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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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2017

Boas novas?

ENTRETANTO

2017 surge como uma incógnita em vários campos. Não sabemos, por exemplo, se o atual governo Temer vai emplacar econômica e politicamente, e tem gente torcendo para ambos os lados. Nossa crise está tão indigesta que até o pessoal da denominada esquerda consciente espera que as coisas melhorem ao menos até acabar o mandato tampão do atual presidente. Outros há, da direita mais radical, pouco interessados na deposição de Dilma Roussef, já considerada página virada da história. Consideram Temer e o PMDB inteiro oportunistas ruins de governo como sua antecessora e o PT – afinal, compunham a mesma chapa, não é mesmo?

Idealismos.
Eu acredito que basta de lados, idealismos, radicalismos e todos os \”ismos\” que nos fazem perder tempo em conversas de botequim que não chegam absolutamente a lugar nenhum. Tirando um ou outro político mais atilado e peculiar, são todos muito parecidos uns com os outros. A questão do poder é pragmática! Ponham na presidência o Dalai Lama ou um neonazista, para a classe média brasileira carente de resultados dá no mesmo: o que se quer e se espera é o retorno do pleno emprego, saúde e escolas públicas de boa qualidade, melhorias na segurança pública e na distribuição de renda. Enfim, aquele \”blá blá blá\” de sempre, receitado e conhecido por todos – desde presidentes de grêmios estudantis até ganhadores de prêmio Nobel. Apesar de inexistirem novidades no que se espera, beira as raias do ridículo a falta de êxito da atual classe política brasileira. O que melhorou nos últimos dez anos? O que se conseguiu melhorar no Brasil? Mais casas pra população de baixa renda – dirão alguns, e concordo. Seus moradores, no entanto, estão convivendo com o retorno da inflação e com a falta de emprego, são assaltados na porta de casa e morrem na fila do SUS. Não acho que o resultado obtido compense os ganhos políticos extorquidos e nem as ilusões vendidas dos palanques das campanhas eleitorais.

Atraso.
Estamos estagnados uns cinqüenta anos em termos de diálogo político, entre nós e com nossos representantes. Nos países mais desenvolvidos do mundo não se quer saber se o candidato X ou Y é esquerda ou direita. Se quer saber o que ele pensa, fez ao longo da vida, sua plataforma de campanha. Aqui o sujeito pode ser bom, mas se não veio da pobreza chamam-no de \”filhinho de papai\”. Se não foi torturado e nem combateu o regime militar, vira \”filhote da ditadura\”. Se é sindicalista, vira \”vagabundo\” que tem medo de trabalhar. São rótulos que não sustentam mais o discurso moderno de poder. Não é a toa que a última leva eleitoral trouxe para o governo muitos candidatos que jamais haviam freqüentado agremiações políticas ou exercido qualquer mandato eletivo. É fato que há uma séria crise política sem precedentes, na qual ninguém mais confia nos representantes do poder. Mas não é só isso. Penso que aqueles que ainda não saíram do armário da política, aqueles novatos sem passado a ser apedrejado, ou simplesmente que não tiveram tempo, ainda, para serem rotulados, levam intensa vantagem sobre os demais, antigos, representantes de um povo que continua acreditando em títulos, estereótipos, \”times\” de pensadores. Ou se é esquerda, ou se é direita, ou se está \”em cima do muro\”. Quem pensa assim, sinto muito, deveria voltar para a escola.

Mundialização.
O fenômeno da alternância democrática é comum em todo o mundo político democrático civilizado. Leia-se: \”países ricos\”. Mas há uma diferença. Lá se quer pragmatismo. Estive nos Estados Unidos. Fora o movimento GLBT e aquela parte dos artistas do show business que gosta de aparecer defendendo o aborto e a maconha, o resto espera pacientemente para ver o que Trump pode oferecer, porque a \”alternativa Hillary\” era enganosa. Não a toa, \”prefeito\” em italiano é \”sindacco\” – síndico. O que se quer são bons administradores. Pensem como pensarem, venham de onde vierem, que sejam eficientes.

 

O dito pelo não dito.
\”No coração de toda religião existe um mistério sagrado que sustenta a crença e inspira fidelidade até chegar ao extremo do martírio.\” (Stephen King, escritor americano).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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