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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Custos e despesas entenda as diferenças

Despesas bestas

ENTRETANTO

Alguém já observou que compramos meias ou cuecas em kits com vários pares, pagando valores irrisórios, de tal forma que cada peça sai por uns cinco ou dez reais. Depois passamos anos e anos lavando e cuidando dos pares de meia, gastando detergente e sabão em pó com cuecas, energia elétrica quando é na máquina de lavar. Ou seja, gastamos muito mais para manter o produto do que para adquiri-lo, a tal ponto que ficaria mais barato, em médio prazo, usar e jogar fora como se fossem peças descartáveis de vestuário. Comprei camisetas  em Portugal a um euro cada. Um euro! Se gasta mais lavando e enxaguando uma única vez do que comprando outra quando a primeira suja. E comer em casa? Levando em conta o gás de cozinha, luz, e os preços pela hora da morte, se a refeição não for pra quatro ou mais, compensa economicamente o restaurante de comida à quilo. E ainda tem gente que gasta dinheiro consertando celular e impressora. Quando é baratinho, tudo bem, coisa pouca. Mas tem despesa que é melhor não fazer para reparar um produto que, novo na loja, ou mesmo usado e em bom estado de conservação, é quase do mesmo preço. Tênis velho é bom de ter. Acho bonito. Mas começou a gastar trinta reais para trocar a sola, vinte reais para consertar a biqueira, e por aí vai… Amigo, doe o velho calçado e compre um novo. É caritário, humano e um bom negócio.

Seres perfeitos.
Talvez porque estejamos cansados de tanta sordidez e decepções, queremos que nossos agentes públicos sejam perfeitos. Isso não existe. O bispo inglês Joseph Hall assim muito bem definiu o homem perfeito: “um homem feliz, que aprendeu a ler a si mesmo mais do que a todos os livros e que de tal maneira assimilou sua lição que já não é capaz de esquecê-la; é um homem que conhece o mundo e não lhe dá valor; que, após demorar-se em pensamentos, descobre o que é digno de confiança; é alguém que permanece igualmente preparado para todos os acontecimentos. Trata-se de um homem que, nas coisas mundanas, nada mais deseja que a natureza; nas coisas espirituais, é sempre graciosamente ambicioso. É homem que, por sua própria condição, caminha com as próprias pernas, sem que lhe seja necessário depender dos poderosos. Pode adaptar seus pensamentos ao seu estado de modo que, ao ter pouco, não deseja o abundante porque está livre do desejo; no momento oportuno rompeu o determinado ócio da prosperidade e agora é capaz de administrá-la ao seu bel prazer. Sobre ele, as cruzes menores pesam quais pedras de granizo sobre o telhado; e quando das maiores calamidades, encara-as como tributos da vida e sinais do amor. Caso sua embarcação se agite, sua âncora é ágil. Se possuísse todo para si o mundo, não seria diferente do que é; não se satisfaria mais consigo mesmo, não se colocaria acima; afinal, sabe que o contentamento não jaz nas coisas que tem, e sim no espírito que as valoriza”.  Político assim, integralmente assim, todinho desse jeito, só teve um, e morreu condenado pela opinião pública e crucificado.

Mais Gilmar Mendes.
Recebi, compartilhei, postei e comentei o vídeo em que Gilmar Mendes, tentando parecer incógnito nas ruas de uma cidadezinha – acho que em Portugal – é atacado verbalmente por duas senhoras que o esculhambam sem piedade. O polêmico ministro tenta prosseguir em sua caminhada e permanece sendo insultado. Sorri, educado, e a virulência e os vitupérios continuam. Há outros vídeos assim espalhados pela internet:  ataques a Lindbergh Farias, Joaquim Barbosa e outras pessoas proeminentes de Brasília. Independente de quem quer que seja a vítima, a verdade é que nos enfavelizamos. Nem sei se há essa palavra e é até um pouco preconceituoso contextualizar favelas, mas a verdade é que nossa educação formal foi para a estratosfera, independente da vítima e do mote. Não é que Gilmar Mendes seja santo, ou esteja correto, mas não se pode ofender uma pessoa publicamente, com vitupérios desprovidos de respeito, simplesmente porque não se gosta da pessoa! Isso é educação banal, elementar, doméstica. Isso é o papai e a mamãe que ensinam pra gente desde cedo, em casa. Estamos perdendo tudo, inclusive o pudor.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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