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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Mais sobre o Lockdown

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Experiências anteriores de fechamento dos comércios não essenciais e de escolas, ocorridas em outros países, já demonstraram que os efeitos do Lockdown são nefastos e mais ajudam do que atrapalham. Não me entendam mal: a intenção dos homens públicos por trás destas deliberações é boa, querem salvar vidas. O problema é que as pessoas não deixam de morrer com a clausura e o distanciamento, apenas se adia sua morte. Teria lógica, se nesse meio tempo o sistema de saúde nacional se precavesse para o atendimento em massa de pacientes Covid e não-Covid, mas isto não ocorreu em um ano e não vai ocorrer agora. Teria lógica se o Lockdown ocorresse para dar tempo da vacina chegar, mas a vacinação no Brasil vai, pelo menos, até o final do ano, e nossa economia e sociedade não irão aguentar  tanto tempo com as atividades remuneradas manietadas como estão.  O Lockdown, como se diz no serviço público, é ônus sem bônus.

Mirem-se nos exemplos.
Antes da Covid 19, que já virou Covid 21, foi a gripe espanhola – exatos cem anos atrás. Porque ela durou seis meses e depois “vida normal”? No Rio, no ano seguinte teve até Carnaval! Morreu proporcionalmente mais gente do que está morrendo hoje (ainda), em se levando em conta a ausência de condições sanitárias e de higiene das grandes cidades da época e mesmo a escassez de transporte e água no interior do país, então selva e caatinga inexploradas. A Espanhola dizimou ricos e pobres, sem distinção, mas matou rápido, porque todo mundo se contaminou em um semestre e, logo, o efeito “rebanho” imunizou a população. Isso, repita-se, em casas sem latrinas, cidades sem esgotamento sanitário, remédios e hospitais e médicos insuficientes e atrasados. Mas o povo fez a sua parte, o governo não atrapalhou, e aquela tragédia se dissipou em poucos meses. Agora, observem hoje os países africanos: todos densamente povoados, com cidades populosas, pouco dinheiro e recursos sanitários paupérrimos, muita gente vivendo aglomerada em habitações insalubres – e está morrendo pouca gente por lá, até aqui o continente africano é o menos castigado. Pergunto de novo: por quê? Por conta da imunidade de rebanho rapidamente atingida e porque na África se toma muita cloroquina, que é remédio pra malária, e Ivermectina, que é remédio pra verme – estes são itens da cesta básica dos africanos.

Polarizações.
De vez em quando apanho nas redes sociais porque manifesto meu ponto de vista de maneira clara, à luz do Direito, mas deste jeito objetivo que vocês todos estão acostumados a reconhecer em meus escritos e falas. Isso, é claro, não atrai só adeptos, e há gente que simplesmente não tem educação para discordar. Nessas horas esqueço que sou juiz, porque não é como magistrado que me posiciono no “Entretanto”, tanto a coluna escrita, quanto o blog, quanto nos vídeos semanais. Portanto, nada de prender em flagrante e usar a Lei de Segurança Nacional! Também não processo ninguém por dano contra a honra – para mim, quem desce de nível é que se desonra. Prefiro simplesmente esculhambar de volta. Essa história de Lockdown acirrou de novo polarizações, e como sou contra o enrijecimento das regras de distanciamento social, me colocam na briga. Bobagem. Sinto muito que anda exista gente que ao invés de discordar, ofende a quem pensa diferente. Sinto muito que ainda exista gente que, por causa da carta, ofende ao carteiro. Acho bonita a coragem, mas ela só é qualidade quando acompanhada de respeito, prudência e educação. Quando vem sozinha, é  defeito gravíssimo.

Que tal uma boa leitura?
Já que estamos em meio a medidas rígidas de distanciamento social, sobra mais tempo pra ficar em casa – e mais tempo pra ler, para mim a atividade mais interessante e gostosa do mundo.  Recomendo em não ficção: tudo que vocês puderem ler de Roger Scrutton, até aqui o melhor filósofo do Século 21, recente e precocemente falecido.  Já na ficção, tente Carlos Ruiz Zafon, fenomenal escritor espanhol que escreve sobre amor, crime e livros (comece com a obra prima “A Sombra do Vento”). Se der tempo, dê uma espiadinha também no norueguês Jo Nesbo, se você gosta de romances policiais de fôlego  Nesse caso, dê preferência aos romances da série do detetive Harry Role, porque os outros de Nesbo não são tão bons. Literatura brasileira? Qualquer livro de Ruy Castro ou João Ubaldo Ribeiro, ainda que não sejam lançamentos, ainda que sejam livros antigos – a grande arte é imortal e atemporal.

O Dito pelo não dito.
“Coragem envolve a habilidade de perseguir o que a honra exige”. (Aristóteles, filósofo grego).

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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