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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Educação moderna

ENTRETANTO

Estamos em um jogo de omissos no trato com crianças e adolescentes. Pais trabalham fora e delegam aos educadores a árdua tarefa de formar os nossos jovens. Esses educadores, por sua vez, entendem que não faz parte dos currículos das escolas matérias como etiqueta e boas maneiras, prevenção à gravidez adolescente, prevenção de DSTs e combate ás drogas, civismo e respeito aos mais velhos. E não estão errados, porque não são pagos para isso. Resulta que, tirando um ou outro professor idealista, um ou outro pai ou mãe à moda antiga, nossos meninos ficam ao léu e à deriva, sem ter ninguém para lhes ministrar noções básicas de convívio social. Falei aqui e pareceu absurdo para muitos: como as coisas estão é melhor para as famílias que seus filhos sejam entregues em tempo integral às escolas durante a semana e somente devolvidos domingos e feriados, e que os professores sejam remunerados para agir como suplentes de pais e um mix de educadores e preceptores. A depender só de orientação familiar, nossos jovens rumam para o mundo adulto como gado para o matadouro.

Elites que não são elites.
Falei acima de jovens – não estou me referindo somente a crianças e adolescentes de periferia, filhos de mães solteiras e com problemas de alcoolismo e drogadição dentro de casa. Falo, também, dos filhos das elites brasileiras – e isso é assustador. Em todo o mundo civilizado a elite econômica corresponde à cúpula social e intelectual. Ou seja, geralmente o rico é também o mais politizado e o mais culto. No resto do mundo. Aqui, nossa classe alta, abastada, nossa classe média alta que sonha ser grã fina, não necessariamente é a mais consciente de seus deveres e responsabilidades, principalmente na educação dos filhos. Muito antes pelo contrário, o que verifico na prática é muita mãe e muito pai endinheirados que tratam filhos como amiguinhos, como computadores que já saem da loja programados e com antivírus, bastando operá-los. Genitores que dão comida e casa e pagam escolas caras e acham que isso basta e resolve. Pra cão e gato a gente também dá isso, adestra e sustenta, faz um ou outro chamego e é só. Pros filhos falta mais: amor, dedicação e empenho. Educar filhos dá muito trabalho, e os papais e mamães preocupados com a carreira e o status e a viagem de final de ano nem sempre colocam dentre suas prioridades preparar seus rebentos para o mundo e para a vida.

Geração espontânea.
Principal erro dos pais é acreditar no fenômeno da geração espontânea, muito comum na biologia: é o caso do caruncho que surge sozinho no cereal guardado, por exemplo. Talvez esperando um evento semelhante na educação dos filhos, os pais que não lêem, adoram sertanejo universitário e funk, enchem a cara e brigam, vivem às turras no relacionamento conjugal e doméstico, estes mesmos pais esperam que os filhos, muito antes pelo contrário, espontaneamente e sem exemplo, sejam diferentes e dêem exemplo. Querem que sejam estudiosos (o pai não lê nem jornal e fica no zap zap o dia todo), que sejam cultos (a mãe vegeta no facebook no pouco tempo livre que tem), respeitem irmãos e namoradas (\”burro\” e \”égua\” são os adjetivos mais suaves nas discussões entre pais), que não usem drogas (pais encherem a cara e darem vexame pode). Sem bons exemplos familiares no horizonte, os filhos procuram nas ruas, nas drogas e em gente inútil e ruim o caminho a ser seguido.

O Antibrasileiro.
Falem que sou antipatriota e que não ufano minha terra, pouco importa. Como vi e conheci lá fora, comparo mesmo, para o bem e para o mal. No caso da relação pais e filhos, por exemplo, o fator que mais deteriora o convívio familiar é a ausência da mãe em casa, porque trabalha, o que é uma conquista feminina mundial. No entanto, lá fora, no primeiro mundo, as mães profissionais deixam filhos em escolas de tempo integral e nos finais de semana dedicam todo o seu tempo a eles. E aqui? Sobra para as creches e vovós tomarem conta dos guris, porque a mãe trabalha de segunda a sexta. Sábados e domingos também ficam ausentes, porque é dia de forró e funk e de dar mais que chuchu na cerca. Ou de ir para a igreja evangélica rezar o dia inteiro. Ou de ir ao shopping. Não importa, os filhos nunca são a prioridade. E querem formar assim brasileiros para o futuro.

 

O dito pelo não dito.
\”Tenha cuidado onde caminha, pai. Lembre-se que sigo seus passos.\” (autor anônimo).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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