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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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duvida entubar ou intubar

Entubado ou intubado?

ENTRETANTO

A palavra “intubar” vem sendo repetida por dona Globo e portais de notícias, TVs abertas, semiabertas e fechadas, e a palavra… simplesmente não existe. O correto é “entubar” – o “en” assinala uma ação externa sobre o objeto, é como em entrada, entrega, ênfase. Já o “in” é justamente seu oposto: uma ação interna ao objeto, de dentro pra fora: internacional, incêndio, incapaz, etc… Quando se entuba o paciente, se age sobre ele, não é mesmo? O pior é que os dicionários começam a aceitar as duas formas, inclusive a errada, que segundo o Michaelis é “amplamente aceita” pela classe médica. Só não é pelos gramáticos.

Os judeus errantes.
Com mais de 60 por cento da população vacinada, Israel retirou a obrigatoriedade do uso de máscaras. Israel não tem rios com água potável e, por isto, criou processos de dessalinização da água do mar para abastecer seus mais de nove milhões de habitantes aglomerados em um país pouco maior que Sergipe. O estado israelita nasceu recentemente, em 1948, em meio a um acordo internacional entre os vencedores da segunda grande guerra, em território incrustado entre seus rivais históricos muçulmanos. Por isto nunca teve sossego fustigado por bombas e terroristas – e sejamos justos: paga na mesma moeda. Ainda assim, é dos países mais desenvolvidos do mundo, têm sete prêmios Nobel, diversos Oscar, inúmeras invenções patenteadas que modificaram os rumos da humanidade – o Brasil não tem nada disso. Os judeus sempre foram discriminados e afugentados da Europa e o mito do Judeu errante, porque fugitivos sem pátria, acompanhou os filhos de Israel durante a idade média – sempre sub-europeus aos olhos nórdicos. Israel sempre foi um estado laico desde seu nascimento, não se deixou guiar por preconceitos religiosos, sempre respeitou culturalmente as mulheres e os gays (que por lá cumprem o serviço militar obrigatório que é de três anos). Os judeus nunca foram errantes, são “acertantes”, se me permitem o neologismo.

O que a Covid mudou nas pessoas?
A pandemia alertou gente de todas as culturas e classes sociais sobre nossa miserável condição de seres mortais que iremos inexoravelmente perecer. Esta consciência da mortalidade era até então obscurecida pelos prazeres tecnológicos cotidianos e pela infalibilidade da ciência – que de repente deu uma escorregadela e nos presenteou com a Covid. Aprendemos a ficar mais em casa, a evitar festas e quase não viajar, a pedir comida em casa e a ironicamente nos aproximarmos mais de quem sempre esteve distante. Aliás, passamos a conversar mais, a usar mais plataformas digitais, aderimos compulsoriamente ao ensino `a distância e ao Home Office, tudo isso em pouco mais de um ano. São estranhíssimas novas realidades surgidas em um espaço de tempo assustadoramente diminuto e cujas consequências ainda não aquilatamos porque nos falta aquele distanciamento histórico tão necessário para análises mais profundas de um fenômeno social e cultural repentino, intenso e planetário.

O Oráculo Trump.
Trump alertou ao mundo quando lamentou que seu “amigo” Bolsonaro atravessaria maus pedaços pandêmicos com o Brasil, lembram-se? Saíamos do apogeu da primeira onda e as mortes rareavam, e estranhamente o presidente americano vaticinava o pior para nós. Essa gente conhece coisas e dados que desconhecemos. O que Trump queria dizer com isso e porque raios ele acreditou que a situação norte americana seria melhor que a do Brasil? Afinal, nos EUA também morreu e morre gente pra caramba! Talvez o motivo seja a falta de um poder central federal para orquestrar a luta contra a pandemia ou a propagação irrefreável deflagrada pela irresponsabilidade de muitos, ou a displicência na aquisição de vacinas, que poderia ter se iniciado ainda em meados do ano passado. Ou tudo isso junto: e não é que Trump estava certo? Estamos, nós e o presidente Bolsonaro, em péssima situação – e piorando. A saída é vacinar rápido, vacinar muito, vacinar logo, acabar logo com o risco pandêmico e ir embora trabalhar que ninguém mais suporta ficar a toa.

O General Corona.
Estão fechando estabelecimentos que funcionam para além dos limites impostos e prendendo cidadãos que teimam em trabalhar e ganhar o pão de cada dia ao invés de ficar em casa assistindo necrológios pela TV e torcendo pra Covid acabar só depois das eleições de 22, acabando neste meio tempo também com as chances de reeleição de Bolsonaro. Napoleão perdeu a guerra da Rússia porque não contava com o “General Inverno”, o pesado inverno russo que debilitou as tropas francesas e impediu a invasão napoleônica para a tomada de Moscou e seus arredores. Curioso que duzentos anos depois Hitler não aprendeu a esta importante lição histórico/climática e também tentou invadir a Rússia durante o frio polar existente por lá – e de novo foi derrotada pelo famoso “General Inverno”. Agora é o General Corona que primeiro apeia Trump do poder, para agora combater a recandidatura Bolsonaro – parece, às vezes, que a Covid é de esquerda.

O dito pelo não dito.
“Tenho mais medo de três jornais do que de cem baionetas.” (Napoleão Bonaparte, político e general, ex-imperador francês).

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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