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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

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QUEM SÃO OS REACIONÁRIOS

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Todos se lembram do jornalista americano Larry Rothen, correspondente do New York Times no Brasil, radicado aqui por mais de uma década e que, no começo do governo Lula, afirmou em um artigo divulgado na imprensa americana que nosso presidente da época era um alcoólatra. Corria então o começo dos anos 2000 e o início do principado do PT, Lula se enfureceu e chegou a cassar a licença de trabalho do estrangeiro Rothen, tentou deportá-lo, cancelar seu passaporte. A retaliação somente não foi adiante porque o jornalista – amparado pela imprensa brasileira e mundial – tomou a iniciativa de uma retratação urdida pelo então Ministro da Justiça, o grande advogado Márcio Thomaz Bastos.

Isso me lembra Gleen Greenwald, ou “GG”, como o chamam o marido e o outro membro do time da esquerda festiva, o ex-deputado Jean Willis. GG está fazendo uma farra monstruosa com divulgações a conta gotas de conteúdos criminosos de interceptações clandestinas envolvendo mensagens trocadas entre protagonistas da Operação Lava Jato. Incomoda a república e perturba o governo Bolsonaro e seu mais proeminente ministro, Sérgio Moro. Nem por isso se tramou (até aqui) processá-lo, deportá-lo , cassar seu direito de trabalhar no Brasil ou tirar do ar o site “Intercept”.

A coincidência entre as duas situações, ironicamente protagonizadas por jornalistas americanos, nos põe a pensar que, na verdade, precisamos saber identificar quem são os verdadeiros reacionários antidemocráticos. A confusão certamente ocorre porque nossas novas gerações tem como referência mais próxima e forte de regime de exceção o governo militar a partir de 1964 e por vinte anos. Ou seja, em nossa história recente só conhecemos ditaduras de direita, o que não quer dizer que não existam anti-democracias ou ditaduras totalitárias de esquerda, ou que políticos reacionários não possam ser socialistas.

Ao contrário, na história do mundo e ao redor do globo o mais comum sempre foram os ditadores e tiranos de esquerda. Combinar em nosso imaginário coletivo a ideia de socialismo acoplada ao conceito de democracia é uma ilusão. Raramente – repito- os regimes socialistas mundiais foram democráticos. Basta que nos lembremos da extinta União Soviética ou da ainda existente, mas claudicante, Cuba – havia (ou há) democracia ali? Stálin, general russo bolchevique, matou milhões e mandou outros tantos pros “Gulags”, campos de concentração siberianos para dissidentes políticos, gente que não pensava como ele, em suma.  Há democracia nisso? De novo, a resposta negativa é inexorável. Andemos adiante, em busca de exemplos mais recentes. Vamos falar de Venezuela e da Coréia do Norte, cujos regimes políticos nada possuem de igualitários ou livres – e novamente vemos que seus líderes e credos políticos são nitidamente de viés socialista.

Por falar em Coreias, para se pensar na diferença entre o socialismo e o capitalismo, entre o regime do livre mercado e da busca do sucesso versus economia estratificada e burocratização do poder na mão de barnabés sindicalistas, basta que olhemos a diferença entre as duas Coreias. A do sul, capitalista, triunfa depois de décadas de desenvolvimento embasadas em parcerias comerciais e políticas rentáveis com gigantes ocidentais. Tornou-se um país desenvolvido e lá há eleições livres. Já a Coreia do Norte, comunista, permanece perdida no Século XX, sem recursos e liberdade, inóspita, destituída de imprensa livre, suportando tiranos. De volta à Venezuela, Nicolás Maduro come carnes nobres em restaurantes caríssimos e uma elite de ricaços venezuelanos passa férias em Miami, enquanto a maioria da população daquele belo país caribenho vende os cabelos (ou outra parte do corpo ) para aplacar a fome e as famílias de classe média não tem água ou luz em suas casas. Para os pobres socialistas bolivarianos da Venezuela não há distribuição de gêneros alimentícios e nem empregos. A situação deles é tão desesperadora que, em busca do olimpo da prosperidade, migram para… Roraima!

É fácil verificar que o socialismo é poderoso em sua retórica vazia e sustenta sociedades igualitárias utópicas que só existem no papel ao vender a ilusão do apoio popular. Nenhum regime socialista do mundo suporta crises ostensivas de absoluta falta de competitividade de suas economias desbaratadas pela corrupção e pelo credo ideológico obsoleto. A perda da liberdade política de povos massacrados por governos ditatoriais de esquerda é um preço muito caro a pagar e não resulta em qualquer avanço democrático perene. Outra farsa é acreditar que a esquerda socialista prega a liberdade. Lula tentou disfarçar seu ímpeto centralizador escondido em um credo libertário trabalhista, mas foi ele, e somente ele, quem, após o regime militar, tentou controlar a imprensa brasileira criando um conselho supervisor de conteúdos jornalísticos. É indubitável que há setores da esquerda que só defendem a democracia que concorda com seus ideais retrógrados, e que abominam a liberdade decorrente da divergência de opiniões ou da transparência da imprensa independente. Do socialismo só recebemos o atraso, o subdesenvolvimento e o retorno do sarampo.

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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