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RENATO ZUPO

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Greve

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O Direito à greve é respeitado no Brasil e decorre de dois princípios e garantias fundamentais presentes na nossa Constituição: o direito `a livre associação e à manifestação do pensamento. Ou seja, se o empregado está insatisfeito, pode não somente destacar esta sua opinião, como também paralisar suas atividades de maneira organizada e de forma a lutar por seus direitos decorrentes da profissão, de seu vínculo empregatício com o patrão que não o satisfaz. Isso vale, obviamente, para as iniciativas pública e privada, para os servidores públicos, funcionários de repartições e de empresas, entidades particulares e profissionais liberais. Não é possível, portanto, simplesmente ser contra as greves. Hoje são os caminhoneiros, amanhã seremos eu e você, amigo. O problema está na forma como a greve se dá. Quando prejudica outros trabalhadores, embrulha-me o estômago. Se é para mostrar pro restante do país sua revolta e inconformismo, basta paralisar as atividades. Afinal, sem transporte rodoviário o país também para. Não há necessidade de prejudicar o transporte pelas estradas, jogar pedras em veículos de motoristas que não aderem à paralisação, impedir a livre circulação de veículos de passeio, transporte escolar, ambulâncias, etc… Aí não estamos mais falando em direito, mas no abuso dele.

Erros estratégicos.
Qualquer nação que dependa exclusivamente de um tipo de transporte para funcionar comete com isso um equívoco enorme, delegando a apenas um setor da sociedade a imensa e enorme responsabilidade de fazer o restante do país funcionar. Assim se dá com o transporte rodoviário. Tenho a impressão, acredito que correta, de que todo o Brasil é transportado na carroceria de caminhões e carretas, e dessa forma quem acaba dando as cartas é quem controla os ires e vires das nossas mercadorias, bens e serviços. Na hora de sentar e negociar, o governo tem na mão uma moeda podre para fazer barganha, enquanto sindicalistas e profissionais do transporte rodoviário podem mandar e desmandar, acobertados pela atividade estrategicamente importante, na verdade insubstituível, que realizam. Sem caminhões, paramos. Falta estratégia, isso sim, para nosso governo, que desde JK se esmera em construir estradas e esquece as linhas férreas, o implemento dos aeroportos, os trens urbanos e metrôs. Não são apenas as regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo que precisam de melhoria nos transportes, que precisam de mais transporte ferroviário de qualidade. O resto do país agoniza, carecendo de alternativas.

Falar é fácil.
Pegue um país continental, como é o Brasil. Coloque nele diversos tipos de raças e etnias diferentes, compostas por gentes de inóspitas e distantes, e distintas, procedências geográficas. Colocou? Agora, nesse mesmo país, repleto de riquezas, permaneça historicamente dependente do capital estrangeiro de outros povos colonizadores para extrair e explorar a essas mesmas riquezas. Com pouca ou nenhuma educação básica para seu povo, passe a importar não somente matéria prima, mas também bens, produtos e serviços de primeira necessidade. E, como não tem dinheiro, vá fazendo dívidas. Procurando um pouco de modernidade, crie leis de primeiro mundo, mas que na verdade não funcionam, dispondo de direitos como se estivéssemos em um éden democrático, porém sem polícia, saúde, escolas, para fazer frente aos inúmeros interesses antagônicos despertos pelo manancial de oportunidades que temos, mas na verdade não temos, porque nos deram o toucinho, mas não nos deram dentes. Agora, nesse cenário estranho, tente governar. Tente fazer o país funcionar e veja se é fácil. Tente explicar para o latifundiário o que é reforma agrária, para o índio o que é exploração ambiental responsável, para o agricultor o que é economia sustentável. Tente equilibrar nos dois pratos da mesma balança o direito ao acesso à saúde pública de qualidade, de um lado, e de outro as inúmeras burocracias e gastos que permeiam a gestão pública dessa mesma saúde. Procure organizar uma polícia dura, mas cortês. Um judiciário eficiente e rápido, e ao mesmo tempo barato. Escolas com professores bem pagos e motivados, erradicando-se a droga e a violência do meio de nossos jovens, apesar dos pais desses jovens nunca terem se alfabetizado corretamente e viverem com a cara grudada no aparelho de TV ou na tela do computador. Erradique a pobreza e a corrupção, vamos ver se é capaz. E lute bravamente, e acima de tudo, para dar felicidade e qualidade de vida para o povo, livrando-o de todo mal, amém.

Renato Zupo,
Juiz de Direito e escritor.

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