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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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PGR

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O Procurador Geral da República, o já disseminado “PGR”, é Rodrigo Janot. Ele começou muito bem, mas está perdendo a mão no olho do furacão que é a operação Lavajato. Não deveria entrar na luta midiática. Não é a praia dele. Deve fazer como seu antecessor, aquele que parecia o Jô Soares. Esqueci-lhe o nome. Trabalhar arduamente, falar o indispensável e agir dentro dos autos. Nada de se manifestar ridiculamente como o Deltan Dallagnol, um dos procuradores do caso, que discursa sobre o processo de seu púlpito evangélico e atiça a ira popular contando detalhes do processo nas redes sociais. Operadores do Direito devem ser gente adulta, e não meninos brincando de celebridade.

Nomes.
Temos o péssimo hábito de traduzir nomes próprios, vício que herdamos dos portugueses. Londres só existe pra nós, o nome da capital do Reino Unido é London. Camarões só existem no prato ou nos mares e rios. O país africano chama-se Cameroon. A esse vício de linguagem se dá um nome complicado: exônimo. O Japão, na verdade, se chama Jipon, cuja pronúncia é Nippon – “sol nascente” em nosso idioma. A China, por exemplo, adquiriu este nome em português porque era chamada de Sina ou Sinae pelos romanos e por causa da produção e extração de seda naquele imenso país. No entanto, os chineses chamam a China de Zhonghua, ou o “império do centro”. Ainda no mundo oriental, o nome Coréia vem da dinastia Koryo, que governou o país por trezentos anos, e por isso assim a nominamos. Mas os coreanos do sul e do norte não se referem ao seu país dessa maneira. É que as antigas dinastias foram substituídas por outras, e assim a família Joseon assumiu há séculos o poder na Coréia do Sul, e por isso seus habitantes a chamam de Choson, enquanto os coreanos do norte se autodenominam Hanguk (República Han), por causa da dinastia do mesmo nome, a última a governar por lá durante o extinto período monárquico.

A República.
Não poderíamos mesmo dar certo quando nos tornamos tardiamente república, depois de mais de sessenta anos sendo a única monarquia americana dos imperadores Pedro I e II. Esperamos desnecessariamente pela emancipação total do passado medieval e escravocrata que herdamos da carola e atrasada coroa portuguesa. Mesmo o advento da república foi uma baderna política e histórica. Só surgiu porque Pedro II irritou os militares (de novo eles). O marechal alagoano Deodoro da Fonseca, nosso primeiro presidente, não queria tomar o poder e nem proclamar a república. Era preguiçoso e estava doente e precisou ser convencido arduamente pelos republicanos Benjamim Constant e Rui Barbosa. Mesmo depois de modificado o regime, muitos países e grupos militares negavam-se a reconhecer a legitimidade da nova república e a queda da monarquia. Atrelado a isto, o atraso nas comunicações e transportes em um país continental tornaram lenta a proliferação da notícia em solo brasileiro, tanto e a tal ponto que o próprio irmão de Deodoro e também militar, Hermes da Fonseca, pegou em armas para defender o imperador exilado e a monarquia, e de sua peripécia só desistiu quando descobriu bem mais tarde que o novo presidente era seu irmão. Aí virou republicano. E a reforma agrária, que não a fizemos até hoje?

Joesley.
Li a entrevista bomba de Joesley Batista para a revista Época. Revi alguns conceitos: a corrupção é realmente a base do estado político brasileiro, e dela só nos livraremos de vez para as próximas gerações se tivermos sucesso em estancar a impunidade, agilizar a justiça brasileira, acabar com o estado burocrático e paquidérmico que fomenta o jeitinho, o beija-mão, a peixada, a propina. O funcionamento das instituições tem que fluir desembaraçada de exigências atávicas e procedimentos desnecessários e atrasados. Você sabia, por exemplo, que para duplicar uma rodovia é necessário um laudo governamental garantindo que a área limítrofe a ser pavimentada não é um sítio arqueológico repleto de fósseis ou pinturas rupestres? Para o laudo sair demoram meses, é claro, quando sai. Enquanto isso não acontece, morre gente nas estradas sem duplicação. A ferrovia norte-sul, último dos projetos do governo Lula, empacou dentre outros motivos por causa disso. E como precisamos de ferrovias!

Deixa ver se eu entendi.
Por falar em rodovias: o governo que recebe nosso IPVA não consegue manter dignamente as estradas de rodagem por lhe faltar dinheiro. Então, privatiza sua exploração para que a concessionária vencedora possa manter, recuperar, duplicar o trecho concedido, com capital próprio adquirido através do pedágio. Mesmo com ele, a empresa concessionária vai precisar de empréstimo de dinheiro público do BNDES para manter os serviços a que se comprometeu quando contratou com o governo. Ou seja, o governo que não tinha dinheiro para a manutenção e melhorias da estrada, a privatizou, e agora fornece o dinheiro que não tem à empresa privada que deveria sozinha dar conta do recado, conforme se comprometeu com o Estado. É isso mesmo? Ou entendi errado?

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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