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RENATO ZUPO

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Gasolina Barata

ENTRETANTO

Ao contrário do que muitos pensam, nossa gasolina brasileira está muito barata, mesmo depois do recente aumento por conta dos impostos. Acompanhem meu raciocínio. Uma garrafa de boa cerveja custa quase três litros de combustível em um bar requintado, e ninguém parou de beber, e está praticamente o mesmo preço de um litro de leite tipo A. Um litrão de refrigerante é mais caro que um litro de gasolina. Convenhamos que combustível já custou bem mais, proporcionalmente. A gasolina brasileira só é mais cara que a vendida nos pequenos países exportadores de petróleo, Venezuela, Kwait, etc… Nações bem menores e menos povoadas, com uma malha viária insignificante e problemas políticos e de divisão de renda seríssimos, bem piores do que as mazelas nacionais. E se a gasolina fosse mais barata, mais ainda, o que seria de nossas ruas, nossas estradas, nosso trânsito? Com a gasolina ao preço que está todo mundo já tem um, dois carros, e sai com cada trambolho antigo rua afora com IPVA vencido a entulhar o tráfego. Imagine com gasolina a um real… Aí é que parávamos mesmo. Não vale, e é um argumento populista, dizer que a gasolina é cara por conta do nosso salário mínimo e da nossa classe pobre que assim fica sem acesso a ela e a dirigir seus veículos. Em nenhum lugar do mundo trabalhador que ganha um salário mínimo compra carro, só no Brasil. E compra se esquecendo dos gastos com impostos, manutenção, combustível e financiamento. Ou seja, passa a ter desconforto com o veículo adquirido, passa a se endividar ao invés de ganhar em qualidade de vida, o que é um símbolo da nossa ignorância. Melhor seria que tivéssemos transporte coletivo de boa qualidade não somente para atender a classe trabalhadora, mas também os cidadãos classe média e os mais endinheirados. Carro deveria ser só uma opção e não a única saída para o transporte digno nas cidades. Para ciência dos leitores, o litro da gasolina nos Estados Unidos e nos países da zona do Euro custa quase o dobro e por lá ninguém está reclamando: automóveis no hemisfério norte são menos utilizados que o transporte ferroviário  confortável, seguro e suficiente para todos.

Reflexos.
Se o aumento da gasolina não é um problema em si mesmo, os reflexos deste aumento, no entanto, nos pegam em cheio e nos levam à lona, à nocaute. O grave não é o aumento, porque o preço dos combustíveis está represado artificialmente pelo governo federal faz bastante tempo, talvez com fins eleitoreiros, talvez não. As conseqüências disso é que não são boas.  A Presidência, com a Petrobrás à frente, já poderia ter autorizado o reajuste e não o fez, estagnando preços. Com índice econômico, todavia, não se brinca. Há um efeito ricochete, porque muita gente que ganha em cima do aumento justo deixa de ganhar durante o congelamento de preços e depois vai à forra. Ou não vai, e perde em ganhos, deixa de contratar e gerar empregos e arcar com impostos. Talvez os preços tenham sido manipulados por outro fim específico, e também grave: temos uma economia muito mais dependente do transporte rodoviário do que em outros países, para além do que se imagina. Noventa por cento de tudo o que se consome atravessa as estradas do país em carrocerias de caminhões, e isso torna o aumento dos combustíveis a mola propulsora de um aumento geral de preços finais ao consumidor. E há, é claro, a cultura inflacionária que herdamos dos tempos do plano Cruzado e do Governo Sarney. Por aqui, com medo da inflação ainda discutível, ainda virtual, o empresário já aumenta seus preços, de puro pânico de perder dinheiro mais lá na frente. Pouco importa que a inflação efetivamente ocorra. O que nunca vi foi empresário abaixar preço quando o combustível fica mais barato, ou de manter o preço quando o valor da gasolina e do diesel está estagnado, ou é manipulado para que assim permaneça.

E o Etanol? 
Por falar em combustível, sempre me intrigou o álcool, o Etanol. Não só é mais poluente que os combustíveis fósseis, como detona o meio ambiente com a monocultura da cana. Os Estados Unidos, berço da tecnologia, poderiam ter explorado o Etanol e nunca o fizeram, talvez porque sempre conheceram as conseqüências altamente danosas para a economia e a agropecuária a médio e longo prazos. Nós, por aqui, que temos o pré-sal e estamos quase auto-suficientes de um petróleo infindável, que já poderíamos estar popularizando os carros elétricos, permanecemos produzindo cana e poluição para gerar um combustível alternativo que nem sequer é barato. Por quê, meu Deus?

Renato Zupo,
Juiz de Direito e escritor.

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