• BLOG ENTRETANTO •

RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

NOSSAS REDES SOCIAIS

dr house netflix 760x450 c

A ideia do House

ENTRETANTO

Aqui em Araxá também possuímos nossa versão do amargo e brilhante Dr. House, o mais famoso médico dos seriados de TV. E calha que sou seu amigo e admirador, não somente por seu raciocínio rápido, mas também por sua ironia fina e humor ácido. Ele está fulo da vida com o que denomina de baixaria, ignorância e o ódio estampados em redes sociais e na internet. O que antes somente se via em programas de televisão bem fuleiros, segundo o nosso House de Araxá agora se disseminou igual praga pela rede mundial de computadores. Isto porque os energúmenos que antigamente somente assistiam besteira através da telinha agora produzem besteira e difamam e dizimam a reputação alheia, ou ao menos embrulham o estômago de gente com um mínimo de bom gosto e inteligência. Qual é a sugestão do Dr. House? Já que é impossível criar filtros para conter a imensa favela que se transformou a internet, ele gostaria que as pessoas ainda sãs de consciência e com um intelecto razoável e algum bom gosto estético e cultural se resguardassem e se reservassem para grupos de amigos e sites exclusivos. O que já é, segundo ele, o que fazemos em nossas vidas sociais. Basta olhar os eventos públicos para perceber que, neles, as pessoas vão se isolando entre seus iguais, fazendo pequenos grupinhos e bolinhos de gente de semelhante criação familiar e nível parecido de educação e conhecimento. Em praia isso é muito comum. Podemos querer o bem do próximo, mas quando este próximo é cafajeste, atrasado e idiota, que ele seja feliz à distância.

Berçários de segurança máxima.
Vou ter que citar o Lula, que sempre considerei pessoa inteligentíssima, para o bem e para o mal. E por favor, não confundam aqui inteligência com cultura. Lula, bastante perspicaz, começou a enfrentar na presidência a luta ainda em voga pela diminuição da maioridade penal – ou da imputabilidade, como queira. Do alto de sua educação primária, mas profundo conhecedor de retórica e dos meandros da vida, ao ser acossado por aqueles que pretendem prender adolescentes infratores e segregá-los como presos comuns, cutucou: \”daqui a pouco vão querer construir berçários de segurança máxima\”.  Essa que era para ser uma frase de efeito cunhada há uma década infelizmente está se tornando o retrato de uma distopia necessária. Semana que passou um menino de dez anos (dez anos!!!) acompanhado de outro de onze, armados, tomaram de assalto um veículo no Rio de Janeiro. Saíram dirigindo e confrontaram a polícia a tiros, até que um deles foi baleado e morto, justamente o mais novo. Meu Deus, o que vamos fazer com nossos jovens? Onde iremos parar? Esse menino não nasceu assim, o que o tornou uma miniatura de bandido fomos nós, indolentes e inertes com os desvalidos da sorte que habitam os morros e vivem das migalhas de uma sociedade hedonista e egoísta. Vemos toda hora arremedos de pais e mães criminosamente omissos criando protótipos de marginais e, enquanto não é conosco, fazemos vista grossa. Nossos jovens, os brasileiros do futuro, ou são criados em redomas de proteção frágil e artificial iguais a frango de granja e sem nenhuma autodefesa, ou são largados no meio do submundo de uma guerra civil que fingimos desconhecer. Aumenta o abismo social para as gerações futuras, tão grande que é capaz de nos enterrar a todos.

A mídia que não aprende.
Quando morreu um dançarino de programa da globo, o \”Esquenta\” da Regina Casé,  que graças a Deus saiu do ar, a imprensa em peso crucificou os policiais participantes de uma operação em certa favela carioca e que teriam, segundo as más línguas, assassinado covardemente a este inocente artista. Depois esse inocente artista foi descoberto em fotos e em vida, pela internet, exibindo um fuzil Ak e sorrindo para as câmeras que não eram da globo, mas de sua facção criminosa. A mãe do pobrezinho se disse ameaçada e também apareceu na TV, onde aliás só parecia preocupada com os holofotes que angariou momentaneamente. Quando estas luzes se apagaram, saiu metralhando de acusações os artistas da casa e antigos colegas  do filho, mostrando que o ódio é inato, a injustiça humana as vezes é a justiça de Deus e que as pessoas, na imensa maioria das vezes, merecem mesmo estar onde de fato estão. Nem assim a imprensa aprende. Agora estão batendo de novo nos policiais que mataram o menino assaltante de dez anos, enaltecendo a dor de seus pais, esquecendo que estes pais possuem antecedentes criminais por delitos graves e que, por ação ou omissão, permitiram que o filho entrasse tão precoce no submundo da barbárie do estado paralelo que se tornou a periferia das grandes cidades. A mídia brasileira escolhe quase sempre os heróis errados e os vilões de ocasião, aqueles que compensa bater para aumentar a audiência, independente da isenção ou correção das críticas.  Quem acha que rede social é pior que TV as vezes se engana.

 

Renato Zupo,
Magistrado e Escritor

Gostou? Então compartilhe.

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on email

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe essa página.

Share on whatsapp
Share on email
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on telegram
Copyright © RENATO ZUPO 2014 / 2021 - Todos os direitos reservados.

Desenvolvido pela: