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RENATO ZUPO

RENATO ZUPO

Magistrado • Escritor • Palestrante

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A Dona Globo

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A TV da família Marinho já aplaudiu o regime militar e hoje o repudia – não porque seus gestores tenham mudado de ideia, mas porque a opinião pública (que a Globo manobra como ninguém) mudou de lado. Afinal, quer ter razão sempre? Acompanhe a maioria! Jornalismo sério não é assim e há três gerações nossos jovens se compadecem de terem sido educados por uma babá eletrônica manipuladora e repleta de veleidades políticas. Se hoje repudiamos a lei e a ordem, associamos fardas e desmandos à violência estatal, e qualificamos a direita como “os ricos no poder” e a esquerda como “os pobres e favelados”, de maneira simplista, ingênua e tatibitate, é porque a Dona Globo assim nos ensinou. Não era para ser assim. A RAI italiana e a BBC de Londres não são assim tão descaradas e tampouco odiadas ou amadas por posicionamentos políticos, e nem são acusadas de forjar verdades ou tresler dados conforme sua conveniência ideológica. Mesmo nos EUA, o New York Times essencialmente esquerdinha caviar tem um simancol (ou desconfiômetro) ferino para não ir além do óbvio em artigos de opinião e nem falsear descaradamente a realidade dos fatos. A Globo perdeu a noção do real em seu ódio por Jair Bolsonaro, e assim perdeu a noção do ridículo. No afã de reproduzir um mundo que considera ideal, optou por nos enganar com um mundo irreal. O cúmulo ocorreu na cobertura das manifestações de 7 de setembro: disse presentes somente 100 mil mortais na Paulista, ao todo, quando eram 100 mil por quarteirão. Isso é fake News.

Estratégias.
Na semana que antecedeu às manifestações de 7 de setembro, forças divergentes ao atual presidente da república praticaram aquilo que em Direito se convencionou chamar de “acúmulo estratégico” de provas, insinuações ou boatos. Guardaram tudo para despejar às vésperas do feriado nacional escolhido pela população conservadora para ir às ruas proteger Bolsonaro de um provável e hoje quase inevitável processo de impeachment. Assim é que disseram que o presidente foi corno de ex-mulher e é gay – essa última afirmativa é de uma nova versão do Rodrigo Maia de sempre, que  optou por deixar crescer os cabelos para parecer descolado em podcasts depois que saiu da presidência da Câmara. Não adianta, continua um político à moda antiga, inclusive na pior acepção de invadir privacidade e confundir a vida pública com o indevassável convívio familiar a que todos temos direito. É claro, Maia mente deslavadamente. Esse pessoal vive sob o lema famigerado de que os fins justificam os meios, mesmo sabedores de que motes irresponsáveis como este já fizeram eclodir guerras e enlamearam irremediavelmente às reputações de inocentes. Vão nos filhos, na esposa e na ex-mulher do presidente, quando não suportam a briga com o chefe do clã, cujo exército não é o das forças armadas. O exército é aquele do povo que o elegeu, agora mais unido do que nunca. Já disse aqui que pouco importa a opção sexual das pessoas, como desimporta a cor de sua pele. As pessoas valem pelo caráter e pela competência – todos aqueles que se esquecem disto se apequenam. Mentiras sórdidas ou fatos, o que importa é que os defeitos dos homens públicos, quando não advenham de sua maldade, apenas o aproximam de seu povo: as fragilidades de Diego Maradona em sua vida privada de fato o tornaram mais amado nos corações argentinos.

Legisladores.
Na escola judicial, um decano e sábio desembargador nos ensinava que não devemos editar portarias regulamentando a vida das pessoas, ou ao menos evitar ao máximo esse tipo de conduta. E explicava: não somente nós juízes não somos legisladores como, quando teimamos em sê-lo, somos péssimos. Não é da nossa índole e nem da nossa formação fazermos leis. Não deram esta lição aos integrantes do STF, parece. Seguem legislando em matéria penal e acusando em ações penais ou presidindo inquéritos policiais – tudo pessimamente. Se consideram a homofobia crime (e Roberto Jefferson já nos disse porquê), agora devem processar Rodrigo Maia, que insinuou que nosso presidente é afeminado. E por qual motivo só a injúria quanto à opção sexual se equipara ao racismo? Disseram também que Bolsonaro é (ou foi) corno. Então, punamos a “cornofobia”, que tal? Viu STF? Quem mandou legislar? Segura o tranco agora.

Truculência.
Devemos lutar para não brigar mas, se inevitável a contenda, lutar mais ainda para vencê-la. O presidente da república acenou com bandeira branca todo o tempo em que foi espinafrado por representantes dos demais poderes, alfinetado, extorquido e constrangido em sua autoridade presidencial o tempo todo desafiada e desrespeitada. Não conseguiram mata-lo a facada na antevéspera das eleições, assassinam sua reputação agora, ou o matam de AVC de tanta raiva. Não acho Bolsonaro o suprassumo dos governantes, mas é difícil saber onde termina seu despreparo e onde começam os obstáculos colocados `a frente de seu caminho de maneira proposital por desafetos políticos e institucionais que deveriam ser impessoais e imparciais na gestão da nação. Neste sentido, as manifestações de 07 de setembro me decepcionaram: eu não queria ruptura, mas ela se tornou inevitável. E, quando tentamos evitar o inevitável, perdemos tempo e demonstramos fraqueza. Um recado para o nosso presidente: se vis pacem, parabélum.  Se queres a paz, prepara-se para a guerra.

O Dito pelo não dito.
Fraqueza atrai agressividade” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor brasileiro).

Renato Zupo
Magistrado e Escritor

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