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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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Bobbio e a esquerda

ENTRETANTO

Questionaram Norberto Bobbio sobre a atual e aparente despersonalização da esquerda. Como todos da classe política defendem uma igualdade republicana, erigida em bases constitucionais, não haveria mais direita e a esquerda teria se tornado, ao final, não mais parte, mas um todo indisfarçável e transformado em um bloco monolítico que se arrasta a atrasar o estado e o desenvolvimento da sociedade. Bobbio negou a extinção das esquerdas e explicou com a simplicidade dos gênios: o pensamento de esquerda continua vivo e se embasa na realização de ações positivas direcionadas à diminuição das desigualdades sociais. A direita, por outro lado, atenua e disfarça a estas desigualdades, que considera naturais em um mundo globalizado e regido pelas leis de mercado. No jargão fresco, espasmódico e inculto do \”politicamente correto\” dos intelectuaizinhos fumadores de maconha da zona sul das grandes cidades, com pôsteres de Che Guevara na parede da sala do apartamento financiado em vinte anos para se economizar dinheiro para fazer um cruzeiro pelo Caribe e para assistir show de Marisa Monte, perante esse pessoal os termos são outros: progressista é a esquerda que diminui os espaços entre as castas sociais, econservadora é a direita que alimenta a essas diferenças. É isso aí. Acho que concordo. Agora, leitor, escolha seu lado: a meritocracia impiedosa ou a mediocridade barulhenta e ruinosa?

Crimes de responsabilidade.
Muito em voga, os crimes de responsabilidade possuem conceito amplíssimo. Dona Dilma se vê processar no Senado por conta de sua suposta prática, que consiste na ação ou omissão intencional em detrimento do Erário, das finanças e da credibilidade institucional do Estado, atacados por agente político, no caso a Presidente da República. Desde logo aviso que, tecnicamente, Dilma Roussef jamais seria condenada por um juiz togado por crime de responsabilidade, que ela não praticou de modo algum. Tanto as pedaladas fiscais quanto os inadimplementos do Plano Safra foram \”barbeiradas\” governamentais escudadas por pareceres jurídicos encouraçando a gestora e blindando suas questionáveis decisões. Da condenação política ela não escapará, contudo, porque principal responsável por um dos governos mais ruinosos e desastrosos de nossa história. É este, de fato, o real motivo de seu impeachment. Como não suportamos mais sua cara de pau em meio à tanta corrupção, seu absenteísmo ideológico de nada fazer para suster a corja de colaboradores que a sustenta no poder, como fomos quebrados e vamos permanecer quebrados por muito tempo por conta dos gastos públicos maquiados por seu discurso populista, valemo-nos da \”solução Al Capone\” para varrê-la do palácio do planalto, como outrora fizemos com Fernando Collor – ou alguém acha que ele foi afastado porque aceitou um carro popular, o famoso Fiat Elba, como pagamento de propina?

O fator Al Capone.
Al Capone era o maior gangster americano dos anos 1930 e administrava através de homicídios e extorsões a cidade de Chicago, então a segunda maior metrópole norte-americana. Ninguém o pegava, a polícia não o prendia, delatores eram mortos e testemunhas sumiam sem informar de seus cassinos clandestinos e contrabando de bebida. A solução adotada pelo governo americano através do recém criado FBI foi prendê-lo por um crime menor, sonegação fiscal, pelo qual foi condenado e amargou prisão, morrendo encarcerado e sem poder voltar a controlar um dos impérios criminosos mais poderosos de que se tem notícia.  O essencial era tirá-lo da praça, o mesmo que fizemos com Collor de Mello, que confiscou nossa poupança e não resolveu nossa hiperinflação; o mesmo que estamos fazendo com Dilma, que nos trouxe de volta a inflação e o desemprego, e catapultou a credibilidade internacional do país a índices negativos inéditos e intoleráveis. O fiat Elba de Collor e as pedaladas fiscais da presidente Dilma são só as desculpas, os deslizes menores que servem como ensejo para essa merecida faxina.

 

O dito pelo não dito.
\”Livre-se de qualquer coisa ou pessoa que não seja útil, bonita ou alegre.\” (Leandro Bezerrão, filósofo dos bares belorizontinos e adjacências e arrabaldes, atualmente na sexta esposa, todas elas úteis, bonitas e alegres, segundo ele).

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

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