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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Rio de Janeiro

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Já cansei de repetir aquilo que um conhecido filósofo contemporâneo vaticinou: as metrópoles brasileiras passam por fenômeno interessante, em que conhecem o declínio sem antes ter vivenciado seu apogeu. É como uma queda do chão para o subsolo. Nunca fomos grandes, as nossas cidades nunca foram boas e – ainda assim – agora estão piores ainda. Mesmo Bogotá, Medellin, La Paz, Cidade do México, cidades com histórico de conflitos urbanos, guerra civil declarada ou não, crime organizado, mesmo estas conseguiram se urbanizar e gerar mais qualidade de vida e segurança para seus habitantes. As metrópoles brasileiras pioram sem nunca antes ter melhorado, retrato fiel da política brasileira e do caos institucional em que nos encontramos imersos, dentre elas o Rio de Janeiro se perde entre a corrupção e o narcotráfico e vira o inferno na terra.

Fenômeno para o bem e o mal.
Das grandes cidades brasileiras, o Rio de Janeiro é, de longe, a pior e a melhor. Explico. É um lindo cartão postal visitado por milhares de turistas do mundo todo praticamente durante as quatro estações do ano. Não há invernada no Rio e lá não somente as praias funcionam como atrativo para visitantes e turistas. O Rio de Janeiro é um parque de diversões adulto aprazível a todos os gostos, mesmo para quem gosta de chuva. Teatro, compras, montanhas, prostituição, shows, bibliotecas e museus. Escolha tranqüilo, os cariocas têm de tudo um pouquinho. Rivalizava até bem pouco tempo com Paris e Nova York a preferência dos visitantes, isso em números absolutos. De uma década pra cá entrou em declínio movido pelo congestionamento maciço do trânsito, pela falta de mobilidade urbana e pelos números de sua violência atroz que mata mais gente que a guerra da Síria, hoje.

Um pouco de História.
Só entenderemos o Rio – cidade em declínio e sem apogeu – se nos alongarmos um pouco em sua breve história. Graças à chegada de Dom João VI e da coroa portuguesa às praias fluminenses é que mantivemos coeso o império, livre de diásporas e separatismos e com idioma único até hoje. Só que Portugal também nos trouxe uma corrupção endêmica que no início vendia títulos nobiliárquicos e patentes militares e, depois, passou a articular fracionamento de sesmarias, doação de terras e cartórios, tráfico negreiro e uma política do toma lá dá cá que dura até hoje. O Rio foi capital da República e assistiu à derrocada e suicídio de Getúlio Vargas, ao Golpe Militar que ali se engendrou, e a sucessiva eleição de governantes polêmicos, questionáveis e de moral duvidosa. Vejam só o time: Leonel Brizola, César Maia, Garotinho, Pezão, Marcelo Alencar e Sérgio Cabral! Acho que o último grande estadista brasileiro a governar aquele estado foi Carlos Lacerda, isso quando ainda existia a Guanabara. Com um histórico político que remonta à ruína imperial, o que esperar daquela cidade imersa no caos e na violência?

Corrupção escancarada.
O carioca é escancarado, inclusive para exercer sua autocrítica e reconhecer seus erros. A delação de Marcelo Odebrecht se refere, dentre outros escândalos, ao superfaturamento de obras na (re)construção do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014. Aquele monumento do esporte ali está, valendo bem menos do que os bilhões que foram lavados descaradamente na sua reforma, que o tornou o estádio mais caro do mundo às custas do nosso suado dinheirinho e dos ladrões que ditam os rumos do erário e das contas públicas. Diante daquele gigantesco exemplo de corrupção, como podemos pedir do cidadão carioca que orbita as sombras daquele exemplo nocivo de roubalheira, que contribua eticamente para a melhoria da qualidade de vida e da segurança do antigo e mais famoso cartão postal brasileiro? Imersos em ruína, só nos resta nos protegermos de balas perdidas.

 

O dito pelo não dito.
“O uísque é o melhor amigo do homem: é um cachorro engarrafado.” (Vinícius de Moraes, poeta e carioca).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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