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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Ford

ENTRETANTO

A Ford está fechando no país. O resultado disso é que as ações do conglomerado subiram na bolsa de valores de Nova York. Isso mesmo, você não leu errado. Subiram. Este é o custo Brasil: por mais sólida que seja a empresa, quando vem para o nosso país perde em credibilidade no mundo dos investimentos de alto risco. E o contrário também é verdadeiro, pelo que se vê. Saindo do nosso mercado, a Ford recupera seu bom nome perante os acionistas. Na verdade, a histórica montadora norte americana já teve dias melhores e desde que faliu seu coração industrial, a cidade de Detroit, no nordeste americano, está lutando também ela contra a bancarrota econômica. O principal motivo da saída da Ford do Brasil foi nosso câmbio vergonhoso, nosso real em estrepitosa queda, que impede vantagens econômicas provenientes da importação de peças automotivas para a montagem de veículos em terras brasileiras. Isso é bom pro nosso ministro da Economia metido a sabichão ver como é ruinoso o aumento descontrolado do dólar.

A Eficácia da Vacina.
A Coronavac já chegou. Agora é só burrocracia (não errei a corruptela) para distribuí-la. Seus detratores dizem-na eficaz em apenas 50,4% dos casos. Logo, concluem que apenas metade dos imunizados deixará de manifestar o vírus da Covid 19. A solução é muito simples: espere a chegada das próximas, e se vacine com elas também. A da Pfizer tem 95% de eficácia, a Moderna 94%, a da Aztrazeneca 90%. Tomando todas, pronto, você terá 320% de possibilidade de estar imunizado contra o Coronavírus! Agora, falemos sério: o índice desta eficácia tem a ver com a fase 3 dos testes, demonstrando quais daqueles pacientes que tomaram o imunizante e não pegaram a Covid, mesmo submetidos ao vírus. O que os números escondem é que na imensa maioria dos casos, mesmo da Coronavac, aqueles pacientes imunizados e que contraíram o vírus tiveram apenas sintomas leves da doença, o que demonstra que a vacina, se não impede a contaminação, diminui drasticamente seus efeitos nocivos. E não se assuste com a baixa taxa de eficácia. Nenhuma vacina do nosso programa vacinal tem eficácia de 100%. Quer ver? Rotavírus e Sarampo 40%, H1N1 (gripe comum) 40%, Hepatites e HPV 90%, Febre Amarela 78%. Portanto, tomem a Coronavac sem sustos.

Volta às aulas.
Até a escolinha do Professor Raimundo já voltou a funcionar. Cinemas e teatros voltaram. Butecos nem se fala, na prática nunca fecharam. Manter escolas fechadas é um absurdo, sinal do nosso terceiro-mundismo, do nosso baixo desenvolvimento cultural. Não estou me referindo aos pais e alunos que optam por não ir às aulas presenciais por medo de contaminação: isso é o bom e velho cálculo de riscos que os Estados Unidos ensinaram ao mundo quando decidiram que era mais barato e rápido destruir o Japão com bombas nucleares do que guerrear por dez anos contra samurais irredutíveis. O que não é possível tolerar é o governo impedir os jovens de estudarem, não permitir escolas de reabrirem. Que as aulas presenciais sejam uma opção para pais, mestres e alunos, e não uma vedação governamental. Estados e municípios estão mostrando ao povo que educação não é serviço essencial, que professores são menos importantes que carteiros e balconistas de farmácia, que crianças podem ir ao cinema e ficar duas horas em uma sala fechada, mas não podem assistir aulas em salas arejadas por idêntico tempo. Estão mostrando para a sociedade que bares são mais importantes que escolas. Pior ainda, estão mostrando isso para os nossos jovens, as gerações futuras.

Respeito aos professores.
Também sou professor, embora esta não seja minha atividade principal, e tenho a liberdade para constatar a deplorável realidade de que nossa geração de pais e mestres não fez um bom trabalho e não preparou bem nossos filhos e netos para essa onça brava, essa esfinge enigmática, esse abacaxi por descascar que se chama Brasil. A classe profissional mais desvalorizada do país é a dos professores. Em qualquer país civilizado, docentes formam o alicerce da sociedade porque preparam as novas gerações para nos suceder. Na crise do Corona e do fechamento das escolas, respeito mais ainda, muitíssimo, os professores (poucos) que elevam suas vozes idealistas contra a política governamental do “fica em casa” para alunos, mas “vá pra rua” pra frequentadores de Shopping Centers. Também respeito os professores negacionistas, muito embora não seja eu um negacionista: a Covid é real e é perigosa, assim como morar na Baixada Fluminense. Respeito, ainda, aqueles professores de pouca coragem, que ficam em casa por medo, por comporem grupo de risco mais suscetível ao vírus. Afinal, coragem não é um valor moral, é uma característica que alguns possuem, outros não. Mas não respeito de jeito nenhum professores que vão para parques temáticos, para Shoppings, fazem política, vão à praia e ao cinema, e para dar aula se sentem susceptíveis ao Coronavírus e não querem lecionar presencialmente enquanto não forem vacinados. Estes não tem nenhuma vocação para o sacerdócio importante que é aprender ensinando.

O Dito pelo não dito.
“A falência da educação brasileira não é um problema. É um projeto.” (Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro).

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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