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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Novelas brasileiras

ENTRETANTO

Como diz meu amigo de infância Fabrício, vulgo \”Fedô\”, quem tem TV paga com mais de cem canais tem a obrigação moral de não assistir novelas. Eu confesso que de vez em quando traio a esse princípio e me deixo ficar na frente do televisor assistindo a pelo menos uns quinze a vinte minutos daquela baboseira, geralmente enquanto aguardo o jornal ou enquanto espero a janta ficar pronta. Não vou dizer que me decepciono com o que assisto, porque a pessoa se decepciona ou se desilude quando espera alguma coisa bacana que não acontece. Eu, ao contrário, como já sei que vou acabar assistindo um trecho de uma bela de uma porcaria, não me assombro quando essa expectativa pessimista se concretiza. E as novelas estão ficando cada vez piores, porque não só poluem os costumes com exemplos péssimos para os nossos jovens, como também copiam descaradamente boas ideias de filmes, livros e peças de teatro, que no entanto não conseguem explorar com inteligência. Acaba virando um pastiche, um folhetim barato e de péssimo gosto. O que de fato me assusta é que tem muito intelectual, gente formada em curso superior, letrado, culto, que gosta dessa teledramaturgia de quinta categoria. Antigamente valia a pena para ver gente bonita, um bom texto de Dias Gomes, ou uma adaptação bacana de Jorge Amado. Hoje nem isso. Pior que novela, só reality show.

TV pelo mundo.
Não que a TV brasileira seja ruim. Pelo amor de Deus, não estou dizendo isso. É das melhores do mundo, com excelentes profissionais, documentários, humor geralmente inteligente, programas de auditório comedidos e interessantes, telejornais ágeis. Quem acha que não, faça como eu e dê uma olhada na programação dos canais de TV ao redor do mundo. Não precisa nem viajar, a internet te fornece um cardápio dos mais variados de todo tipo de atração e show exibidos nos quatro cantos do Globo.  Se soubessem como é ruim a TV italiana, acenderiam velas para a Globo. Imaginem o Domingão do Faustão acompanhado de canais de compras e filmes ultraviolentos e de péssimo gosto, isso os sete dias da semana, em todas as semanas do ano! A TV portuguesa é uma sucursal da nossa, com telejornais locais, então não conta. Ah, e os programas de humor lusitanos não são engraçados, são ridículos, o que é muito diferente. Os humorísticos franceses também são de chorar de constrangimento, e seus seriados policiais são mais chatos do que morar no Azerbaijão. Só a TV americana nos supera em programação e qualidade técnica, mas por um motivo detectado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em sua autobiografia: a TV norte-americana é descendente direta do cinema, enquanto a nossa é proveniente do teatro e do rádio. Somos bons nisso, mas diferentes, apesar das novelas e dos reality shows.

Sílvio Santos vem aí.
Voltava da Itália com minha esposa, recentemente. Estávamos na fila enorme do controle de passaportes do aeroporto de Guarulhos quando três policiais federais surgiram do nada e disseram que ali também era proibido manter ligado e usar aparelhos celulares, pedindo-nos a gentileza de desligarmos nossos telefones, o que todo mundo da fila de quase duzentos passageiros cansados acatou prontamente. Segundos depois chega discretamente por uma portinhola lateral Senor Abravanel, o Sílvio Santos, e sua esposa Íris, furam a fila com a beatitude dos servidores aduaneiros e carimbam o passaporte, indo embora rapidamente, Sílvio com aquele seu sorriso famoso e que não deve desfazer nem para dormir. Descobrimos, então, que a regra dos telefones desligados fora inventada para o momento, para que ninguém batesse fotos da celebridade mal dormida recém chegada de Orlando/EUA, onde reside, e com os cabelos desgrenhados (sim, ele tem cabelos de verdade). Apesar das opiniões em contrário dos inteligentinhos de esquerda, acho normal e explicável que celebridades permaneçam em áreas vip e tenham preferência de embarque e desembarque de aeroportos, porque do contrário tumultuariam áreas públicas. Mas achei um absurdo sermos – não obrigados – mas enganados a desligarmos celulares, sem qualquer regra ou lei que o impusesse. Comentei o caso com meu bom amigo, o brilhante médico Dr. House de Araxá, que filosofou, como sempre de maneira mordaz:\”Renato, a democracia no Brasil é frágil demais! O celular é seu e você faz com ele o que bem entender, ainda mais em local público e fotografando gente pública fazendo coisas em público! A gente briga por tanta coisa besta, mas deixa que nos roubem nossa cidadania e ficamos quietos.\” E vai brigar com polícia de aeroporto, meu amigo! Eles te retém passaporte, atrasam seu embarque, vasculham sua bagagem, estragam suas férias. E impunemente.

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

 

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