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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Irado (1)

ENTRETANTO

Pelo amor de Deus, vocês diletantes, que não tem hora para dormir ou para acordar e conseguem modificar seus hábitos aleatoriamente e ao seu bel prazer. Ou vocês que ainda acham que se economiza com tarifa telefônica em ligações após as oito ou nove da noite. Por favor gente, não me liguem na hora do Jornal Nacional! Acho um abuso. É a única porcaria que consigo assistir na TV – e vem sendo uma porcaria mesmo, nos últimos tempos, por conta das notícias horrorosas de nosso mundo político e jurídico. Mas o fato é que preciso me informar, por conta das minhas múltiplas atividades, todas elas ligadas ao funcionamento do país. Sei que tem gente que \”recupera\” programas de TV pela internet, mas ainda sou daqueles que gostam de sentar na frente da telona para assistir jornal, de preferência em silêncio absoluto. Custa aguardar que meus filhos durmam, principalmente o caçula. Custa fazer minha mulher parar de ralhar comigo, ao menos pelos quarenta minutos do jornal. Quando finalmente consigo silêncio, vem um ser titubeante qualquer, iletrado, ou economizando centavos de impulso interurbano, me aporrinhar justamente na hora do meu jornal! Tem um ou outro estafermo que deve ser fresco, porque assiste às duas novelas, uma antes e outra depois do jornal. E aproveita o intervalinho entre elas, o meu diminuto horário nobre, para ligar enchendo o saco, porque se a ele não interessa o noticiário deve pensar egoisticamente que a ninguém mais tampouco interessa.  Portanto, na hora do Jornal Nacional, não! Por favor.

– Irado (2).
Por falar em uso inteligente do telefone, por dever de ofício uso o meu o tempo todo, durante o dia, em conversas e mensagens de texto. Economiza tempo do contribuinte e resolvo vários problemas profissionais ao mesmo tempo. De noite e de folga, todavia, a primeira coisa que faço é desligar o celular. O que não impede que me liguem em casa, porque meu número residencial é do conhecimento da imensa maioria das pessoas com as quais trabalho ou me relaciono. Até aí tudo bem (desde que não seja na hora do jornal!). O que me irrita é que tenho conhecidos e amigos que simplesmente não sabem fazer uso racional do telefone. Querem contar receita de dobradinha ou final de namoro e tomam dez, vinte minutos do tempo da gente com picuinhas e filigranas, como se estivéssemos à disposição de suas fofocas. Fico as vezes fazendo outras coisas, acudindo menino, cuidando de horta, escrevendo e fazendo \”hum hum\” pra pessoa do outro lado da linha, fingindo atenção, porque depois dos primeiros três minutos de conversa telefônica dificilmente há mais qualquer recado importante para se passar. E tem aqueles que saem mandando abraços, oras vivas, salve rainhas, pra sua família inteira, demoram um tempão pra se despedir. Despedir ao telefone, gente, é \”Tchau\” e pronto. Mas vá explicar isso para alguns dislexos e prolixos que compõem meu grupo de amigos… O cara quer confraternizar ao telefone, como se o armagedon estivesse próximo e o mundo prestes a se acabar. E, é claro, tem as mulas com pseudo senso de humor que se saem com aquela \”sabe quem tá falando? Não reconhece minha voz? Que decepção, etc..\” Não estamos em um programa de adivinhações e eu não sou perito sonoplasta, gente! Nesses casos de enigmas de péssimo gosto, desligo na cara mesmo! Tenho mais o que fazer. E não estou contando, é claro, as ligações de telemarketing, que te pegam na hora do almoço, tomando banho, namorando, e você sempre atende porque acha que é importante, tem parente doente, mãe idosa, ente querido distante, e por aí vai. E atende e são aquelas paulistas puxando os erres e querendo vender cartão de crédito, assinatura de revista ou qualquer outra forma imaginável de te tomar dinheiro. Já aconteceu comigo de financiar carro e fazer o agente da financeira assinar termo de compromisso, escrito mesmo, obrigando-se a não permitir que sua empresa me ligasse hora alguma do dia para me aporrinhar com o que quer que fosse. E fiz assinar porque de outras vezes prometeram e não cumpriram. Telefone é uma praga. Não é a toa que está acabando e morrendo diante da competição com os aplicativos de celular, que você atende quando quer e precisa e pronto.

 

– O dito pelo não dito.
\”Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.\” (Friedrich Nietzche).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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