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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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preconceito

Preconceito

ENTRETANTO

A beleza da democracia é admitir e respeitar opiniões contrárias, mas com algum nível intelectual na hora de expor ideias. Neste mesmo espaço, semana passada, falei que considero cafona, brega, piegas, o mundo da música sertaneja universitária e tudo que o cerca. Por conta disso, alguns me consideraram preconceituoso, dentre eles um jornalista obscuro de um site semi-desconhecido. Não é preconceito, gente. É conceito. Preconceito é quando você não sabe, mas já não gosta e fala mal. Eu, ao contrário, sei do que estou falando, porque fui músico em um passado remoto: esse estilão musical é um lamento monocórdio de músicas plagiadas escandalosamente, e quem gosta disso merece minhas condolências intelectuais. Também se disse que caluniei, injuriei e difamei… porque falei mal de um estilo musicalHaja paciência para tanta asneira. Será que tem alguém que acredita em uma besteira dessas? O acusador é o mesmo que falou outro dia em \”rasgar a constituição\” por minha causa. Agora, rasgou também o Código Penal. Crimes contra a honra, tais como calúnia, injúria e difamação, somente existem se decorrentes de comentários mentirosos e ofensivos lançados contra pessoas em específico, não contra multidões sem nome e rosto ou contra estilos musicais. Não posso, portanto, difamar o samba, ou injuriar o tango, ou caluniar o sertanejo, o que  é óbvio e todo mundo sabe – ou deveria – saber.

Ataques pessoais.
Mas não é por causa da liberdade de imprensa, ou da democracia, que se vai esquecer a boa e velha educação doméstica e que nos ensina a respeitar os outros, a evitar ataques pessoais desnecessários por meio das nossas palavras escritas e faladas. Apesar de considerar salutar o debate, não uso essa coluna para bater boca com uns e outros – alguns pobrezinhos que só conhecem o mundo pela tela de TV (e não tem culpa disso). Também não vou ofender a honra das pessoas, até em respeito aos meus leitores, e não rebato críticas pessoais, até para não ufanar e nem lançar holofotes sobre inimigos que não conheço e não merecem sequer quinze segundos de fama. Acho engraçada essa gente que desanca  e ofende pela internet e quando nos encontra ao vivo e a cores se enrubesce, treme e vira a cara, com medo. Um pouco mais de masculinidade e testosterona, é o que falta na vida e no jornalismo! É o cara ter o culhão de escrever e falar e postar: \”não gosto disso e daquilo, porque acho uma porcaria!\” É isso. Esculhambar com coragem, mas com embasamento e sem ofensa pessoal, senão vira arquibancada de torcida organizadaAtaque pessoal, gente, se faz cara a cara. É assim que homem resolve as coisas. Neste espaço, que já existe desde o ano 2000, limito-me a opiniões pessoais sobre assuntos genéricos. Sem papas na língua, é certo, falando uma ou outra besteira de vez em quando, também é fato (e ninguém é de ferro), mas sem ofender diretamente a pessoa \”a\” ou \”b\”, porque sou publicado em veículos de comunicação e não de fofoca e maledicência. Esse é o destemor que deve guiar o homem público, o formador de opinião – falar o que pensa sem medo. Ao contrário, a ofensa vazia, que muito mal blogueiro pratica, não é prova de coragem, mas de uma covardia lamentável, porque busca esconder a falta de ideias e de cultura por detrás de uma virulência verbal comum de se ver apenas entre pessoas de má índole.

Não entendi.
Diferentemente da sabedoria humana, a burrice não conhece limites. Teve quem considerou um absurdo – atenção – que um juiz seja preconceituoso ao considerar cafona música sertaneja universitária.  Quer dizer, cara pálida, que se fosse um médico, tudo bem. Um engenheiro também. Um pedreiro, ok, pode perfeitamente dizer que não gosta. Juiz não. Por quê? Não entendi. Não estamos todos vivendo uma era de iguais, democrática, \”juiz não é Deus\”, etc, etc…? Então porque o pobrezinho do juiz não pode, também, dizer que não gosta dessa ou daquela música, desse ou daquele sujeito, por esse ou aquele motivoNão entendi. Acredito que nem o impetuoso blogueiro que lançou o argumento besta entendeu. Paciência. Até ele tem direito à livre manifestação de pensamento.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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