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RENATO ZUPO

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Magistrado • Escritor • Palestrante

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Além do óbvio fomento ao turismo, o Rio de Janeiro das Olimpíadas se tornou um palco ameno para a diversão e o culto ao esporte durante os jogos que recém se encerraram. A cidade em nada lembrou o que sempre foi: a selva de pedra e as praias repletas de trombadões disputando banhistas com os coliformes fecais das águas que recepcionam impiedosamente a Baía da Guanabara. E olhem que nossas mazelas não estavam escondidas, nem eram para sê-lo. É que havia muito, muito mais coisa bonita para se ver durante os jogos olímpicos. Parabéns para o Rio e para Eduardo Paes. O evento mundial foi bem mais ameno que a Copa, é verdade, sem movimentos sociais desbundando-se pelas ruas, sem \”fica Dilma\” e sem \”fora Dilma\”, mas o fato é que as olimpíadas deram certo onde a Copa do Mundo não deu porque os jogos foram organizados com menos roubalheira, menos pressão e mais competência. A cidade melhora após os jogos? Claro que não. Amanhã é segunda feira, dia de empilhar as cadeiras em cima das mesas, contabilizar as perdas, recolher o lixo e curar a ressaca. Mas valeu pelo sonho bem sonhado, eterno enquanto durou – para lembrar Vinícius de Moraes, o maior carioca de todos os tempos.

Os empresários e a crise.
Toda recessão requer paciência, é fato. Devemos todos gastar menos e nos aventurar menos, esperando a economia voltar a crescer e todo aquele blá-blá-blá que ouvimos o tempo todo. O que me aporrinha é o comportamento de alguns  empresários em meio à crise. Simplesmente \”jogam\” com a inflação e a recessão, no pior sentido do verbo \”jogar\”, que é o de arriscar o pescoço dos outros, no caso os consumidores, que somos nós todos. A qualquer murmúrio menos alvissareiro do mercado, aumentam os preços. Depois, havendo pressão sindical, congelamento ou controle de preços, elevação de impostos, o que fazem os donos do capital? Aumentam seus preços! Nada de diminuir ganhos, de obter lucros mais parcimoniosos. Parar de tomar whisky 12 anos? Jamais! E vão além: ameaçam com demissões em massa, esquecendo-se que a classe trabalhadora é a classe consumidora, e quem está desempregado para de consumir. E há a desfaçatez final, que considero absurda: culpam a inflação pelos aumentos que impõem aos seus produtos no mercado. Quando a inflação baixa, no entanto, não abaixam os preços, que dizem já ter se \”acomodado\” – significa dizer que nós otários já nos acostumamos a pagar caro. Aumentou o petróleo, aumenta a gasolina! Abaixou o petróleo? A gasolina permanece alta! E assim caminha a humanidade. Respeito demais a classe empresarial, e meus amigos sabem disso, muitos deles empresários e exceção à esta regra aqui impressa. O empresariado brasileiro é que faz o dinheiro girar, gera empregos e arrecada impostos, e têm no governo muitas vezes um inimigo ao invés de um aliado. Mas o comportamento de ave de rapina que vive dos restos de uma economia moribunda ou das ruínas das finanças públicas não combina com o real significado da palavra \”empreendedorismo\”.

Vem aí o Fliaraxá.
Muitos me perguntam porque valorizo tanto a Feira Literária de Araxá. Em primeiro lugar, o faço porque é um evento que brilha espontaneamente, que resplandece cultura e arte para todos os cantos como um diamante multiforme que encanta àqueles que o fitam sob qualquer prisma e ângulo. Mas, sobretudo, adoro o festival literário que anualmente brinda as terras de Dona Beja por meu viés profissional, porque sou magistrado, e principalmente juiz menorista, da infância e juventude. Percebo nossos jovens carentes de cultura, de entretenimento de boa qualidade o ano inteiro. Os vejo jogando video games violentos, ouvindo sertanejo universitário, assassinando a língua portuguesa e matando aula e, agora, caçando Pokemons. Isso o ano todo. Quando chega o Fliaraxá é como se surgisse um oásis no deserto, um sol resplandecente em meio à penumbra da ignorância, um feito salutar para crianças de todas as idades, que todos nós somos, apequenados pelo vulto de um evento que é uma dose maciça de conhecimento e de lazer inteligente e de qualidade. Longa vida ao Fli, ao Projeto Sempre um Papo e ao seu idealizador, o genial Afonso Borges.  A edição deste ano começa agora em setembro! Portanto, venham todos  ao festival aprender a conhecer o mundo através da literatura que nos mantém a um só tempo com os pés no chão, mas com a cabeça em uma terra longínqua e repleta de sonhos maravilhosos prontos para serem sonhados e que não se cansam de brotar incessantemente das páginas de fantasia criadas pelas mentes geniais e lúdicas de nossos mais talentosos escritores.

 

O dito pelo não dito.
\”Faz parte da natureza das mulheres desprezar quem as ama e amar quem as detesta.\” (Miguel de Cervantes, escritor, criador do romance moderno e de Dom Quixote – a maior obra prima da literatura mundial).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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