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RENATO ZUPO

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Tempos difíceis

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Nos metemos em uma encruzilhada tão terrível que nenhuma solução para o impasse do governo Dilma resolveria os seríssimos problemas sociais e econômicos que nos jogaram na sarjeta do terceiro mundo. Afastando-se a presidente, temos Michel Temer e um mandato tampão de dois anos, de muitas coalisões e uma ampla negociação de cargos, articulação política e discursos retóricos e politicamente corretos. E é só. Porque é nisso, e só nisso, que o PMDB é bom. Vamos nos lembrar da história do partido de Temer, e dos grandes líderes de seu passado, e conferir o que fizeram. O que fez Tancredo Neves? E Ulisses Guimarães? E Teotônio Vilela? Viram? O PMDB pode ter sido um partido de resistência durante o governo militar, e ninguém lhe pode tirar sua importância histórica, mas nunca foi, e jamais será, um partido de mudanças, de choque de gestão, de pegar o touro à unha. O peemedebista se qualifica por sua paciência, sua dialética e sua habilidade política. Tudo bem que precisamos também disso. Mas é muito pouco, pelo tamanho do buraco em que estamos.

E se Dilma não for de fato impedida, como auguram todos os prognósticos? Neste caso, até 2018 vamos continuar em declínio econômico e social, presos à enorme armadilha em que o governo PT nos meteu, sem nenhuma credibilidade interna ou externa, repletos de escândalos e caminhando inexoravelmente para a penúria completa do estado. Porque foi isso que o petismo nos legou. O que todos os analistas internacionais detectaram e pouco vazou para a imprensa brasileira é a mais pura verdade, é a mais aterrorizante verdade: no afã dos programas sociais se gastou demasiado. Somem-se a isto as despesas, prejuízos e roubalheiras dos esquemas criminosos da Petrobrás e das empreiteiras, e se vai entender porque o governo do Brasil, e seus estados e prefeituras dos municípios, estão todos quebrados. E estão assim porque gastaram além da conta, e tem uma hora que a conta chega, como a fatura do nosso cartão de crédito. Só que ao governo não basta, internamente, pagar somente um valor mínimo e ir rolando a dívida.

A assistência social brasileira, o assistencialismo petista, é dos maiores do mundo. Ajudamos os pobres como muitos países ricos não fazem. Na França comentei que por aqui o governo garante próteses, cirurgias estéticas restauradoras, aparelhos ortodônticos, casas populares, aos trabalhadores com renda mínima. Riram de mim. No primeiro mundo, pobre é pobre mesmo. A eles se dá o essencial, e é só. Meu cunhado alemão comenta comigo que Brasil e Alemanha assinaram um tratado em que o tempo de trabalho em um país vale como período aquisitivo de aposentadoria no outro, e vice versa, devendo o binacional optar pelo país em que pretenda se aposentar. E ele, conhecedor da previdência social dos dois países, optou rapidamente pela aposentadoria no Brasil, com um dos sistemas previdenciários mais magnânimos do mundo, no qual se aposenta novo e com bons proventos, se compararmos com outros países. Na já mencionada Alemanha, por exemplo, antes dos sessenta e sete anos de idade esqueça por completo de tentar se aposentar. Só em caso de doença grave, séria e incapacitante mesmo. Se você está com câncer ou aids, por lá, e consegue trabalhar, nem afastado por invalidez é. Por aqui a história é bem outra.

É bonito o que fazemos pelos pobres? Sim. É cristão darmos tudo aos desvalidos? Claro que é. Nisto, devemos ter orgulho de sermos brasileiros. Mas a pergunta aqui é outra. Conseguimos pagar essa conta? Óbvio que não. Nenhum país rico do mundo conseguiria. Nem os Estados Unidos da América do Norte tem um SUS que tudo paga, ainda que pague valores defasados. E o dinheiro dos programas sociais é dinheiro nosso. Margareth Thatcher já dizia que não existe dinheiro público, existe dinheiro do contribuinte. E estava certíssima. Nós simplesmente não conseguimos dar tudo de bom e do melhor para todo mundo, e é chegada a hora definitiva dessa ficha cair e acabar de vez o populismo, o socialismo cego, o assistencialismo desenfreado e impagável. Sob pena de nos empobrecermos todos, ao invés de diminuirmos abismos sociais. Se há uma lição que se deve aprender com nossa queda livre para o bolivarianismo venezuelano é que só se progride na vida com trabalho, que ao pobre se deve dar é emprego (e não esmola), e que não se conquistam vitórias e progressos sociais com promessas de igualdade, mas na estrita observância da meritocracia. Há ricos e pobres, fracos e fortes, vencedores e perdedores, em todos os países do mundo. No sistema capitalista é impossível a criação de mecanismos que permitam a todos ganhar. Aí, ao contrário, é que todos perdemos.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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