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Renato Zupo

Renato Zupo

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Diferenças de Gênero

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Camile Paglia é lésbica, crítica de arte, norte americana, andrógina, gay assumida. É ela quem afirma que suas amigas heterossexuais se esqueceram de que os homens não são mulheres. Isto vindo de uma ativista da igualdade de gênero pode soar contraditório, mas basta alguma reflexão para entender o que Paglia quis dizer. Quando se fala em igualdade de gênero, não se está falando de igualdade de comportamento ou de postura perante a sociedade, a família ou o mercado de trabalho. O que o mundo moderno impõe, o que as constituições de todos os países democráticos do mundo garantem, é a igualdade de direitos entre pessoas de distintas orientações sexuaisÉ bom que se frise isso, porque o feminismo é tão preconceituoso que suas adeptas partem daquilo que é incontroverso – igualdade de direitos – para sustentar que as posturas, comportamentos e atitudes diante do mundo e da vida devem, também, ser idênticos entre os gêneros e, atualmente, também entre os transgêneros. É a este ideário rude que Camile Paglia se referiu: devemos ter respeito por todas as tendências sexuais, garantir que homens, mulheres, gays, lésbicas, travestis, etc… tenham idênticas oportunidades de acesso a boas escolas e universidades e chances também igualitárias no mercado de trabalho. No entanto, pretender que tenhamos, homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, os mesmos maneirismos e gostos e comportamentos e modos de expressão, essa é uma imbecilidade maior ainda.  Digo isso porque há mulheres que pretendem suavizar o homem, ou dele exigir hábitos tipicamente femininos (romantização do sexo, discussão de relação, sensibilidade para datas marcantes e penteados diferentes, consumismo, etc…), que simplesmente não cabem no universo masculino. O esplendor e o magnetismo das relações entre os gêneros repousa na sua dualidade.

As Lésbicas.
Não é de hoje aprendi a admirar as lésbicas, a ponto de não conseguir tratá-las como gays do gênero feminino. Falar de Camile Paglia lembrou-me disso. Gay para mim, com todo o respeito, é uma expressão que sempre se referiu aos homossexuais masculinos, a homem que sente prazer sexual com outro homem. Mulher com mulher é diferente. Nenhum preconceito nisso, hein? E com todo o respeito que estão a merecer heteros e homos, o lesbianismo é muito mais natural, esteticamente mais explicável, até anatomicamente mais fácil de ser entendido e apreciado. Mulher gostar de mulher,  achar outra mulher bonita, é coisa que precede a vida sexual delas. Desde cedo se admiram e se dão beijos inocentes, acostumando-se ao contato físico.  Se vêem nuas com naturalidade e sofrem menos preconceitos por estarem juntas socialmente. As lésbicas não perdem a feminilidade e nem o ar maternal simplesmente por buscarem prazer como outra mulher. Sabem agregar valores masculinos com espontaneidade e  são engajadas, boas de papo, trafegando com agilidade entre os universos masculino e feminino. O que é óbvio, afinal de contas as lésbicas e os homens desfrutam de um objeto de desejo comum: as mulheres.

Somos todos Neanderthais. 
Se nos fosse possível mapear nosso genoma, aferir nossa ancestralidade genética, descobriríamos que somos ao menos um pouco Neanderthais e menos Sapiens Sapiens. Verdade. Durante uma era de nosso planeta, até trinta mil anos atrás, o Homo Sapiens, ou seja,nós, conviveu com o Homem de Neanderthal, seu antecessor na evolução de nossa espécie. Conviveu até destruí-lo, mas nesse meio tempo eles se cruzaram geneticamente, dando origem a inúmeros híbridos cujos descendentes chegaram até o nosso tempo. Pessoas normais tem até 97% de seu DNA de origem Neanderthal. Os anormais, mais que isso. Os Neanderthais  é que permitiram o surgimento de seus sucessores, os Sapiens que estão aí até hoje, porque viveram em plena pré-história, no apogeu do período Paleolítico, e eles é que de fato ainda foram contemporâneos dos dinossauros, os quais ajudaram a extinguir.  Os Neandertais são conhecidos por sua intensa capacidade para o trabalho, eram exímios caçadores e seres dotados de uma sensibilidade subestimada pela ciência moderna: em suas sepulturas paleolíticas se descobriram fósseis destes nossos ancestrais paramentados em tumbas repletas de enfeites e totens primitivos que nos permitem concluir que, já naquela época remota, os Neanderthais davam importância aos seus entes queridos e aos rituais familiares. Os Sapiens, por sua vez, eram agricultores nômades, o que o Neanderthal não aprendeu a ser. Migrou menos, era agregado ao solo em que nascia, juntava-se com a filha da tribo vizinha e por lá ficava. Por isso não sobreviviam às intempéries e acabaram extintos, mas deixaram seu legado. Para alguns, mais do que para outros.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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