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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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O Lulopetismo

ENTRETANTO

A discussão sobre a derrocada do Partido dos Trabalhadores passa, antes, por uma leitura crítica sobre sua formação e existência. A imagem do PT é indissociável à de seu líder e criador, Luís Inácio Lula da Silva, a tal ponto que atirar em um é atingir o outro. O PT nasceu de movimentos sindicais dos operários de linhas de montagem do ABC paulista que buscavam melhorias salariais e empregatícias para sua classe trabalhadora. Não tinha, então, qualquer viés ideológico fundamentalista ou político e seus integrantes (Lula à frente) realizaram uma pragmática política de resultados. Com o tempo, seu espectro partidário alastrou-se para sindicalistas de outros setores, como o bancário, juristas e intelectuais de esquerda, dominando as faculdades e o pensamento político dito \”de vanguarda\” de um país então recém saído do regime militar. O PT funcionava como uma alternativa menos radical e mais romântica, mais pragmática e menos ideológica, àquelas outras oferecidas pelas velhas bandeiras partidárias do comunismo, socialismo, etc… Era uma esquerda menos vermelha, digamos assim. Passado o tempo, caiu o muro de Berlim e com ele a ilusão de que o mundo poderia ser socialista e justo e eficiente, tudo ao mesmo tempo. O socialismo redundou em atraso científico, fome, ditadura, e Cuba e Coréia do Norte aí estão, ainda hoje, para demonstrar no que resulta a teimosia radical de esquerda. A China só ingressou bem no terceiro milênio quando aderiu ao capitalismo e hoje é \”apenas\” uma ditadura sem eleições. Soube abandonar um projeto que não é moribundo porque já morreu três décadas atrás. O Lulopetismo e alguns setores da esquerda latino americana não entenderam essa lição e não fizeram esse dever de casa.  Abandonaram termos como \”socialismo\” por outros mais politicamente corretos: agora são \”progressistas\”, contra a direita que alcunham de conservadora ou reacionária, ou ambos. E quando estão no poder, sofrem seus povos. Não é coincidência que, dentre os emergentes da América do Sul, só Venezuela e Brasil ostentem hoje crescimento negativo em suas economias. Até a Bolívia está \”bombando\”, mas petistas (Brasil) e bolivarianistas (Venezuela) perseveram com a velha e caduca cantilena de menosprezo ao capital e ao mercado, da distribuição de renda, da diminuição de abismos sociais, etc… Argumentos que somente atraem jovens com espinhas no rosto, intelectuais interessados em vender palestras e burros que, sem suporte estatal ou o abrigo de Ongs de direitos humanos, não teriam qualquer competitividade no mercado de trabalho. Não conseguiriam emprego sequer para puxar carroças.

Pirâmide Social.
Qualquer ideologia ou pensamento político que esqueça ou repudie o capitalismo é fadada à incoerência e está com o prazo de validade vencido. Se esses pensadores  – que na verdade nada tem de modernos, mas de teimosos ao insistir com ideologias caducas – estão no poder, sofrem seus governados, porque o caminho para o insucesso, o empobrecimento da população, o emperramento da máquina estatal, é inexorável. É impossível governar sem o capital e o mercado, e nele, para que uns vençam outros devem perder, para que exista lucro, tem que haver prejuízo em algum setor da escala produtiva. Lembro-me, aqui, daquele velho desenho da pirâmide social, sempre visto em aulas de faculdade, livros de filosofia, falado amiúde por intelectuais e jornalistas. É naquela pirâmide em que nos encontramos todos, os mais abastados, ricos e poderosos no seu topo. A imensa classe média ocupa-lhe o tronco. O povão, a parcela da população com menos acesso à informação, boas escolas, bons empregos, fica na parte debaixo da pirâmide social. Atenção: não é a toa que é uma pirâmide com camadas sociais superpostas, umas sobre as outras. Aqui, além de uma interdependência óbvia entre as classes sociais, há uma predominância econômica dos mais ricos sobre os mais pobres, uns \”em cima\” dos outros. O segredo – aí está a chave do capitalismo seguro e humano, ou menos desumano – é permitir que a parte debaixo possa ascender, trocar de seguimento, subir na vida e na nossa pirâmide social. Ou que, mesmo imobilizada no extrato social mais baixo, ali se mantenha com condições de vida justas e dignas. O político verdadeiramente progressista procura fazer isso com o estado que administra, sem negar infantilmente a divisão socioeconômica do mundo em castas. O ideólogo de esquerda, o intelectual boquirroto que decora índices de livros, o esquerdista que esconde sua ignorância atrás de berros e bandeiras, esse nega a pirâmide social e, com contos da carochinha, quer nos impor uma ilusão de igualdade impossível de se alcançar.

Desumanização.
O ser humano deixa de ser \”humano\” quando para de perceber o \”outro\”, para de respeitar o que se denomina, em filosofia, de \”alteridade\”. Quando o discurso político se desumaniza, há perigo na esquina e nos embrenhamos em revoluções e violência. Aconteceu com Chico Buarque, acuado por três idiotas na saída de um restaurante no Rio de Janeiro. Aconteceu, agora, com a mãe do Juiz Sérgio Moro, no interior do Paraná. Ela foi à Câmara dos Vereadores de Maringá receber título de cidadania honorária  e lá, lamentavelmente, estupidamente, ouviu vaias e insultos pelo simples fato de ser mãe de um magistrado engajado na apuração de crimes políticos e econômicos. A pobre senhora nada tem com discussões partidárias, mas padeceu de forma injusta e desumana pela ação de ignorantes politicamente engajados.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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