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RENATO ZUPO

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Impeachment

ENTRETANTO

Falam em afastar a Dona Dilma. Sinceramente, não acredito que consigam. Um governo com trinta e tantos ministérios tem todo o apoio político possível dentro do Congresso Nacional, o suficiente para tornar o grito das ruas um suave murmúrio que permita à nossa Presidenta navegar por quatro anos de mares turbulentos afogando muita gente no caminho. A voz do povo, a voz da rua, os manifestantes não vão fazer nada, porque alguém dentre eles descobriu (e avisou pro resto da turma) que a alternativa PSDB é muito pior pra eles e vai descer o cacete no lombo dos insurrectos na primeira oportunidade que tiver. Vou logo avisando que nada tenho contra Dilma, PT, Lula, movimentos populares, etc… O mundo sempre os teve. Gente assim pôs Hitler no poder, permitiu que Stálin implantasse um comunismo sanguinolento no leste europeu, apedrejou Cristo. É uma questão de época e de quem está fazendo a propaganda, de quem berra mais alto, somente. Apenas procuro ser um razoável homem de ideias. Ou seja, atuo conforme alguém com razoável instrução, discernimento e pensamento crítico, e procuro não seguir a boiada sem antes tomar vacina antitetânica e investigar um pouco.

Revolta.
Não que as pessoas estejam equivocadas ao sentirem-se desamparadas por um governo repleto de corrupção, ou por um Estado atolado em ineficiência. Aliás, se o povo soubesse da metade das mazelas da nação, não seríamos mais um estado politicamente organizado, mas sim uma anarquia bárbara. Só não concordo com a forma como se protesta, com o modo como se tenta mudar o que está errado. Não é possível alterar a estrutura governamental sem, primeiro, se saber como ela funciona e, principalmente, desconhecendo-se a forma de substituir o que está podre. É imperioso ter uma ideia ainda que vaga do quê se vai colocar no lugar deste Estado que aí está, paquidérmico, sonolento, ineficiente.  Protestar por protestar, e se sentir progressista com isso, é agir como um papagaio a repetir palavras de ordem sem entendê-las. Vou além. É ridículo o cidadão que vai contra a ordem estabelecida, manifesta-se publicamente em termos ríspidos e radicais, e na hora de votar elege quem lhe dá casinhas populares e bolsas miséria. Ou seja, o sujeito é contra a ordem estabelecida, quer mudá-la. Mas, na hora de mudar, opta pelo conservadorismo de votar em quem lhe acena com esmolas e benefícios,  tal qual agiam os antigos coronéis do sertão com seus jagunços e agregados de voto encabrestado.

Pizzolato.
Um dos artífices do mensalão, Henrique Pizzolato, fugiu para a Itália aproveitando-se de sua dupla cidadania e tão logo sua batata assou. Descoberto, acabou preso por lá. Por quê foi preso, se Brasil e Itália não possuem tratado de extradição? E, se preso, porque não foi logo deportado de volta pra cá, para \”curtir\” uns meses no presídio da Papuda, em Brasília, tal qual seus comparsas? Vou explicar. Pizzolato ingressou em terras italianas e assumiu o falso nome de um parente, praticando por lá o crime de falsidade ideológica, que também é punido como delito em terras italianas e conforme as leis deles. Só por isso foi preso, e não pelo esquema do mensalão. Se fosse preso pelo crime cometido aqui, aí sim poderia ser deportado. E se Pizzolato entrasse com o verdadeiro nome na Itália jamais seria preso e permaneceria por lá tomando bons vinhos e ouvindo ópera e rindo de nós. Como não há tratado de extradição entre Brasil e Itália, o nosso fujão não seria automaticamente preso pelo caso do Mensalão, e muito menos deportado. Para tentar fazê-lo, na ausência do tratado, há necessidade de um pedido formal e burocrático de nosso Ministério das Relações Exteriores, com base em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi o responsável pelo julgamento de Pizzolato e demais réus da Ação Penal 407, e via de consequencia pela ordem de prisão ainda pendente de ser cumprida. É isso aí.

Renato Zupo,
Juiz de Direito e escritor.

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