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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Rodrigo Maia

ENTRETANTO

O Presidente da Câmara dos Deputados prepara-se para substituir Michel Temer na presidência da república durante o longo período de nosso mandatário máximo em viagem à China. Tem muita gente preocupada com isso, como se Rodrigo Maia estivesse ávido pelo cargo de Temer, ou buscasse alguma espécie de vendeta, de vingança, pelo fato de ter sido na prática obstado de assumir o cargo quando o parlamento repeliu a possibilidade de se processar o presidente e, assim, afastá-lo. Aí assumiria Maia que, agora, ávido por revanche, iria à forra. Grande besteira. Não que se deva defender o parlamentar – filho de César Maia e oriundo de uma escola política horrorosa que acabou com o Rio de Janeira desde Leonel Brizola (inclusive). Aliás, o último governador bom que o Rio teve foi Carlos Lacerda, de quem poucos se lembram e que seria o presidente da República se não houvesse eclodido o golpe militar de 1964. E acredito que Maia não está nem aí para essa chance inoportuna, esse presente de grego, porque ninguém mais quer saber dessa república de bananas, desse campo minado, dessa casa da mãe joana que é o Brasil. Nem terrorista do Estado Islâmico quer vir para cá. Não precisa. Não é que se esteja difícil escolher o próximo presidente da república. É que está difícil arrumar quem queira.

Entrelinhas.
Quando disse aí acima “vendeta”, logo uni o termo ao seu sinônimo mais simples, “vingança”, não por redundância. É porque essa coluna é popular e destinada a todos, e poucos no país infelizmente sabem o que quer dizer vendeta, ou vendita. É uma preocupação para nós que escrevermos sermos compreendidos porque, de repente, tudo ficou complicadíssimo de ser entendido por um público que lê cada vez menos. Até nos altos escalões do poder o conhecimento gramatical, o conhecimento da literatura e do vernáculo ficaram em segundo ou terceiro plano. Aluno de faculdade quer saber como ganhar dinheiro e que se dane o conhecimento conquistado, numa frivolidade que decorre do péssimo nível de nossa educação. Não se trata mais de educar os nossos jovens, mas de tentar (re)educar os pais de nossos jovens, alguns também néscios (se você não sabe o que é um néscio, me perdoe e vá à Wikipedia). Até juízes sofrem desse mal. Um amigo meu proferiu sentença repleta de aspas literárias em que discorria sobre a figura feminina historicamente considerada. Como não colocou aspas reais no texto, para vários que o leram, inclusive magistrados e jornalistas, ficou parecendo um texto machista. Tudo por inépcia do público alvo. Conversando com um desembargador amigo, obtive o seguinte conselho: em suas sentenças seja claríssimo, ou não será entendido por alguns colegas.

Morte de policiais.
Estranhamente, as emissoras de televisão aberta estão noticiando as mortes de policiais com algum estranho pudor. Não narram como morreram. Não narram as ações covardes e, muitas vezes, frias, que levaram `a sua execução sumária simplesmente pelo fato de serem policiais. Por qual motivo, não se sabe. Quando ocorre o oposto, e são policiais que matam, a imprensa colore com cores de tragédia a ação supostamente criminosa. Descreve com detalhes fornecidos somente pela versão acusatória a tudo que ocorreu. Desnudam a ação policial conforme a tendência de opinião da maioria, jogam a honra das corporações de policiais na sarjeta. Só queria saber porque não defendem estes mesmos policiais, quando são vítimas da criminalidade. Porque não esmiúçam também o infortúnio dos nossos anjos da guarda fardados e por qual motivo fomentam o ódio e o desprezo às autoridades.

Torrão.
Lendo entrevista antiga de Gabriel García Marquez, observei que se refere sem frescuras à sua Colômbia natal, fala sem querer agradar que viajou tanto e ficou tanto tempo fora que perdeu os contatos e conexões com seu país e conterrâneos e se transformou em um cidadão do mundo que nem saudades tem do torrão perdido. Foi assim também comigo e minha Belo Horizonte de nascimento e crescimento. Perdi-a para sempre e jamais haverei de reencontrá-la em minhas saudades. Triste fim.

O dio pelo não dito.
“Ladrões exigem a bolsa ou a vida. Mulheres exigem ambos.” (Samuel Butler, ensaísta norte americano).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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