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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Evangélicos no poder

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Não fossem os evangélicos no poder, estaríamos enfrentando hordas de anarquistas sedentos de direitos, o caos universitário estaria perpetuado, a educação sexual deturpada, os símbolos nacionais e a cultura familiar definitivamente jogados às traças. Não queiram e nem pensem que católicos comprariam essa briga. Nunca. Os católicos papais cansaram de brigar durante as cruzadas e hoje se limitam a dar conselhos nas homilias cada vez menos frequentadas dos cultos da igreja de Pedro. Os evangélicos representam, de fato, o povo da periferia, o povo pobre, porque por lá seu alcance é muito maior. A esquerda esqueceu a periferia e foi abraçar ONGs e países comunistas. Intelectualizou-se demais. O povão brasileiro – eu já disse isso – é extremamente cristão, conservador, atávico, provinciano. Ou seja, a cara do evangélico brasileiro, que não vai aceitar de bom grado as denominadas “pautas sexuais” das esquerdas no Congresso Nacional e vai jogar tomate em qualquer candidato a presidente que defenda mais liberdade de costumes do que aquela que hoje existe e que já é insuportável de tão escancarada. Com essa coincidência de interesses e perfis, é bastante óbvio que o governo conservador e de direita do atual presidente da república esteja cada vez mais próximo e acoplado aos interesses e ao protagonismo dos evangélicos. Precisamos deles, gostemos ou não, porque eles é que vêm dando o pão e o circo ao povo.

O Brasil: o primeiro na ONU.
Por que o Brasil faz o primeiro discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas? Isto desde a inauguração desta poderosa instituição supranacional. Há vários motivos. Nosso país é um dos fundadores da ONU, lá nos idos de 1949, e ficou alijado do seu Conselho de Segurança por interferência direta do criador e grande incentivador da moderna Liga das Nações, o então primeiro ministro britânico Winston Churchill. Abrir a Assembleia Geral seria, então, um prêmio de consolação pra nós. Mas não é só isso. Temos a fama algo inexata de sermos “pacíficos”, e a paz é o fomento principal da ONU. Além disso, o Brasil através do nosso então chanceler Oswaldo Aranha, foi o principal responsável pela criação sem conflitos armados do Estado de Israel, ainda no pós-Segunda Guerra Mundial, alcançando essa honra que já perdura por mais de setenta edições do evento. Sempre começamos falando, algo emblemático, mesmo diante dos questionamentos sobre a importância e o autêntico poder das Nações Unidas após a última Guerra do Iraque, em que a ONU e seu Conselho de Segurança postaram-se contrariamente à invasão do país de Sadham Hussein, e mesmo assim os Estados Unidos de George W. Bush foram lá, viram e venceram, como César contra o resto do mundo. Bolsonaro inaugurou o Congresso deste ano e falou muito bem: deu um recado para os países ricos do mundo. Cuidamos de nossos próprios problemas. Aceitamos ajuda, mas desinteressada, escorraçamos intervenções ideológicas e defenderemos nossa soberania sobre a Amazônia com unhas e dentes, ou com sangue, suor e lágrimas, para citar o já mencionado Winston Churchill.

Professores privados em escolas públicas.
Sabe a diferença entre o serviço público e a iniciativa privada? Vou te explicar. Imagine se você é um empresário e quer demitir um funcionário que falta demasiado ao trabalho, não respeita os colegas e chefes, faz fofoca na hora do cafezinho e finge que está doente para ficar à distância falando mal da empresa. Você simplesmente o demite e pronto! Vai discutir verba rescisória na justiça, que é o lugar para gente de bem resolver suas pendências. Já se você é servidor público e o seu subordinado também é (in) subordinado, finge doenças, faz inferninhos, o que você pode fazer? Instaurar processo administrativo contra ele, dar direito de defesa, aguardar por meses e talvez anos por uma incerta demissão, ainda passível de recurso, inclusive com direito à apelos à justiça para invalidar todo o procedimento expulsório. Ah! E se quiser afastá-lo, terá de remunerá-lo no ócio, sem prejuízo de seus vencimentos. Viram a diferença? E há outras, demonstrando que o vínculo privado é mais prático e eficiente que o serviço público, otimiza mais a cadeia de produção, harmoniza melhor o ambiente de trabalho, melhora o produto final, seja ele um serviço ou um bem de consumo. E olhem que sou servidor público, hein? Mas a praticidade e a ausência de burocracia do setor privado é insuperável. Talvez seja isto o que o Ministério da Educação quer trazer para as Universidades públicas brasileiras. Eficiência. Metas atingidas. Cronogramas dos cursos preservados, respeitados e cumpridos, mais qualidade no ensino. Por isso Abraham Weintraub quer contratar professores através da iniciativa privada, via regras da CLT, para acudir o ensino superior público brasileiro que nunca esteve tão esfacelado e desprestigiado. A iniciativa é boa até para os já existentes servidores públicos do magistério. Areja as cátedras das universidades. Cria saudável concorrência, e quando há concorrência o consumidor final, seja ele o aluno ou a nação, sempre sai ganhando. Servidor público, eu já disse em outras oportunidades, é muito bom pra fiscalizar, reprimir, regular e punir. Pra inventividade, genialidade, criação, arte (disso tudo há um pouquinho na nobre função do professor), temos que buscar profissionais multifacetados e verdadeiramente talentosos na iniciativa privada. Gênios pedem produtividade remunerada pelo brilho de seu desempenho.

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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