• BLOG ENTRETANTO •

RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

NOSSAS REDES SOCIAIS

serenidade covid 19

Serenidade

ENTRETANTO

O que precisamos nesta reta final de pandemia, dos nossos governantes, gestores, de quem nos comanda, é serenidade. Reta final, sim: é como se estivéssemos fazendo uma viagem de mil km em que já chegamos aos 200 km finais, os mais doloridos, cansativos, chatos. Mas estamos chegando. Portanto, não é o momento de acirrar ânimos e quaisquer medidas atiladas, radicais, neste momento, somente vão prejudicar a ordem pública, criar desobediência civil, gerar crises de governabilidade. A repetição de medidas de distanciamento social, de Lockdown moreno, em algumas cidades, está tirando do sério metade da população – a outra metade quer bater em quem insiste em ignorar as regras da pandemia. Vizinho brigando com vizinho, brasileiros contra brasileiros, isso é tudo muito feio. Demonstra nossa falta de equilíbrio em meio a estes mares bravios. É verdade que população já está farta de ficar em casa e querendo tocar a vida adiante. E é verdade, também, que ainda não é hora disso. Lockdown contém o avanço do vírus? Não. Ele dilui a incidência de mortes, o que pode significar salvar vidas – se a vacinação for mais veloz. Senão, é inútil.

O verdadeiro medo.
O que causa pânico aos governantes, sejam eles prefeitos, governadores, gente da saúde, não são as mortes em si: é que entrem para a história responsabilizados por elas. Os índices da Covid são distorcidos em números absolutos. Na verdade, não morreu 0,1% da população. Idosos praticamente pararam de morrer (porque vacinados). Ainda hoje e a nível mundial a Aids mata mais que a COVID – e muitos ainda dizem que a AIDS “parou de matar”, hein? Ocorre que o que chega para o povão é que o Coronavírus pode ser mortal. Essa simples possibilidade põe muita gente trancada dentro de casa, o que é compreensível. E quem defende o oposto cria polêmicas. Entre a polêmica e as próximas eleições, os políticos ficam facilmente com a segunda opção.

Perda de credibilidade.
Tem muita gente criticando polícia por coibir o ir e vir dos cidadãos. Ora, o policial está ali para cumprir ordens dos gestores do combate à Pandemia. Ele não quer prender. Mas se o ir e vir, se o circular está proibido, está proibido e pronto! Se a ordem está errada, combata-se a ordem em juízo, na justiça. O problema é quando, principalmente em escala federal, o Poder Judiciário perde em credibilidade perante o cidadão, porque excessivamente politizado.

Parênteses supremo.
Por falar em Poder Judiciário politizado, um breve parênteses: Todas as Cortes de Justiça do mundo são politizadas, principalmente nos países republicanos e federados, caso dos Estados Unidos, Brasil, Argentina, dentre outros. Ao longo da história, o que sempre se viu foi que o partido da vez, e principalmente o Presidente da vez, usualmente ditam a composição da respectiva corte superior de justiça, seja a Suprema Corte Americana, seja o nosso STF. Ou seja, nossos tribunais constitucionais sempre foram diretamente influenciados pela tendência política e ideológica de momento, pelo governo que esteja ditando as regras do regime federativo. Portanto, quando o Poder Judiciário em seu mais alto grau não atende às expectativas da nação, quando não desperta mais confiança do jurisdicionado, quando é considerado “ruim”, é porque os governos que o engendraram, que formaram suas composições, que deliberaram suas competências, também deixaram a desejar – isto ao longo da história.

Entre Pilatos e Salomão.
Quanto a este STF, já disse aqui que vi o problema nascer nos bancos de faculdade. É ali que se incentivou a tendência do ativismo judicial, do julgamento político, do Juiz Pilatos e do Juiz Salomão – você já ouviu falar deles? Ambos foram personagens bíblicos, ambos (também) juízes. Pilatos foi o que, para aplacar a opinião pública, lavou as mãos para a crucificação de Cristo. Salomão, diante de duas mães que lutavam entre si pelo mesmo filho, blefou que dividissem ao meio o menino – jeito fácil e preguiçoso de decidir, evitando análise de provas, evitando problemas. Quem acompanha aos portais de notícias sabe de exemplos recentes de politização a este nível, e das consequências políticas nefastas que condutas deterioradas desta magnitude vêm causando à nação.

Recomendo.
Tem um livrinho delicioso, raro, difícil de conseguir: “O Supremo Tribunal Federal, este Desconhecido”, do então ministro do STF Aliomar Baleeiro. Recomendo demais! Ali se dissecam as cortes superiores de justiça ao longo dos séculos e em todos os povos democráticos do planeta.
Serrana e macacos de San Diego.
Nos EUA estão vacinando macacos! Isso mesmo, lá´ no zoológico de San Diego, Califórnia. Como todo mundo que quis se vacinar se vacinou, sobrou pros macacos – deve ter sido porque se descobriu que os símios que contraem a Covid também a transmitem a humanos. A vacinação em massa e eficiente permite esses luxos, como no caso da cidade de Serrana, no interior de São Paulo, que em projeto piloto vacinou a imensa maioria de sua população, vencendo a pandemia. Não foi Lockdown e nem distanciamento social: em ambos os casos, o que resolveu foi a vacina.

O dito pelo não dito.
“Filho, o povo tem o direito de experimentar e até de errar sem interferência do Judiciário. Se eles quiserem ir para o inferno, meu dever é ajuda-los.” (Oliver Wendell Holmes, jurista norte americano, membro da Suprema Corte dos EUA de 1915 a 1935).

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

Gostou? Então compartilhe.

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on email

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe essa página.

Share on whatsapp
Share on email
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on telegram
Copyright © RENATO ZUPO 2014 / 2021 - Todos os direitos reservados.

Desenvolvido pela: