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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Fliaraxá

ENTRETANTO

Graças a Deus os festivais literários estão bombando, disseminados pelo Brasil afora. Já disse aqui que, curiosamente, o brasileiro que lê pouco está lendo um pouquinho mais e comprando livros em profusão, que continuam baratos em nosso país. Um livro, mesmo um lançamento ou um best seller, custa menos que uma Pizza. O livro também é um presente interessante, personalíssimo, que dificilmente se erra, desde que se respeite o perfil do recebedor do presente na hora da escolha da obra literária a ser adquirida. Vi e aprendi isso e muito mais no último Fliaraxá, gentileza e prêmio da equipe do brilhante Afonso Borges e da empresa mecenas, a CBMM, que alegram Araxá e o país com um evento que preenche de poesia, arte, beleza, a essa importante cidade do interior mineiro. Neste ano tivemos por aqui Lia Luft, Miriam Leitão, Frei Beto, Carlos Herculano Lopes e muitos outros, gente de qualidade incontestável e autores de grandes obras, sucessos do mundo editorial que colocam a comunidade local, de vez, no mapa cultural de um país que – por estas e outras iniciativas – tenta entrar pelo viés da cultura no primeiro mundo das artes e do entretenimento. E ainda teve Maurício de Souza, emocionante, comemorando seus oitenta anos e os cinqüenta da sua mundialmente conhecida \”Turma da Mônica\”. É o nosso Walt Disney, que só não valorizamos mais porque, afinal de contas, somos brasileiros e não ufanamos, como deveríamos, a prata da casa.

Rio da Lua: Missão Nordeste. 
Participei só de \”meio\” Fliaraxá porque estava as voltas com a tournée de lançamento do meu mais recente romance no Nordeste. Em cinco dias visitei quatro cidades levando o \”Rio da Lua\” para bibliotecas públicas, livrarias, gente carente e gente letrada, leitores para todos os gostos, divulgando as artes deste humilde mineiro de Belo Horizonte que ambienta sua obra no Vale do Jequitinhonha e vive e ganha o seu pão nas beiradas do Triângulo Mineiro. Ou seja, Minas Gerais, quase como um todo, está presente na minha humilde trajetória que procuro exteriorizar quando viajo, quase como um embaixador cultural, por  outros estados da federação. Não é fácil largar, ainda que temporariamente e por pouquíssimos dias, meus afazeres como juiz para me dedicar à carreira literária, mas ao me deparar com os sorrisos de crianças e adolescentes carentes de cultura, sedentos por saber, famintos por entretenimento de boa qualidade, eu, que também sou juiz menorista, sinto que vale muito à pena. E o Nordeste – que (como muitos) só conhecia de suas praias – se mostrou calorosamente receptivo a novas obras de novos autores, com aquele jeito carinhoso e brejeiro que é especialíssimo por lá.

Impressões nordestinas.
Vi coisas curiosas no nordeste, também, e tive algumas decepções, que nessa vida nem tudo são flores. Aliás, muitas vezes quase nada são flores. Salvador é uma cidade enorme, barulhenta, com trânsito caótico e sem faixas dividindo pistas, com motoristas indianos que não respeitam mão ou contra mão (como na Índia). É uma cidade feia, apesar de suas praias. Fiquei hospedado em Itapuã, animado em conhecer a praia cantada em prosa e verso por Vinícius de Morais. No entanto, vi um balneário triste cercado por bagunça e degradação humana, e pus-me a pensar se a cinqüenta anos atrás, quando Vinícius compôs \”Passar uma tarde em Itapoã\”, a praia era melhor, ou mais deserta ao menos. Ou isso, ou o poetinha estava era de porre quando fez a letra da música, porque Itapoã é horrorosa. Como também é feio o estado de Sergipe, que me desculpem os sergipanos. Lembro-me de uma Aracaju idílica que conheci na adolescência e para a qual nunca mais voltei, mas essa beleza não acompanha o restante daquele estado miúdo, rústico e agreste. Também estive em Recife e Maceió: duas cidades de gente muito hospitaleira e afável, tal e qual os soteropolitanos. A capital pernambucana é muito melhor do que se diz, uma capital ainda humana e fácil de viver, apesar da violência. Quanto à Maceió, se for visitá-la, amigo, aceite meu humilde conselho: fique na orla e não saia dela. Á beira mar é das cidades mais bonitas e tranqüilas do mundo. Saindo da praia, imiscuindo-se pelos meandros das ruas dos bairros, como tive que fazer para visitar bibliotecas e escolas públicas, você aí passa a ter noção da pobreza inexorável do Estado de Alagoas e de sua gente sofrida e esquecida pelos governantes. Lamentável para um lugar tão lindo e com um pessoal tão bacana. A coluna acabou, o assunto não, volto a ele semana que vem.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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