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RENATO ZUPO

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Magistrado • Escritor • Palestrante

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Encontrei-me com Ruy Castro recentemente, em uma palestra em Belo Horizonte. Já é a segunda vez que batemos um papo, o primeiro foi no Fliaraxá. Sem sombra de dúvidas, dos maiores textos do jornalismo brasileiro de todos os tempos. Biógrafo, ele e Fernando Moraes são os maiorais, e Ruy ainda detém uma vantagem: é um nerd absoluto, de uma época em que o termo ainda nem existia. Em seus livros é capaz de citar letras e partituras de jazz, samba e bossa nova, com os nomes dos autores, intérpretes, capas de discos, ano de lançamento. Também no cinema, sua poderosa memória fotográfica dos anos dourados de Hollywood encanta e ensina, porque conhece desde os filmes mais famosos até as pequenas produções classe B que não decolaram, mencionando ano de produção, diretor e atores, inclusive os secundários. São dele as saborosíssimas biografias de Garrincha e Nelson Rodrigues, e a história da Bossa Nova e da MPB, imortalizadas em clássicos como os livros Chega de Saudade e A Noite do Meu Bem. Custo a tietar alguém, porque considero hábito desagradável, mas estou lançando um conto na revista Magiscultura dedicado a ele, que é também um aforista intenso, que cataloga frases e bordões de grandes figuras históricas e pensadores do Brasil e do mundo. Obrigado, Ruy Castro, por existir.

Viagens.
Viajando muito a trabalho, custo a encontrar tempo para diversão e lazer. Restam-me os acontecimentos fugazes e marcantes que vez ou outra premiam a vida da gente. Como quando conheci Alexandre Garcia em um shopping de Brasília onde lançava um de meus romances. O jornalista da Globo é dos poucos que fala o que pensa e não é censurado. Assisti-lo pelas manhãs no Bom Dia Brasil é um hábito que mantenho e que me lembra os antigos bons tempos da TV em que os programas eram esperados por toda a semana, eram ansiados pela sua qualidade e conteúdo. Hoje estamos lotados de novelas de baixíssima qualidade e reality shows descaradamente bregas. A qualidade toda migrou para os canais de assinatura, mas Alexandre Garcia é um teimoso e lança pérolas diárias de sua inteligência ímpar, demonstrando uma honestidade profissional poucas vezes vista no jornalismo brasileiro. Alexandre é daqueles “tios” simpáticos que sorriem e cumprimentam todo mundo, perguntando quem é a pessoa, o que faz, conversando sem se apressar, sem parecer a celebridade que é. O elogiei por seu trabalho quando o conheci. Ele imediatamente quis saber do meu e quando respondi que era escritor e juiz ele se disse muito agradecido pelo trabalho dos jovens magistrados brasileiros que estão depurando a República. Não sei se agradecia pelo “jovem”, eu que já tenho quase cinqüenta anos, ou pelo elogio institucional, também muito agradável de ser ouvido.

Gafes e surpresas.
Mas conhecer celebridades pode também ser memorável pelo ineditismo, ironia, ou pelo embaraço. Em uma recepção em Belo Horizonte fui apresentado a um famoso jogador de vôlei, daqueles que entram na quadra com as fãs se esgoelando e assoviando, com jeito de galã. E não é que o sujeito é uma fruta de mais de dois metros de altura, daquelas afetadíssimas, que só fala grosso na hora de ser entrevistado? Conheci pessoalmente Eduardo Cunha antes de seus escândalos e prisões, de novo em Brasília. Querem saber? Sujeito finíssimo, educado e aparentemente sério. Seus tropeços subseqüentes foram uma surpresa para mim. Em outra situação inusitada, em um vôo para a Bahia, minha mãe cumprimentou famosa política que insistiu em chamar de Marina Silva. A celebridade se irritou e por duas ou três vezes afirmou, rude, que minha mãe se enganara. Depois da viagem conferimos na internet e política a mulher de fato era, só que a Heloísa Helena, já em baixa e que nutria notória desafeição por Marina. Por falar em reconhecimentos, em Nova York encontrei um famoso ator americano que cumprimentei dizendo-o Vin Diesel, de “Velozes e Furiosos”. Desta fez a celebridade foi mais educada, afirmou que não era e silenciou. Depois conferi: tratava-se de Jim Caviesel, o “Fado do Dente”. Mas em um banheiro de restaurante, de novo na capital mineira, a coisa toda foi mais inusitada: deparei-me com Beto Guedes, mas não me lembrava por nada no mundo do nome dele, que sorriu e respondeu a uma pergunta silenciosa que não fiz, mais pairava em meus pensamentos: “é, sou eu mesmo.” E saiu de fininho. Sem se apresentar.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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