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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Massa de Manobra

ENTRETANTO

A revista feminina Marie Claire deste mês vem com uma matéria impressionante: Dilma Roussef  no exílio. Tranqüila, a mulher que arrebentou nossa economia afirma que como o impeachment está tendo mais tempo para dedicar aos netos e, inclusive, dá dicas de beleza e recomenda o cabeleireiro de Brasília que rejuvenesceu seu penteado! Nossa dignatária afastada e tranquilona me estarreceu. Nem avermelha a cara, stress zero, como dizem os baianos. Quase parou a nação, defenestrou a imagem do Brasil mundo afora, conspurcou nossa credibilidade internacional, e está preocupada com o penteado e em curtir a vida. E olhem que o processo de seu afastamento nem terminou. É capa de revista de fofoca e moda, enquanto seus defensores Sabatela e Chico Buarque são obrigados a andar com segurança pessoal. Assim caminha a humanidade, demonstrando que político não briga, desfaz alianças, e que somos todos nós, eleitores, uma imensa massa de manobra.

Walesa e Niemeyer.
Quando Fernando Henrique Cardoso enfrentou seus primeiros quatro anos de presidência da república, recebeu o líder operário polonês Lech Walesa com honrarias de chefe de estado. Para os leitores jovens, explico que Walesa era um dirigente sindical diametralmente oposto ao que foi Lula: nos estaleiros de Gdansk, na Polônia comunista, Walesa lutava por uma economia de mercado que pusesse fim ao regime e beneficiasse  a classe trabalhadora polonesa que representava. Lula, o contrário do contrário, sempre tentou socializar o vínculo empregatício e sindical entre patrões e operários. Ambos se tornariam presidentes de seus países poucos anos depois: o polonês governou a Polônia pós queda do muro de Berlim, mas fracassou na economia, Lula sucedeu FHC com relativo sucesso. Mas o capitalismo, em ambos os casos, prevaleceu, e a Polônia foi liberta de quarenta anos de escravidão comunista. Mas o que interessa é que Walesa, ao conhecer Brasília guiado por Fernando Henrique, fez questão de comentar como nossa capital se assemelha às grandes cidades comunistas: construções faraônicas glorificando o Estado, enormes espaços vazios de concreto, áreas verdes parcimoniosas distribuídas para o regalo do proletariado, conjuntos habitacionais pululando em um desenho geográfico sem esquinas e imensas mansões dedicadas à burguesia estatal dos dirigentes da máquina governamental, isso em meio a prédios públicos que representam palácios de burocracia e papelada. Brasília é uma cidade como Stalingrado, Sófia, Bucareste, e inúmeras outras, em pompa e desumanidade arquitetônica. Gentileza de seu idealizador, Oscar Niemeyer, que era comunista de carteirinha.

Olimpíadas.
Eduardo Paes e o governo do Rio estão brilhando em organização nas Olimpíadas. Não nos transformamos em primeiro mundo nem ganhamos a eficácia e a precisão dos dirigentes europeus, mas fazemos bonito uma olimpíada caseira, a primeira realizada na América Latina, para orgulho nosso. Ou seja, realizamos jogos olímpicos bons, bonitos e baratos. Quanta diferença para a Copa do Mundo, realizada no meio de escândalos políticos e roubalheira! De desagradável nos jogos olímpicos só os resultados brasileiros, alguns sofríveis e bem aquém das expectativas, reflexo exato de um país que não valoriza esportes amadores, com educadores físicos sem condições de trabalho em escolas sucateadas onde não se aprende esporte algum por absoluta falta de infra-estrutura e capacitação profissional. Escola em meio período já é uma história de carochinha, conversa pra boi dormir, tertúlia pra dormitar bovino. Com quatro horas de aula por dia, como ensinar esportes? Mal sobra tempo pra matemática.

 

O dito pelo não dito.
\”As redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis que antes falava apenas em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade\” (Umberto Eco, escritor, filósofo, jornalista e gênio, prêmio Nobel de literatura com \”O Nome da Rosa\”).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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