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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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trump pfizer

Ela chegou

ENTRETANTO

Bastou Trump perder a eleição, com ou sem fraude, aceitando ou não a derrota, para surgir a notícia da vacina da Pfizer. Parece (?) proposital. O presidente americano descobriu que não é moleza lutar contra o stablishment montado pela nova esquerda mundial. Colocaram contra ele um fantoche, um político insípido, que nada fez de relevante em mais de quarenta anos de vida pública, e ainda assim Joe Biden ganhou. Não. Não foi ele que ganhou. Foi o movimento anti-Trump, formado por todos aqueles a quem não interessa um governante que minimize o coitadismo das minorias ou os discursos politicamente corretos de ocasião. Utilizaram a pandemia, o assassinato de um negro, frases tiradas do contexto e até o comportamento de seus familiares mais íntimos para retirar-lhe votos. O resto, o comportamento errático e explosivo do presidente americano terminou de consolidar. O complô é tão globalizante que seguraram a notícia da vacina da Covid para depois do resultado das eleições, para que não fosse utilizado pelo presidente americano em campanha. Se não para miná-lo, ao menos para não beneficiá-lo.

 

Luz amarela.
A derrota de Trump acende a luz de alerta para Jair Bolsonaro. Ambos são políticos populares, mas com enorme fator de rejeição e que, segundo pesquisas realizadas um ano atrás, não teriam adversários a altura para a reeleição. A nova esquerda arrumou um fantoche, um títere, e deu-lhe anabolizantes ideológicos e uma nova leitura que o tornaria um pobre viúvo batalhador e liberal, bom para os EUA e para o mundo. Bastou isto para catalizar os votos dos indecisos e derrotar Trump. Uma derrota relativa, é verdade: o presidente americano é o segundo político mais votado da história americana, perdendo apenas para, justamente, Joe Biden. Por aqui, com Bolsonaro, pode acontecer a mesma coisa: os formadores de opinião de lá e de cá constroem e assassinam reputações como hordas de odiadores de internet. Ver isto em redes sociais é, infelizmente, bastante comum. Em grandes veículos de imprensa é um absurdo também cada vez mais visível.

 

Trump volta?
Não acredito em recursos judiciais que mantenham Donald Trump no poder. A democracia americana não é como a do Peru, que prende ou cassa presidentes sucessivamente ao longo dos últimos vinte anos. Os Eua não são uma república de bananas, por lá presidente é rei, é monarca com reinado por prazo fixo: quatro anos, prorrogáveis por mais quatro. E para prorrogar sua soberania, tem que ganhar no voto a reeleição. Ainda que Trump detenha a maioria da Suprema Corte americana, ela não é politizada por lá o e o combate à tradição eleitoral americana de cédulas impressas e votação pelo correio não irá longe. Decisões judiciais sensatas não se debatem contra aquilo que os costumes ancestrais da mais antiga democracia do mundo já consagraram. E a nova esquerda americana não iria dar paz. Iria às ruas promover quebradeira, vandalismo, ofensas virtuais e virais, enquanto seria chamada de grupo de “manifestantes pela democracia” em rede nacional pelas grandes TVs deles e nossas, todas comprometidas com o continuísmo que Trump ousou quebrar, ao menos por quatro anos. Não há período de mais polêmica, de mais polarização e entrechoque endêmico de opiniões políticas e ideologias, do que quando a esquerda cai do poder e quer voltar.

 

Mariana Ferrer.
As pessoas parecem não ter entendido o que de fato ocorreu no estranho caso Mariana Ferrer, a moça supostamente dopada e estuprada por um “peguete” em uma festa de embalo. O estupro existe ainda quando não ocorra resistência física ou moral real e visível da vítima. Quando ela esteja, por exemplo, embriagada além da conta, ou tenha sido dopada sem o saber com uma droga desinibidora escamoteada em seu drink. Será estupro, será crime hediondo, e será grave – merecerá, sempre, punição exemplar. A discussão, aqui, é outra: o caso de Mariana foi julgado e o juiz e o promotor do caso entenderam (atenção) não haver provas da prática do estupro. Tiveram o cuidado de sequer afirmar que a vítima mentira, não o disseram. Analisaram a prova e entenderam ser esta insuficiente para a condenação que a moça pretendia. A prestação jurisdicional, o trabalho da justiça, que é julgar, foi feito. Não é um “absurdo” quando acontece a absolvição de um sujeito acusado de estupro. Pode, na verdade, ocorrer, sempre que não se demonstre sua culpa. A palavra da vítima é poderosa, mas insuficiente para, isoladamente, gerar condenação segura. E o juiz e o promotor são intocáveis por suas decisões, pareceres e entendimentos. Vejo com preocupação quando senadores, imprensa, formadores de opinião, jornalões, descem o cacete em profissionais do Direito simplesmente porque fazem o seu trabalho de maneira imparcial. Não se pode condenar tão somente porque é politicamente correto. Não se pode condenar somente porque a população ou os componentes mais escandalosos dela consideram justa a punição de um sujeito simplesmente porque acusado de crime grave. Se todo processo criminal redundasse em condenação, para quê processo? Para quê juiz?

 

O dito pelo não dito.

“A democracia não é o paraíso, mas ela consegue garantir que a gente não chegue ao inferno.” (Leandro Karnal, historiador e ensaísta brasileiro).

 

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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