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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Utilidade Pública (1)

ENTRETANTO

Na coincidência deste final de ano precisei por duas vezes de assistência técnica de produtos e serviços que adquiri. Algo raro em mim: geralmente deixo para lá e procuro o reparo com profissionais que escolho, gente do meu dia a dia e de confiança. Desta vez, premido pelos contratos firmados, fui obrigado a acionar a garantia autorizada – e quando isso acontece, o consumidor perde a oportunidade de escolha, fragilizando-se. Pior ainda quando se é atendido com desinteresse e sem aquele cuidado que toda empresa deve ter com o que se chama \”pós venda\”. Afinal, clientes não são apenas números de CPF. No meu caso, em ambas as vezes saí insatisfeito, o que não é gravepara mim, mas para os consumidores em geral, porque presumo que os problemas que enfrentei sejam o cotidiano de outros clientes igualmente desafortunados e que são obrigados a lidar com um mercado repleto de profissionais despreparados. O que os prestadores de produtos e serviços devem entender é que com isso deterioram  sua marca, sua imagem no mercado, e que cada pessoa insatisfeita com seu produto no pós venda é poderosa publicidade negativa, a pior que existe: podemos ou não aceitar a indicação de um amigo que nos elogia um determinado bem ou profissional, mas com certeza jamais contrataremos um produto ou serviço do qual este mesmo amigo abomine ou fale mal.  Somos todos, nessas horas, formadores de opinião, e é o cliente que manda no mercado de consumo. Depois o empresário reclama do freguês que o vitupera ou aciona em juízo, e sem razão. Muito embora existam espertinhos para todos os lados, como juiz há dezoito longos anos e cidadão quase cinquentão, jamais vi consumidor recorrer à justiça ou agir com má fé contra a empresa que o tratou com carinho e respeito.

Utilidade Pública (2).
Certa feita fui a um restaurante em Uberaba com minha família. Veio a conta e pedi para conferir o que de fato havia consumido. Sem problemas, o que havia na nota fora verdadeiramente servido à mesa. O estabelecimento só era caro e ponto final, e eu que olhasse o cardápio antes de pedir a comida. Azar o meu, até aí. O problema foi a \”cara\” do gerente quando pedi para ver a conta. Se sentiu ofendido, franziu o cenho e abandonou por completo seus modos de bom anfitrião. Na verdade, surpreendeu-se negativamente, como se fosse raro alguém conferir a nota ou indagar do valor de produtos e serviços. Além do direito que todos temos de aferir preços e conferir despesas, aquela mudança súbita de tratamento demonstrava justamente que outros clientes e freqüentadores daquele restaurante não praticavam habitualmente este salutar hábito, o que é lamentável. Todos devemos nos certificar das despesas em bares e restaurantes, e só dispenso a conferência quando já conheço e confio nos proprietários da casa e garçons – o que é minha regra geral, porque saio pouco e vou sempre aos mesmos lugares. Além disso, o comerciante não deve e nem pode ficar ofendido, como se o consumidor o estivesse indiretamente chamando de ladrão tão somente porque pede para conferir uma conta de despesa de bar. Aí é o fim da picada.

Utilidade Pública (3).
Como sempre faço nos aniversários de nascimento e morte de meu pranteado pai, procuro uma igreja católica fora do horário da missa para rezar e chorar em paz e longe de outros fiéis. Da última vez levei meus dois filhos e saí perambulando pela cidade à procura de um templo aberto, inutilmente. Todas, ou quase todas, as igrejas da cidade encontravam-se fechadas. As que tentei, e foram as quatro mais bonitas e populares,  estavam fechadas para visitação de fiéis, isso durante um sábado. Restou levar meus filhos ao cemitério da cidade, que não conheciam e está sempre aberto, e aproveitar algumas cruzes e santos para orar, ao pé de esculturas de campas e jazigos alheios. Que bom que os meninos gostaram. Tenho certeza, no entanto, que se procurasse por um templo evangélico, um centro espírita ou uma casa de candomblé, seria plenamente bem recebido com portas escancaradas. Por essas e outras é que não compreendo por que membros do catolicismo reclamem da debandada de fiéis… E olhe que nós, católicos (praticantes ou não), temos um papa popularíssimo e sensacional, que deveria ser exemplo para os demais membros do clero. No resto do mundo, com ênfase para a Europa, igrejas ficam abertas para visitação o dia inteiro, os sete dias da semana. Aqui, abrem-se e fecham-se como repartições públicas e coletorias de impostos, com exíguos horários de serviço.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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