• BLOG ENTRETANTO •

Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

NOSSAS REDES SOCIAIS

tamanho para site

Tribos

ENTRETANTO

O sujeito falar, escrever ou postar que gostou disso ou não gostou daquilo, por causa desse ou daquele atributo ou defeito pode virar campanha difamatória, passeata ou processo, do jeito que as coisas andam. Está todo mundo se policiando o tempo todo, o que é muito chato, e desanda nossa cultura de maneira lamentável, gerando uma mídia tediosa que não enfrenta mais problemas com opiniões pessoais contundentes e corajosas. Não é a toa que a imensa maioria dos jornalistas de opinião de grandes jornais, articulistas e literatos, estão sendo demitidos. O cara é obrigado a reaprender a escrever o que pensa de maneira tão suave que fica chato e o povo parou de respeitar o que lê e não concorda, justamente por conta de pessoas irresponsáveis que dedicam o paupérrimo espaço midiático que possuem para fabricar vilões e com isso, quem sabe, faturar uns cobres com anúncio e publicidade, porque no fundo, no fundo, tudo é uma questão de jabá. E o homem de mídia que deixa de falar o que pensa com medo de ofender a essa ou aquela tribo deveria trocar de profissão. E parar com frescura, porque opinião não ofende. Lamenta-se ou concorda-se. E assim segue a vida.

Medo.
É o medo do politicamente incorreto. Virou pânico, paranóia. Já não importam as leis dos homens ou de Deus, mas as leis de mercado, o que é  \”in\” e o que é \”out\”, deve ou não deve ser feito ou falado conforme a convenção social imposta pela maioria guiada igual boi na manada. É uma espécie de globalização que nos idiotiza. Tem gente olhando para o lado na hora de contar piada de português, para não ofender nenhum lusitano ou descendente dos nossos descobridores. Piadas de bicha, negro, padre, então, foram abolidas de nossos salões. Não estamos percebendo o intenso patrulhamento ideológico que sofremos impávidos, como ovelhas tangidas por um pastor reacionário, que é o mercado. Lembro de um mecenas esportivo americano, dono de um time do milionário basquete da NBA, que no recato de seu lar teceu comentários racistas para a namorada. A moça gravou tudo e distribuiu aquela conversa reservada pela internet já no dia seguinte, mal intencionada. O ricaço foi execrado, desprezado por seus próprios atletas, perdeu o time, foi banido do esporte… pelo que falou dentro de casa com a namorada! Racismo a parte, que sempre é repulsivo, o sujeito não pode ser punido pelo que pensa e fala dentro de casa. É num mundo desses que queremos viver? Alguém duvida que vivemos uma ditadura cultural? Observem os posts e opiniões nos sites e blogs, sobre temas fervilhantes da atualidade. A maioria dos comentários é hostil, ofendendo quem pensa diferente, mas ofendendo mesmo, com palavras de baixo calão e comentários pernósticos, racistas, reacionários. Pensar diferente da maioria virou defeito gravíssimo, passível de humilhação pública, exílio, linchamento moral e, em alguns casos, até físico. Isso é uma verdadeira ditadura, amigo, e guiada e fomentada pelos intelectuaizinhos de esquerda que pululam por aí, comandando meios de comunicação, salas de aula, sites de internet e blogs. Tem muita gente do bem nesse meio, mas com medo de abrir a boca e ser massacrado pelo discurso populista e guerrilheiro da maioria contrária que, a despeito da popularização dos meios de comunicação de massa, tornou a internet e as TVs abertas e fechadas uma imensa favela, no sentido pejorativo do termo.

Aí eu paro.
Sempre gostei de futebol, que praticava desde moleque. Adolescente, parei de jogar por conta de um lance isolado em uma partida de futsal na sede urbana do meu querido Cruzeiro Esporte Clube. Estava lá eu com meus dezoito anos jogando de beque parado, que era para atrapalhar pouco o meu time, quando errei uma bola, um passe. Um dos caras do meu time, cabeça branca, barba branca, já avô, velho para os meus olhos de adolescente da época, me xingou todo, de pereba e perna de pau pra cima. Senti ímpeto de esganá-lo, e aí estaria batendo em sujeito mais velho que eu, pai de família, ofendendo dogmas morais que sempre segui. Optei por parar de jogar, ali e para sempre, porque aprendi que há coisas na vida que se regulam pela paixão e pela fúria, e não pela razão. O futebol é uma delas. E é muito perigoso lidar com as paixões humanas, o que o escritor e o juiz que aquele boleiro perna de pau se tornou aprenderam décadas depois.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

Gostou? Então compartilhe.

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on email

Deixe uma resposta