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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

NOSSAS REDES SOCIAIS

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Bolsonaro de novo

ENTRETANTO

Jair Bolsonaro virou réu porque disse que não compensava estuprar uma deputada colega sua de congresso. O Ministro Relator da denúncia fez questão de frisar, ao recepcionar a acusação, que o comentário do parlamentar (agora réu) fugia do que lhe permitia sua imunidade funcional e contribuía para a degradação do gênero feminino, isso é claro sem contar que incentivava crimes sexuais. Tudo isso por conta de um comentário besta, que aliás não foi sequer original. Clodovil Hernandez, costureiro e apresentador de TV, também ele deputado, pouco antes de morrer disse exatamente a mesma coisa, com algumas nuances piores, de uma colega parlamentar (de novo!). Só que avisou que a deputada não seria estuprada porque era \”feia\”. Aconteceu alguma coisa com ele? Nada! Clodovil também era de uma minoria, a GLBT, e por isso ninguém mexeu com ele, processou, cassou, nada. Com Bolsonaro é diferente – por quê? Ao votar o impeachment de Dilma, fez referências a um General do governo militar e até gente do exterior bradou contra ele. Mas como? Deputados e senadores usam da tribuna para falar bem e mal de um monte de gente e nada lhes acontece. Alguns elogiam Che e Fidel, ídolos da esquerda, e deles nada se diz e nada se fala. Com Bolsonaro é diferente, não pode fazer homenagens, aplaudir seus ídolos, fazer referências. Pergunto de novo: por quê? O deputado GLBT Jean Willys o chamou de \”estúpido\” em uma entrevista na TV e ficou por isso mesmo. Chamar de \”estúpido\” pode, ainda mais se for deputado de minoria, progressista, etc… Não ofende o decoro nem escapa da imunidade parlamentar. Já com Bolsonaro, se sonhar em falar mal de alguém, dá-lhe processo! Willys, demonstrando quem é o bandido e quem é o mocinho, deu uma cusparada em seu desafeto na mesma sessão histórica do impeachment de Dilma e ninguém fez nada, processou, lamentou, nada! Ver pessoas comuns, o grande público ou mesmo políticos manifestando-se de maneira parcial, injusta, com dois pesos e duas medidas é algo, infelizmente, corriqueiro hoje em dia. Agora, ver juízes, e os mais poderosos do Brasil, acompanhado a essa turba, é o fim da picada. Me desculpem, mas é o fim da picada. Entendam que não se trata de defender Jair Bolsonaro, mas sim o estado democrático de direito, uma condição que impõe a todos que respeitemos as igualdades entre os cidadãos, inclusive quando falam ou fazem besteira.

Quem ajuda e quem atrapalha.
Para saber a quantas anda o ódio do povo, basta que olhemos as redes sociais, os grupos de whatss upp (é assim que escreve?). Dá nojo. Asco. Gente falando mal por falar, agredindo famílias, sendo preconceituoso e racista simplesmente pelo prazer de difamar. Dando patada e mostrando intensa falta de educação gratuitamente, a troco de nada, ou simplesmente buscando seus cinco minutos de fama na internet para espinafrar alguém famoso ou polêmico, geralmente com algum comentário idiota. Isso sem falar que as redes sociais assassinaram de vez o bom português. Inventaram um idioma novo, recheado de abreviações, frivolidades, onomatopéias, para colorir a inveja e a raiva intensa e inexplicável que deixam brotar dos teclados dos computadores e dos smartphones para o mundo cibernético, de bits e bytes. É isso o que somos? Não posso acreditar nisso. Olho em volta e vejo pessoas que conheço e convivo, e que vão à igreja e fazem donativos para instituições carentes, cumprem promessas e falam publicamente de solidariedade e de noite, depois do Jornal Nacional, ou no intervalo do almoço, ou no final de semana, vão pra internet falar atrocidades e vituperar e ofender gente inocente simplesmente porque é bonita, faz sucesso ou tem dinheiro, ou é diferente, ou pensa diferente. Não adianta, convenha-se, professar a religião do amor ao próximo e no recôndito do lar ser egoísta e malvado, acreditando que um nickname, um nome falso, ou a simples distância geográfica bastará para garantir a impunidade para suas grosserias. Se os freqüentadores de redes sociais e grupos de zapeadores querem, realmente, ajudar o Brasil, comecem por favor tolerando-se uns aos outros, agindo com comiseração e respeito, praticando o bom português e (de fato) respeitando o semelhante. Se for para criticar, façam com respeito, e lembrem-se: a inveja é um sentimento tão escandaloso que é visível mesmo escondido entre críticas e ofensas gratuitas.

O dito pelo não dito.
\”Não se preocupem com o que as pessoas falam por trás de você. Há uma boa razão para elas estarem atrás.\” (autor desconhecido).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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