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Renato Zupo

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Magistrado • Escritor • Palestrante

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Líderes

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Lembro-me que o sindicalista intelectual polonês Lech Walesa, quando eleito presidente de seu país de origem, fez um governo ridículo. E que Mário Vargas Llosa, genial escritor peruano, tentou a carreira política e foi um medíocre. Vou adiante: Mandela, com toda sua maravilhosa história de vida, não deu à África do Sul um bom governo.  Aqui no Brasil raros são os intelectuais que se metem a administrar, a serem líderes, e quando o fazem são um desastre completo, exceção feita ao sociólogo FHC. Milton Campos, jurista dos melhores, não foi lá essas coisas na administração de Minas, e o grande Rui Barbosa era excelente orador, batalhador de causas justas, mas na hora de executar projetos era uma lástima. Vivia para a tribuna e para os livros, somente. Sabe o que aprendi ao longo da vida? Existem pessoas teóricas e pessoas práticas. Tem gente brilhante para pensar e verter o pensamento, mas que não consegue amarrar o cadarço do tênis sozinho.  Erasmo de Roterdam, ainda no século 16, costumava dizer que \”filósofos em cargos públicos se assemelham a asnos tocando lira, mas o caso é que se mostram desajeitados em todos os atos da vida\”. No geral, assino em baixo. Precisamos de pessoas dinâmicas na direção das instituições, não de sábios.

Ronald Reagan.
O presidente norte americano Ronald Reagan era do partido republicano, tido como conservador e de \”direita\” nos Estados Unidos. Na juventude fora ator de Hollywood e antes disso filho humilde de família paupérrima que se fez sozinho, estudou e foi craque dos esportes antes de interpretar caubóis no cinema e se envolver com a política. Na presidência dos EUA evitou a guerra nuclear e cozinhou em fogo brando a guerra fria, até acabar com ela. Combateu o terrorismo e fez seu país ainda mais rico e progressista, isso sem aquela lenga-lenga de tirar dos ricos para dar aos pobres. Era honestíssimo, o que para ele era obrigação e não virtude. Na vida privada era heterossexual e monógamo convicto, mesmo vindo do cinema, e foi casado por toda a vida com a também atriz Nancy, o que parece ter detonado a ira do bando de intelectualóides de esquerda que sempre infestou Hollywood: achavam-no um ultraconservador fascista e um caubói sem boas maneiras metido a valentão e burro.  Idiotice e preconceito. Reagan tinha QI altíssimo e nunca fez mal a uma mosca na vida real e só nos filmes de faroeste é que dizimava bandidos com tiros certeiros. Mas o que ficou para a posteridade foi a versão mentirosa da vida de um dos maiores presidentes americanos de todos os tempos, porque quem escreve os livros de história e as notícias de jornal impelido pela vingança ideológica  geralmente é injusto e tem uma inveja desgraçada dos verdadeiros talentos. Reagan foi, sim, um exemplo de homem de ação e bom governante, ao contrário dos filósofos de botequim.

Erasmo de Rotterdam.
Falei linhas acima de filósofos e de Erasmo de Rotterdam, que escreveu um livrinho chamado \”O Elogio da Loucura\”, na verdade uma obra prima do pensamento humano, apesar de suas poucas laudas. Escrito no século 16, tudo nele é moderno e atualíssimo, como são as grandes obras da literatura universal. Disse no livro, por exemplo, que \”é por meio de ninharias que se pode conduzir essa enorme e poderosa besta que é o povo\”, e aí lembrei-me facilmente dos programas assistenciais do Governo Dilma e dos recentes resultados eleitorais. Não mexam, nunca, com Erasmo de Rotterdam. Disse, por exemplo, sobre o gênero feminino: \”É inútil para uma mulher pôr uma máscara, pois ela permanece sempre uma mulher, isto é, louca\”. Não fui eu, hein? Foi ele. Não venham me processar, até porque o velho Erasmo não poupava nem mesmo a nós, juristas: \”entre os eruditos, os jurisconsultos ocupam o primeiro lugar, não havendo ninguém mais vaidoso que eles. Acumulam inumeráveis leis sobre assuntos sem importância alguma, acrescentando glosa sobre glosa, parecer sobre parecer, e dando a entender que seu estudo é o mais difícil de todos\”. Sua obra poderia ter sido escrita hoje, ou foram os costumes que mudaram pouco ao longo dos séculos?

Renato Zupo,
Juiz de Direito e Escritor.

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