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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Eleições Municipais

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Prefeito é muito mais importante que Presidente da República. Se o bueiro da sua rua estoura, você procura o Bolsonaro? Precisa asfaltar a rua que dá acesso à escola do seu filho – não é em Brasília que se vai resolver isso não, amigão. É com o prefeito, não por outro motivo chamado em italiano “sindaco”, síndico em bom português. É ele quem irá resolver as questões mais necessárias e emergenciais do seu cotidiano, e é por isso que é imperioso votar bem para prefeito. Um prefeito ruim é capaz de destruir em seis meses aquilo que boas gestões anteriores demoraram uma década para construir. E os vereadores? Muitas pessoas acreditam que são somente legisladores municipais, e no sistema federativo brasileiro, com pouca autonomia para os municípios legislarem, a função acabaria diminuída. Ledo engano. O vereador é o primeiro e mais ferrenho fiscal e crítico do poder executivo local. Ele é que irá cobrar compromissos de campanha do candidato a prefeito vencedor, que irá auditar ou mandar conferir números e despesas. Enfim, o vereador é vital para a transparência do governo local, desde que seja de fato um representante do povo durante sua legislatura e que esqueça a política partidária depois de terminada a campanha eleitoral. Por isso votar, e votar bem, é muito importante, e as eleições municipais são as mais relevantes para o funcionamento das cidades.

Reflexos federais.
Depois da derrota de Trump, outro sinal amarelo para o governo Bolsonaro: seus candidatos não foram tão vitoriosos assim e a esquerda não está morta. Pulverizou-se em várias legendas menores, o PSOL à frente. A esquerda nunca vai morrer, assim como dor de dente nunca acaba, e é importante que seja assim. E olha que este que vos fala é um conservador, hein? A esquerda é o “rastro da onça”. Graças a ela é que os governos capitalistas do mundo passaram a olhar mais para os pobres, criando políticas inclusivas e uma distribuição de renda mais justa. O fizeram de medo dos regimes totalitários de esquerda que sempre assombram. O raciocínio político é mais ou menos esse, desde a revolução industrial inglesa: “vamos prestigiar os sindicatos, melhorar salários, garantir direitos trabalhistas, se não vem aí o comunismo e nos derruba do poder.” O capitalismo sem sua nêmesis seria cruel.

A Nova Política.
Vendo os candidatos à vereança vitoriosos em diversas capitais brasileiras, verifico uma realidade consolidada: não é possível ganhar eleições em grandes cidades sem algum sindicato, igreja, associação, maçonaria ou ativismo social por detrás do político. É necessária alguma bandeira, senão o sujeito vai brigar sozinho, ter duzentos votos e ruminar sua derrota por mais quatro anos, lamentando o sistema eleitoral brasileiro, e etc.. Enfim, aquele lero lero que todos conhecemos. A verdade é que o candidato tem que ir fixando sua imagem anos a fio se quiser chegar ao poder, o que só conseguirá com o apoio de um monte de gente que se sinta prestigiada, quando não beneficiada, por ele. Ninguém dá almoço de graça, como dizia um antigo advogado amigo meu. A história do político isolado, destemido, que ganha sem máquina alguma que não a do próprio partido, só acontece de vinte em vinte anos e está cada vez mais rarefeita.

Em time que está ganhando…
O TRE mineiro sempre conseguiu apurar eleições municipais em tempo recorde. No máximo uma hora e meia se os flash drives das urnas chegarem rápido. Aí chega o TSE, primeiro com a dona Rosa Weber, depois com o Dom Barroso, e faz o quê? Unifica as apurações todas naquela capital organizadíssima e que sempre funciona: Brasília. Só podia dar errado, como deu, né? Não se mexe em time que está ganhando. Sem contar que, processando os resultados das urnas todos em um lugar só, ou uma “nuvem” só (como queiram), cria-se um gargalo, como de fato ocorreu. Terminei de apurar as eleições às duas da manhã, quando poderia ter sido antes das oito da noite. Passou de hora de acabarem com o malfadado “quinto constitucional”, que já teve sua razão de ser, mas hoje é um desserviço para o Poder Judiciário nos tribunais. Quem entende de administração da justiça, de eleições, de políticas criminais, é magistrado, é juiz de direito. Promotores de justiça também são excelentes, porque sempre fieis companheiros na labuta cívica por justiça, mas via de regra os tribunais são para juízes, por mais que tenhamos advogados, procuradores e professores de Direito brilhantes, mas na teoria – que na prática muda toda de figura. Ministro que nunca apurou eleições nas comarcas não entende nada do torvelinho que é a administração e a fiscalização das eleições. Se a estas mazelas vem acoplado um novo problema absolutamente desnecessário, perdemos em credibilidade na apuração das urnas.

O Dito pelo não dito.
“Na grande mídia dizem que eu não entendo de economia, mas vou disputar eleições no ano que vem, não o vestibular.” (Jair Bolsonaro, político brasileiro).

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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Este post tem um comentário

  1. Avatar
    Leni Vale de Carvalho

    Gostei muito, mas, continuo achando que nosso sistema é possível de fraude, caso contrário os países de primeiro mundo o adorariam. Desconfio de tudo que não pode ser questionado e comprovado.

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