• BLOG ENTRETANTO •

Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

NOSSAS REDES SOCIAIS

religioes 2 768x433 1

Religiões

ENTRETANTO
Fenômeno explicável é que nos concentremos somente nos últimos dois milênios ao examinarmos nossa história. Antes, a linguagem era oral, poucos escreviam em runas ou hieróglifos e sobrou para a arqueologia perscrutar nossos ancestrais, principalmente diante do fenômeno religioso. No entanto, ainda assim algumas curiosidades decifradas põe a descoberto a nós cristãos e nossa fé monoteísta. O catolicismo é uma religião jovem que somente se difundiu na idade média, com as cruzadas e a poder de sangue. Desdobrou-se no protestantismo, que foi perseguido pelos Papas e só encontrou de início abrigo seguro no mundo anglicano. Talvez por isso, protestantes (e evangélicos) em larga escala hoje se esforcem tanto por se afastar de dogmas católicos. Bobagem. O que sempre os diferiu foi a ideia de um Deus em busca de constrição e expiação pela redenção e sofrimento (católicos) x um Deus da glória que perdoa incondicionalmente e sem necessidade de retribuições ou perdas (protestantes). Também serviu à diáspora cristã as vulgares preocupações patrimoniais do Vaticano em contraposição aos sacrifícios que impunha aos fieis, aos cânones duros seguidos por sacerdotes entrincheirados em rincões esquecidos do mundo ocidental, o estupro cultural com que a cristandade católica imolava aos “bárbaros” – povos que até então desconheciam a fé em Jesus. E não tinham qualquer culpa nisso.
Politeísmo.

E antes, como era? Os antropólogos explicam que as religiões eram politeístas. Acreditava-se em vários deuses, muito embora houvesse aqueles mais poderosos que adornavam o panteão sagrado dos fiéis em posições mais elevadas que os demais. Zeus, para os gregos, ou o romano Júpiter ou o egípcio Osíris comandavam hordas celestiais de deuses menores, cada qual responsável por algum benefício para o homem. Orava-se para o deus da chuva, do sol, da fertilidade, da colheita, etc… O mundo era tão politeísta que os católicos (sempre nós) criaram as figuras dos “santos”, padroeiros e dedicados a esta ou outra causa, como maneira de adaptar a mentalidade dos fieis recém-saídos do politeísmo moribundo a uma pluralidade de divindades que lhes pudesse ser alvo de oração na então “nova” fé católica. Assim também foi feito com inúmeros ritos e feriados religiosos, provenientes de religiões antigas e que foram adequados ao calendário católico romano. Mas com a conversão mundial para a religião de um Deus único, dois fenômenos interessantes se criaram. Só o cristianismo lançou ao mundo um planejamento missionário, de levar a fé católica para outros povos e culturas, vez ou outra à força de exército. Antes, os povos com deidades plurais pouco se importavam com os deuses do vizinho e jamais impunham sua religião, mesmo aos vencidos – bastava o respeito dos inimigos escravizados ou colonizados. Outro fenômeno interessante surgido no mundo cristão: o dualismo. As religiões antigas não previam um mau vindo do sobrenatural, em forças malignas também superiores. Viam no mau uma ausência do bem. E pronto. As religiões cristãs criaram a divindade negativa, a crença na existência das forças do demônio, o inferno, como um poder paralelo – inferior, é fato, mas existente. Coisa que os homens da antiguidade jamais intuíram.

Mais longe ainda.
A religião foi a principal causa da sobrevivência do homem no planeta terra e criou o interessante fenômeno da revolução cognitiva. Foi o que nos uniu, homo sapiens, e nos ensinou que reunidos seríamos mais fortes. Deixamos de ser caçadores e coletores para nos dedicar a agricultura e criar laços geográficos, culturais e de afeto com grupos familiares e vizinhos cada vez mais densos e que evoluíram paulatinamente para as sociedades atuais. Precisávamos de uma mitomania, de uma crença comum, para nos dar uma ideia de grupo, e isso surgiu com o culto às divindades. No início, cultuavam-se os antepassados mortos, depois árvores e animais. Em seguida, o homem fez o óbvio: olhou para os céus, para o fogo, para as forças da natureza, e com isso conjurou seus protetores mais poderosos. Sem um sentimento e um ideal semelhantes, jamais teríamos sobrevivido a intempéries e cataclismos ou a conflitos e lutas perenes pela sobrevivência. Por isso ponho muito em dúvida a questão religiosa, quando a vejo como causa de conflitos. É um contrassenso, um absurdo ilógico, quando se olha para a história e se observa que todos os caminhos da fé sempre procuraram levar à paz e a prosperidade entre os povos, mesmo que através de vias por vezes truncadas, equivocadas e violentas.

Perguntar não ofende.
Com as redes sociais e o mundo digital, você ainda assiste horário eleitoral gratuito?

O dito pelo não dito.
“Infelizmente, às vezes os heróis também matam” (das eleições 2018 para a história do Brasil).
Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

Gostou? Então compartilhe.

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on email

Deixe uma resposta