Direito Penal, autor de vários livros na área. Proseamos muitíssimo sobre as nossas obras e carreiras, a minha humilde e a dele brilhante e aplaudida no mundo todo. É um sujeito de uma humildade impressionante, própria dos gênios e a ponto de me tratar de igual para igual, a mim que sou um simples aprendiz de romancista e um criminalista apenas esforçado. Pois papeando pra lá e pra cá Don Ignacio me revelou dois causos de amigos seus, também do mundo acadêmico e famosíssimos: Eugênio Raúl Zaffaroni e Norberto Bobbio. Do argentino Zafa riu-se muito contando que estava sendo absurdamente acusado de pedofilia praticada com mocinhas – isso apesar do penalista argentino ser um membro atuante e  bastante óbvio do denominado \”terceiro sexo\”. Ou seja, falando em português claro, um gay assumidíssimo e casadíssimo com outro barbudo. A confusão toda teria se dado, segundo Berdugo, porque Zaffaroni alugou um de seus imóveis para um inquilino, este sim, pedófilo. E quanto ao filósofo e jurista Norberto Bobbio, autor do inesquecível \”A Era dos Direitos\” – que sempre recomendei aos meus alunos – Don Inacio salienta que o encontrou muito bravo certa feita com a definição deturpada que muitos pseudo-intelectuais vem dando, em palestras e livros, ao termo \”tolerância\”. Parecia, segundo Bobbio, que aqueles supostos eruditos  haviam esquecido o dicionário em casa! Isso ganhando fortunas por livros e palestras – espantava-se o jurista italiano. Tudo porque, como esclareceu e como quase todos sabemos, \”tolera-se\” aquilo que é menor e incomoda, é inferior às nossas opiniões e ao nosso mundo. Ao dizermos, por exemplo, que \”toleramos\” minorias, já estamos desde logo admitindo que essas minorias nos são inferiores em algum critério E nada há de correto nisso. Melhor seria, argumentou Bobbio ao meu novo amigo Don Ignacio, conviver-se  com minorias, e não tolerá-las.

Impeachment.
Não gosto de passeatas, não gosto de impeachment, mas gosto menos ainda de Dilma Roussef. Note-se que não estou falando do PT. Mesmo para uma petista, Dilma é péssima política e pior ainda governante, e isso seus próprios colegas de partido não se cansam de admitir. Quem duvida é só comparar o governo atual com o de seu antecessor, Lula: Dilma conseguiu descer bem abaixo dos limites do tolerável, e seu índice de aceitação é muito inferior ao do padrinho dela e pai do PT. Ou seja, mesmo entre os governos petistas, o dela é lamentável. Afastá-la do poder, contudo, será que seria bom? Voltarmos a uma intervenção militar? Nessas horas penso economicamente: qualquer medida radical na política brasileira afugenta investidores, enfraquece nossa moeda, prejudica a empregabilidade, causa desordem social. Só por isso, ainda acredito  que não seja a hora de despejar a Sra. Roussef do Palácio do Planalto.

 Renato Zupo,
 Juiz de Direito.

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